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	<title>Ira Racional &#187; tempo</title>
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	<description>Emoção carregada de razão - por Altieres Rohr</description>
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		<title>O homem e a ponte</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 12:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas/Contos]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[suicídio]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Luzes artificiais penetravam os olhos daquele homem, enquanto o dia passava a ser o próximo. Vagarosamente e com as pernas frouxas, andava sem delicadeza ou rumo algum. Ele poderia dizer que assim também era sua vida: frouxa, lenta e sem rumo. Ele sabia, porém, que não poderia culpar ninguém exceto a si próprio. E assim, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Luzes artificiais penetravam os olhos daquele homem, enquanto o dia passava a ser o próximo. Vagarosamente e com as pernas frouxas, andava sem delicadeza ou rumo algum. Ele poderia dizer que assim também era sua vida: frouxa, lenta e sem rumo. Ele sabia, porém, que não poderia culpar ninguém exceto a si próprio. E assim, seu senso de justiça trouxe a sentença mais óbvia que conseguiu, até onde vão os limites da obviedade: punir o responsável.</p>
<p>E com esta finalidade, o homem ali se encontrava. À sua frente, luzes. Atrás, outras, tão ou mais brilhantes. Do seu lado, ainda outras luzes, móveis. A rodovia. E água. Assim percebia o mundo, embora o horizonte parecesse inquieto – uma mera consequência do ritual de preparação para o que decidira fazer. De repente, um zunido.</p>
<p>“Vê se olha por onde anda!”, berra o motorista de um caminhão pela janela. Chovia, mas não o suficiente para se precisar de um guarda-chuva. Agora, que um veículo acabara de jogar uma poça d&#8217;água em sua direção, o homem clamava por roupas secas. Mas nem as precisava, e sua crença não resistiu muito frente à realidade que o envolvera. Caíra, e agora podia sentir novamente seu joelho, ou pelo menos a dor que se fazia presente nele.</p>
<p>Era o momento de realizar o julgamento, mas ele queria mais tempo. Naquele instante, o homem, que tanto queria acabar com o tempo, sentiu a paz de ter para si todo o tempo do mundo. Virou-se e viu os carros, frenéticos, apressados, incessantes, poluidores e barulhentos.  Virou-se outra vez, para a água silenciosa. Fitou-a e sentou-se, seu joelho dolorido e suas pernas frouxas agora livres no ar. O horizonte continuava inquieto, mas o rio abaixo dos seus pés mostrava-se inofensivo.</p>
<p>O homem procurava o medo. Sentir a adrenalina injetar-se em seu sangue, pelo menos o suficiente para fazer seu coração bater de tanto querer a vida. Planejou esse momento para isso. Mas encontrou justamente o que não esperava achar: a paz de quem, afinal, nada mais necessita, e para quem a infinidade do tempo não rouba o que há de precioso na finitude de cada segundo.</p>
<p>Achara tudo onde pensou não haver nada. Mas essa é a realidade. A realidade que seres humanos se enganam.</p>
<p>Os minutos davam boas-vindas às suas colegas, as horas, que chegavam cada vez mais rápidas, mas isso não perturbava aquele homem. Porque nem todas as luzes que achavam o caminho até seus olhos eram ainda artificiais. O céu estava mais limpo, embora ainda negro, e agora via-se a lua branca. Algumas estrelas também, mas não o bastante para serem incontáveis, ele assim percebeu, o que as tornava menos interessantes do que da última vez que prestara atenção nelas. Mas não era capaz de ter certeza, porque isso já devia fazer uns vinte ou trinta anos.</p>
<p>Ele seria mais feliz se tivesse comprado uma luneta. Quando criança, pediu várias vezes aos seus pais. Tornou-se adulto e fingiu esquecer. Coisas de criança não poderiam ser tão importantes assim, pensara. Queria-a mais do que nunca, se dissesse a verdade. Mas as pessoas, ele também percebeu, costumam mentir.</p>
<p>Ali, contava uma mentira pra si mesmo. Dizia que a ponte era o que lhe daria a punição por tudo que fizera de errado no passado, levando ao hoje que ele sentia ser tão medíocre. Não; a coragem para continuar vivendo no que construíra era mais exigente, e ele estava tomando a decisão mais simples para si mesmo. Nada seria consertado e, depois do que pretendia fazer, não poderia mais participar do conserto, sendo este possível ou não. Mas de onde poderia vir a coragem para dizer a verdade a si mesmo?</p>
<p>Jogou-se, absorvido na mentira. O ar o fez sentir ainda mais vivo. Finalmente, o medo. Ele chegou, tarde, mas chegou. Trouxe junto o arrependimento, ainda mais tardio, tanto que nem chegou a tempo de se fazer notar. Na impossibilidade de viver outra vida, escolhera ter nenhuma. Enfim.</p>
<p>Sentia a água em seu rosto. Chovia muito forte, e todo seu corpo estava ficando encharcado rapidamente. Olhou para o lado. Grama verde. Dormira num banco colorido da praça num dia de inverno. Que sonho bom tivera para uma tarde, pensou. O privilégio de morrer e continuar vivo é para poucos. Qual dor era tão importante que precisava ser deixada para trás e assassinada em um sonho ele não mais sabia; morrera, e nada mais tinha a perder.</p>
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		<title>Versos: A Revanche</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jan 2009 02:02:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo dia tem um fim E todo ano também Mas só termina Aquilo que começa Alguns têm medo Não sei por quê Afinal Quando a rodada acaba Apenas chega a vez De outro jogar Temos nossa chance De tentar fazer o longe Ficar ao nosso alcance; Alguns não se importam Esperam pela revanche Sem perceber [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo dia tem um fim<br />
E todo ano também<br />
Mas só termina<br />
Aquilo que começa</p>
<p>Alguns têm medo<br />
Não sei por quê<br />
Afinal<br />
Quando a rodada acaba<br />
Apenas chega a vez<br />
De outro jogar</p>
<p>Temos nossa chance<br />
De tentar fazer o longe<br />
Ficar ao nosso alcance;<br />
Alguns não se importam<br />
Esperam pela revanche<br />
Sem perceber<br />
Que o que se faz direito<br />
Não precisa ser refeito<br />
Em outro momento</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Versos: Temporal[+]</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Sep 2008 04:48:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>
		<category><![CDATA[razão]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[temporais]]></category>
		<category><![CDATA[versos curtos]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma cicatriz brilhante Mais rara que diamante Sabe deixar-se ouvir Sem se deixar sentir Criação da tempestade Se revela devagar No campo ou na cidade Sem nunca pestanejar Em muitos só causa medo Não sabe como chegar História sem enredo Que tão logo vai acabar E que venha o temporal Cujo tempo é pura pressa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma cicatriz brilhante<br />
Mais rara que diamante<br />
Sabe deixar-se ouvir<br />
Sem se deixar sentir</p>
<p>Criação da tempestade<br />
Se revela devagar<br />
No campo ou na cidade<br />
Sem nunca pestanejar</p>
<p>Em muitos só causa medo<br />
Não sabe como chegar<br />
História sem enredo<br />
Que tão logo vai acabar</p>
<p>E que venha o temporal<br />
Cujo tempo é pura pressa<br />
Ferindo o bem e o mal<br />
Enquanto o céu atravessa</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>&#8220;abandone toda a esperança,<br />
aquele que aqui entrar&#8221;,<br />
estava na vizinhança<br />
da porta de um mundo vil<br />
&#8220;Inferno&#8221;, segundo Dante;<br />
Estranho é que lá em casa<br />
&#8211; bem nos livros da estante &#8211;<br />
O mesmo dito queima<br />
e nem deixa brasa</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Versos: O Homem</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/07/versos-o-homem/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Jul 2008 09:43:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[I Os campos parecem até coloridos Mas na verdade enganam quem os vê O verde e o amarelo desapareceram Em meio ao cinza de céus tardios O homem caminha pelo campo Cego, não viu verde ou amarelo E não sente falta deles agora Nem pensa que algo foi mais belo II O tempo anda rápido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>I</p>
<p>Os campos parecem até coloridos<br />
Mas na verdade enganam quem os vê<br />
O verde e o amarelo desapareceram<br />
Em meio ao cinza de céus tardios</p>
<p>O homem caminha pelo campo<br />
Cego, não viu verde ou amarelo<br />
E não sente falta deles agora<br />
Nem pensa que algo foi mais belo</p>
<p>II</p>
<p>O tempo anda rápido<br />
Não obedece os relógios<br />
Não quer ser parado<br />
Como aventureiro ávido</p>
<p>O homem quer voltar no tempo<br />
Corrigir erros que diz não cometer<br />
Vive o presente pensando no passado<br />
Com medo de que o futuro pode não acontecer</p>
<p>III</p>
<p>Palavras enchem páginas de valor<br />
Antes brancas, só podem se orgulhar<br />
Do momento em que recebem o presente<br />
Que irão apenas repassar</p>
<p>O homem quer escrever<br />
Tem uma idéia do que quer falar<br />
Mas não do seu significado<br />
Que acaba por não se perpetuar</p>
<p>IV</p>
<p>Chove em uma montanha sublime<br />
Que tentou elevar sonhos e promessas<br />
Mas os fez congelar sem hesitar<br />
Quando viu que estavam altos demais</p>
<p>O homem sobe a montanha<br />
A ausência de sonhos não o estranha<br />
E uma vida que crê na própria sorte<br />
Não sente o frio da própria morte</p>
]]></content:encoded>
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