De quando se acreditava na força dos blogs

2 comentários sobre “De quando se acreditava na força dos blogs”

  1. Anti-mainstream syndrome? Brincadeira.

    O Roberto de Almeida[1] comentou comigo há algum tempo que o site pessoal estava agonizando; hoje temos Twitter, Facebook, Tumblr, GitHub, Instagram, personas fragmentadas por interesse. O site pessoal englobava tudo isso antigamente.

    Mudando talvez o foco da sua proposta, compartilho da ideia de que hoje temos muito mais informação e muito menos conhecimento. Apesar de apregoar e enaltecer o caráter ultra-democrático da internet – para quem tem acesso a ela -, vejo o claro revés de que: quando é possível a qualquer um publicar sem custos e dificuldades, qualquer coisa pode ser publicada. Desta forma, o que agrega? O que vemos é o crescimento exponencial de informações sem qualquer valor ou relevância.

    A filtragem da informação torna-se mais difícil também não somente pelo seu número espantoso, mas pela falta de referência que agora reina. Editoras e jornais premiados em outros tempos pela excelência de conteúdo devem ser lidos com desconfiança hoje, pois a necessidade de produzir conteúdo supera a necessidade do conteúdo de qualidade. Repórteres informais podem trazer informações melhores, mais acuradas, mais rápidas ou tudo isso ou qualquer combinação disso porque estão inseridos no meio em que a notícia nasce e são especialistas no assunto. Podem publicar também informações totalmente irrelevantes ou incorretas porque eles próprios obtiveram a informação dessa forma ou simplesmente porque não tem conhecimento sólido na área e querem publicar sua opinião. A crise vai além: hoje a desinformação é desejada! E em doses cavalares! Nem me atenho a revista do piauí, sensacionalista ou qualquer outra que tenha caráter de crítica de costumes e zombaria, mas “desciclopédias” e culturageral.org estão pipocando por todos os cantos e fazendo sucesso porque publicam informações erradas.

    Ao tentar adaptar-se ao ritmo frenético de publicação, mesmo os livros que já foram o ápice da produção intelectual, hoje publicam sobre qualquer assunto e chegam às ruas com erros grotescos de ortografia; sem comentar sobre o conteúdo.

    A ruptura de valores e comportamento está sendo violenta e por mais que tente-se entender sem emissão de juízo, é difícil entender como esses novos tempos podem ser promissores sendo que todos são especialistas de tudo e não entendem nem produzem, de fato, nada.

    [1] http://dealmeida.net/

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    1. Pois é, eu tive medo que o post ia ter esse tom antimainstream ou contra redes sociais. Não é isso. É mais realmente uma constatação clara da inocência e ignorância que se via naquela época a respeito de como a internet seria no futuro (e que ainda se vê hoje, aqui e ali).

      Nem estou dizendo que a mera cópia de conteúdo é ruim – conteúdo bom precisa ser disseminado.

      O problema é que muita gente nem tem noção do seu papel extremamente ativo na circulação das informações. E o resultado disso, como você disse, é que se agrega informação sem produzir conhecimento.

      E todos os leitores cobram de todo mundo que saibam “das últimas notícias” com extrema agilidade, como eles próprios querem saber, e isso desencadeia essa questão em que ter alguma informação nova (mesmo que errada) passa a ser mais importante do que ter a informação certa mais tardia.

      Isso é fato – são os juízos de valor de hoje. O que ainda está pra se ver serão as consequências práticas disso a longo prazo, se é que alguma poderá ser percebida.

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