Eu não poderia ter publicado o texto anterior — que estava editado e pronto faz tempo — sem também escrever um pouco sobre elitismo racional, que é a crença de que “todo mundo está errado e só eu estou certo”.
Esta é um questão bem relevante atualmente, especialmente quando temos dois candidatos bem diferentes para as eleições dos Estados Unidos e um deles, o Democrata Barack Obama, é freqüentemente atacado pela crítica Republicana como “inexperiente”.
Ora, diz McCain e seus aliados, Obama é, como todo adulto mais jovem — incluindo o candidato Republicano em seus primeiros anos: uma pessoa que ainda não compreende muito bem o mundo. E por isso pensa ter uma solução simples e elegante para tudo, ou “a mudança em que podemos acreditar” .
Há um pouco disto no atual título deste blog, mas a ira é o que tira a credibilidade deste racional. A inevitável emoção que acompanha todo o desejo (veja bem, desejo) de buscar respostas racionais. No fim, um cientista fica feliz por suas descobertas, e é o prazer que ele retira delas que o faz seguir adiante. Não existe estudo sem paixão. Não existe razão sem emoção.
Portanto, estou sujeito ao erro. E exponho minhas opiniões não porque penso ter a solução. Não porque quero me impor. Pelo contrário. Jamais poderei iniciar uma discussão sem antes dizer o que penso. E jamais poderei participar de uma discussão já existente sem fazer o mesmo. Freqüentemente, participo de discussões não para expor meu ponto de vista, mas pra me fazer de advogado do diabo simplesmente para extrair mais argumentos que defendam um ou outro ponto de vista. Não poupo nem meus aliados.
Independentemente de quanto eu me esforce, sempre haverá alguém mais bem informado do que eu. Alguém que leu mais estudos e textos sobre o assuntos. Ou então textos mais recentes. Ou, ainda, textos simplesmente diferentes. A informação que temos é tanta que é impossível acompanhar tudo. E mesmo que nossa educação fosse perfeita, tudo que ensinamos cada vez vale menos. Não se pode construir base sólidas para “opinião” alguma, porque uma nova prova ou fato irá tornar tais bases obsoletas na semana seguinte.
Nada mais é constante, senão a própria mudança.
Eu preferiria, sinceramente, o cartesianismo e o mecanicismo. Descobrir O Método e A Verdade. Mas infelizmente não é assim. Temos que nos contentar com o que podemos fazer, que é buscar as melhores verdades todos os dias. E, obviamente, não as encontraremos. Mas é melhor encontrar alguma coisa — tal como aquilo que escrevo neste blog — do que nada.
Toda informação pode despertar uma emoção que cria uma vontade inexplicável de se saber mais. Se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem — quem sabe na próxima?
Esta é a realidade com a qual os críticos viventes do “pós-modernismo” precisam conviver: apesar da discordância e do erro, ainda há um valor. Mas o que é e como pode ser medido este valor, para diferenciar a crítica boa da crítica ruim? Cada leitor irá julgá-la com base em suas experiências de vida — completamente subjetivas –, mas será este o único valor, o crivo das massa — a mesma massa que assiste a novela das 8, Big Brother e não sabe quem foi Descartes?
São perguntas abrangentes e nem me interessa a resposta, porque todos que se propuserem a responder, apesar de apresentarem respostas diferentes, estarão certos, pelo menos para si próprios. E quando todos estão certos, ninguém discute para aprender, mas apenas para lecionar.
Mas se as coisas são assim, como pode a escola estar ensinando algo a respeito das autoridades do saber? Se fosse assim, as pessoas não acreditariam em tudo?
Pelo contrário. O que temos aqui é a idéia de que “todas as opiniões são criadas iguais”. Pois o professor nunca teve, ou, pelo menos, parece que nunca teve, de justificar o que disse. Daí, uma aula de Física tem a mesma autoridade de uma aula de Religião. E uma opinião sem fundamento tem o mesmo valor de uma opinião bem-fundamentada.
Acredita-se, então, no que é conveniente.
É verdade que nossas bases não são sólidas, podendo desaparecer com a publicação de um novo estudo ou algum acontecimento inesperado. Mas a evolução incessante não deve ser justificativa para desistir de buscar fundamentos; pelo contrário, deve nos fazer entender que as coisas mudam e que precisamos acompanhá-las, e que estar errado por possuir informação de credibilidade desatualizada é mais nobre do que errar por não ter informação de credibilidade alguma.
Ou, pelo menos, é o que aquilo que sei até hoje me faz pensar.
“Some people see things that are and ask, Why? Some people dream of things that never were and ask, Why not? Some people have to go to work and don’t have time for all that”
–George Carlin