Não falar ao acaso aumenta suas chances de dizer algo que presta

Estava na pauta do blog há meses um post com o título “O medo de as palavras terem feito”, no qual eu falaria sobre as opiniões deixadas ao acaso diariamente e que provavelmente ninguém se atreveria a dizer se de fato tivessem que provar o que dizem ou se corressem o risco de serem cobrados depois para ver o que acertaram.

Eis que um novo estudo científico fala por mim. Em resumo, os cientistas descobriram que as pessoas conseguiram acreditar em coisas mais plausíveis quando sabiam que a crença delas seria julgada mais tarde e não simplesmente deixada no acaso de uma conversa.

Fica a lição: não falar ao acaso aumenta suas chances de dizer algo que presta. Registre suas crenças e achismos para julgá-los depois.

Versos: Temporal[+]

Uma cicatriz brilhante
Mais rara que diamante
Sabe deixar-se ouvir
Sem se deixar sentir

Criação da tempestade
Se revela devagar
No campo ou na cidade
Sem nunca pestanejar

Em muitos só causa medo
Não sabe como chegar
História sem enredo
Que tão logo vai acabar

E que venha o temporal
Cujo tempo é pura pressa
Ferindo o bem e o mal
Enquanto o céu atravessa

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“abandone toda a esperança,
aquele que aqui entrar”,
estava na vizinhança
da porta de um mundo vil
“Inferno”, segundo Dante;
Estranho é que lá em casa
— bem nos livros da estante —
O mesmo dito queima
e nem deixa brasa

Versos: O Preço da Sabedoria Pt. II

Na terra entre estes dois lagos
Pode haver uma cruel enchente
Mas destes evitáveis estragos
Só o ignorante se arrepende.

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Se é importante
Conta-me o que viste
Mas não chegues triste
Porque no mesmo instante
Meu ouvido desiste

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	se soubesse
o significado de tudo
	não saberia
o significado do nada

A não ser que tudo
	seja apenas nada

Versos: Teoria da Conspiração Imaginária

“Inferioridade”

Esse calor não me deixa pensar
O que aconteceu não foi como imaginei
Me desapontei, mas de nada vale chorar
Se não descobrir onde foi que errei

Vejo os mistérios dessa enorme Terra
Que sobrevive a esta guerra
Que travamos contra nossa criação
Tentando explicar a pura ficção

“Realidade”

Aquilo que estão tentando esconder
Pode ser algo que não vou compreender
Mas quero saber mesmo assim
Conhecimento não trará meu fim

Então, levantem agora, segredos do universo!
Quero algo mais valioso que este humilde verso
Mostre-me tudo que você é capaz de criar
Para que no impossível eu não vá acreditar

“Necessidade”

… mas o céu canta um azul sem vida…
As nuvens brancas movem-se sem permissão
Não respeitam nem essa despedida
Que aceno para minha própria invenção

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Este é um texto bem antigo, da primeira “fase”. Editei alguns poucos versos para melhorá-lo. No início, a preocupação em excesso com a rima1 criava estrofes sem ligação clara entre si. Com o tempo fiz algumas coisas para tentar juntá-las, como as palavras soltas sozinhas mostram. Este foi um problema que só resolvi recentemente, e talvez ainda não por completo, mas fica muito mais evidente aqui quando eu nem sabia disto (afinal, o único leitor era eu mesmo).

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estou passado 
como um VHS
que se vê uma vez
depois se esquece
  1. Rimas fracas, por sinal.

Versos: Na Esquina, Ruas Desertas Sussurram Pt. II[+]

~ Desilusões Racionais ~

Acho que tenho a solução:
Tecnocrata inteligente
Que pensa que gente
Sempre é cega como lente
De óculos sem prescrição

Visão totalmente em foco:
Meu raciocínio é lógico
Se, então, pois, logo
Quase que o céu toco
Sem mapa astrológico
E nenhum pseudólogo

Aí me culpo por não entender
O que suponho não fazer sentido:
Complicadas relações de poder
E as ações de um tal de cupido
Que considerou-me caso perdido

Limpar o mundo não é a intenção
Arrastar os males com um pente
E criminalizar o diferente;
Sendo eu fruto de tal vertente
Não posso julgar-me aberração

Quando tenho chance de discursar
Percebo que no ar só lanço ruído
E a felicidade do puro pensar
Trocou sua máscara e seu vestido
Para deixar a realidade passar
E fazer do caos seu novo marido.

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eu tinha uma rima
muito bacana
daquele tipo
que sempre engana

mas vou te dizer
veio fácil demais
e foi-se também

agora onde está o poder
de arranjar outras mais
que me sirvam tão bem?

Versos: Sobre inspiração artística[+]

Pensei que só mais um segundo
Deste interminável sono
Poderia me levar ao trono
De algum outro mundo

Finjo que não tenho muito
Que sempre me falta algo
Reclamo sem ar, aflito!
Mas não sou melhor que um ator
Dançando sobre o palco
Que é esta mesa de plástico;
Meu personagem é de escritor
Desenho letras à pulso fraco
Que até parecem carícias
Sobre páginas submissas
Que jamais recusam
O que lhes é dado…

Que tolice!
Como se eu não visse
Todos os dias
O Sol brilhar;
Como se não houvessem
As músicas e melodias..
Como se não soubesse
Que é neste deserto feito quarto
Onde eu vou acordar
Por mais–
Que estas fantasias
Tentem me deslocar…

Ainda assim, escrevo à vontade
Na esperança de que o escrito
Faça-me lembrar de cada mito
Que um dia a imaginação
Fez parecer realidade

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ignorar a razão
     é como
dirigir na contramão

tudo fica bem
     se ninguém
vem da outra direção