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	<title>Ira Racional &#187; Jornalismo</title>
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	<description>Emoção carregada de razão - por Altieres Rohr</description>
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		<title>Diploma de jornalismo: corporativismo disfarçado de defesa da liberdade</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 02:09:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto abaixo foi inicialmente escrito para o Portal3, site mantido pela Agência Experimental de Comunicação (agexCOM) da Unisinos, universidade na qual estudo. Link original. Abaixo segue o texto reproduzido, para registro. No século XV, a resposta imediata dos governantes &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/07/diploma-de-jornalismo-corporativismo-disfarcado-de-defesa-da-liberdade/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto abaixo foi inicialmente escrito para o Portal3, site mantido pela Agência Experimental de Comunicação (agexCOM) da Unisinos, universidade na qual estudo. </p>
<p><a href="http://portal3.com.br/wp/diploma-de-jornalismo-corporativismo-disfarcado-de-defesa-da-liberdade">Link original</a>. Abaixo segue o texto reproduzido, para registro.</p>
<hr />
<p>No século XV, a resposta imediata dos governantes à invenção da imprensa foi a censura. Em alguns países essa situação prolongou-se de maneira inaceitável. Foi o caso do Brasil, onde não havia nenhuma oficina de imprensa até 1808, quando iniciou-se a impressão do <i>A Gazeta do Rio de Janeiro</i>. Esse jornal era a resposta da recém-chegada corte portuguesa ao <em>Correio Brasiliense</em>, a primeira publicação a circular em território nacional, mas que era impressa em Londres e defendia a independência do país.</p>
<p>Hoje, em pleno ano de 2009, pelo menos 34 jornalistas estão presos em meio ao tumulto das eleições iranianas, segundo dados da <b>Repórteres Sem Fronteiras</b>. Mais de meio milênio após a invenção da imprensa, a censura ainda é, infelizmente, uma realidade.</p>
<p>Uma realidade que o Brasil vivia intensamente em 1969. No ano anterior, o governo militar havia criado o Ato Institucional nº 5, ou AI-5. Um dos Atos Institucionais mais marcantes da ditadura, ele deu poderes ilimitados ao presidente, eliminando a separação entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.</p>
<p>Creio que a maioria dos colegas jornalistas repudia esses acontecimentos. Porque cerceamento da liberdade de expressão não é o que desejam os jornalistas, que por muito tempo lutaram (e lutam) precisamente para obter o direito de escrever aquilo que acreditam que precisa ser escrito.</p>
<p>Mas foi nesse cenário de repressão que foi baixado, no canetaço, o <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del0972.htm">Decreto-Lei 972/69</a>. Esse é o decreto que criou a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Ele é o núcleo da questão que mais tem mobilizado os sindicatos e alunos de jornalismo nos últimos meses, e cujo clímax se deu no dia 17 de junho, quando os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) o julgaram incompatível com a Constituição Federal de 1988.</p>
<p>Não vou argumentar a respeito da validade da formação acadêmica. Sou estudante de jornalismo e assim devo permanecer até me formar. Acredito no valor que a formação tem para mim &#8211; pelas pessoas, pelas experiências, pelo contato com diferentes formas de pensar. Há quem consiga essas coisas de outra forma, em outra formação, ou mesmo dispense tudo isso.</p>
<p>Mas acho engraçado que os sindicatos, especialmente, dizem que a exigência do diploma de jornalismo garante a liberdade de expressão e o &#8220;acesso democrático&#8221; à profissão. Se foi uma regra criada para censurar, teríamos que primeiro provar a burrice e incompetência do governo militar por ter criado uma lei com a finalidade oposta. Certamente não era o caso, pois os militares conseguiram, sim, manipular a mídia e impedir a publicação de várias reportagens desfavoráveis. Com o decreto, impediram que jornalistas &#8220;indesejados&#8221; continuassem trabalhando legalmente no país.</p>
<p>A liberdade de expressão nada tem a ver com a formação do profissional. Sai no jornal o que o dono do jornal quer, visto que o texto é limitado pelo papel e pela tinta, ambos fora do controle do jornalista. O mesmo vale para o rádio e para a televisão. A apuração também depende do tempo que o jornalista terá para fazê-la. O jornalismo não é um produto tão lucrativo quanto o entretenimento &#8211; a quebradeira dos veículos norte-americanos está aí para mostrar a fragilidade financeira da imprensa. Com os profissionais sobrecarregados, o tempo de apuração é, portanto, limitadíssimo; raras vezes é possível fazer um trabalho de qualidade excepcional nestas condições.</p>
<p>Médicos e jornalistas são bem diferentes, de modo a serem incomparáveis, embora tal comparação tenha sido frequentemente realizada pelos defensores do diploma. Os piores erros do jornalismo envolvem falta de ética e honestidade. Os maiores erros da medicina (e da engenharia, do Direito…) se dão pela falta de conhecimento técnico. Ninguém fala em &#8220;liberdade de medicina&#8221;, simplesmente porque ninguém quer ser cobaia da &#8220;liberdade&#8221; de um médico.</p>
<p>Por outro lado, a liberdade de imprensa e de expressão é justamente a garantia de podermos falar o que quisermos da maneira que quisermos, implicando a obrigação de aceitar que outros façam o mesmo.</p>
<p>Jornalismo não se faz de um jeito só. É arrogante o jornalista que pensa ser possuidor do &#8220;segredo para se fazer jornalismo&#8221; só porque sabe quais informações devem ser colocadas no primeiro parágrafo de um texto &#8211; e há quem ria de quem será empregado sem saber o que é um lead.</p>
<p>Todo o barulho em favor do diploma é sindicalismo, corporativismo &#8211; a preservação de uma reserva de mercado disfarçada de preocupação para com o bem comum. Ótimos jornalistas não têm formação na área: <strong>Carl Bernstein</strong> e <strong>Bob Woodward</strong>, a dupla que derrubou o presidente Nixon no escândalo Watergate, escrevendo o que entendiam ser a verdade no <em>The Washington Post</em>, não tem formação em jornalismo. Bernstein, aliás, nem completou o ensino superior.</p>
<p>Também não faltam péssimos jornalistas formados. Basta conferir alguns jornais locais, devidamente registrados, com suas reportagens chapa branca e anúncios disfarçados de notícia. É pertinente citar o caso de <strong>Jayson Blair</strong>, o repórter do <em>New York Times</em> que inventou e plagiou notícias. Vendeu ficção como verdade. Blair era formado em jornalismo em um país que nem mesmo cultiva a exigência que por 40 anos existiu no Brasil.</p>
<p>Por fim, vale lembrar que os princípios éticos dos quais muitos jornalistas tanto se orgulham &#8211; como o &#8220;ouvir o outro lado&#8221; &#8211; nasceram justamente nas empresas que tratam jornalismo como produto. Antes de ser profissionalizado, jornalismo era feito por motivação política específica. Os mais interessados na noção de &#8220;imparcialidade&#8221; são os mesmos que hoje dizem querer contratar pessoas sem formação.</p>
<p>Ou, pelo menos, supõe-se que o objetivo dos membros do Sindicato das Emissoras de Rádio e Televisão de São Paulo (Sertesp), do qual partiu a iniciativa de eliminar a exigência do diploma, seja o de não contratar somente jornalistas. Se forem outros Bernsteins e Woodwards, que ótimo. Se forem Blairs, formados ou não em jornalismo, que pena. Mas o público sempre pode mudar de canal.</p>
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		<title>O bairrismo gaúcho</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 19:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[É vergonhoso o que aconteceu com o repórter do CQC Felipe Andreoli. A saber: um bando de torcedores do Internacional desceu a porrada nele, no cinegrafista e no produtor enquanto eles faziam uma reportagem no Beira-Rio sobre a partida Corinthians &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/07/o-bairrismo-gaucho/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É vergonhoso o que aconteceu com o repórter do CQC Felipe Andreoli. A saber: um bando de torcedores do Internacional <a href="http://felipeandreoliblog.blog.uol.com.br/arch2009-06-28_2009-07-04.html#2009_07-02_16_49_29-132266277-0">desceu a porrada</a> nele, no cinegrafista e no produtor enquanto eles faziam uma reportagem no Beira-Rio sobre a partida Corinthians x Inter.</p>
<p>Se ainda fosse apenas um caso isolado de ódio, realizado por alguns bêbados, <i>quase</i> que se poderia aceitar. Mas não. Nos comentários do blog dele e em <a href="http://forum.jogos.uol.com.br/Ignorancia-e-Bairrismo--Felipe-Andreoli_t_305347?page=1">outros lugares</a> vê-se gaúchos sóbrios apoiando a atitude imbecil desses colorados. Se Andreoli estava ou não fazendo piada, isso não importa. É o trabalho dele.</p>
<p>Que fique claro que nada tenho contra os colorados. Não me envolvo com futebol, logo nem sou gremista; não faço parte dessa polarização que praticamente divide o estado. E há gremistas imbecis também. São fanáticos que levam um jogo a sério demais &#8212; uma tentativa constante de provar que são, de alguma forma, melhores do que os outros.</p>
<p>Tenho sim desprezo pelo bairrismo. O daqui é especialmente triste: uma hipervalorização do local, uma ideia de que somos melhores do que o resto do país. O engraçado é como isso pode ser usado para controlar as pessoas. É, pois, uma <i>vulnerabilidade</i> no intelecto de boa parte dos gaúchos, que aceitam falácias fundamentadas (sic) no que não tem fundamento: a localização. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pRAMHY364Is">Esse comercial da Polar</a> é um exemplo evidente do uso do bairrismo na mídia para a publicidade. E deu certo.</p>
<p>Aliás, um mínimo de dignidade foi mantido durante a campanha de 2006, que elegeu a (paulista) Yeda Crusius para o governo do Estado. Não vi, nas propagandas, o argumento de que ela não era gaúcha. Mas creio que isso se deve mais às certas repercussões legais de fazê-lo do que à ética dos políticos. No entanto, foi um argumento que circulou sim pelas ruas, e ainda circula  agora que o governo não está satisfazendo a maior parte da população.</p>
<p>Sou um tanto globalista. Não aceito nem aquele argumento de que &#8220;somos todos brasileiros&#8221;. Um bairrismo brasileiro ainda é bairrista &#8212; apenas aumentou-se o tamanho do local que estamos superestimando. É preciso respeitar todas as culturas do mundo, inclusive todas que existem no Brasil, sem limitar-se a qualquer fronteira, seja ela política, geográfica ou cultural. Não se deve substituir um orgulho por outro. Idealmente, o bairrismo deve servir apenas como incentivo para se esforçar mais, para melhorar, e jamais para menosprezar a conquista alheia.</p>
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		<title>O jornalismo, os blogs, o Imprensa Marrom, a Veja e o Vírgula</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/11/jornalismo-blog-im-veja-virgula/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 06:29:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog, blogs]]></category>
		<category><![CDATA[falácias]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O tempo anda curto para escrever qualquer coisa aqui, mas tenho certeza absoluta uma esperança otimista dizendo que os leitores deste blog persistem incansáveis, olhando seus feeds e esperando por um texto novo. Pois bem. Gostaria comentar brevemente (dentro do &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/11/jornalismo-blog-im-veja-virgula/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tempo anda curto para escrever qualquer coisa aqui, mas tenho <del datetime="2008-11-20T04:45:28+00:00">certeza absoluta</del> uma esperança otimista dizendo que os leitores deste blog persistem incansáveis, olhando seus feeds e esperando por um texto novo.</p>
<p>Pois bem. Gostaria comentar brevemente (dentro do possível) sobre um post no blog do Imprensa Marrom. O autor, Gravatai Merengue, <a href="http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2008/11/18/virgula_x_veja_portal_ataca_a_revista_ac/">mostra o que ele parece considerar abusos de um blog do portal Vírgula</a> para descreditar uma crítica publicada pelo mesmo portal à revista Veja. A matéria do Vírgula questionou (não afirmou) que talvez a Veja teria exposto demais o caso do Fábio Assunção, ao estampá-lo na capa de revista sem nem mesmo ter conseguido falar com o próprio.</p>
<p>Nada a comentar sobre a qualidade do texto ou o blog do Imprensa Marrom de modo geral. Não acompanho, não poderia. Mas é até melhor para não partir para o erro das generalizações.</p>
<p>O que afirmo aqui é que os argumentos não se sustentam. Pelos comentários deixados na matéria é possível perceber que o &#8220;Te Dou um Dado?&#8221; (TDUD?), o blog que o Imprensa Marrom usa para fundamentar suas críticas, é uma produção independente do Vírgula, incorporada pelo portal após já existir durante um tempo, muito provavelmente na mesma forma de parceria utilizada por outros portais.</p>
<p>Eu não posso adivinhar os específicos das parcerias do Vírgula, que certamente são diferentes da experiência que tive, mas essa é uma informação que faz falta no post do Imprensa Marrom. Pois, dependendo da relação que ambos têm, o post iria por água abaixo.</p>
<p>Em poucos momentos é analisada a reportagem da revista e a crítica em si. Vê-se, basicamente, o seguinte:</p>
<ol>
<li>Vírgula critica Veja por abusar da história de Fábio Assunção</li>
<li>Crítica é desmerecida porque a matéria é supostamente boa</li>
<li>Mas o Vírgula tem um telhado de vidro por conta do TDUD? e portanto não poderia fazer a crítica</li>
</ol>
<p>Essa lógica é falaciosa, do tipo &#8220;teu passado te condena&#8221; ou &#8220;envenenamento de poço&#8221;. Por mais problemas que tivesse ou tem o Vírgula, não se pode tirar a conclusão de que o portal não poderia criticar ninguém porque tem conteúdo de nível ainda mais baixo sob seu domínio. A argumentação deveria, em todo instante, ter permanecido a respeito do que foi dito sobre a matéria e o que de fato a matéria contém.</p>
<p>Pior ainda seria se fosse confirmado que o TDUD? não faz parte, nem mantém contato com a mesma redação que fez a crítica original. Porque existe isso e essas redações, às vezes, não se falam. E se contradizem. E se repetem. E outras coisas mais. Essa é uma informação &#8212; a ligação entre o portal Virgulando e o blog TDUD? &#8212; que falta no Imprensa Marrom. É também uma informação que só poderia ser obtida se o Vírgula tivesse sido confrontado antes mesmo da publicação da matéria. Mas não vejo isso acontecendo em blogs; nunca as partes envolvidas são consultadas<sup class='footnote'><a href='#fn-404-1' id='fnref-404-1' onclick='return fdfootnote_show(404)'>1</a></sup>.</p>
<p>Os blogs têm direito a publicar algo sem consultar ninguém? Sem dúvida, creio que devem possuir esse direito &#8212; como eu agora publico isso aqui sem perguntar nada ao autor do Imprensa Marrom. Mas da mesma forma que os blogs exigem casca grossa dos jornalistas, também é preciso casca grossa para agüentar as críticas. O Gravatai <a href="http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2008/11/18/editores_do_virgula_vem_ao_blog_e_reiter/">não gostou</a> que os jornalistas foram lá para se defender:</p>
<blockquote><p>Editores de um portal NÃO PODEM VIR AQUI &#8211; e de início sem nem mesmo uma identificação adequada! – um pouco para &#8216;debater&#8217;, um pouco para &#8216;intimidar&#8217;, para no fim das contas cobrar de mim uma &#8216;coerência&#8217; que ELES não tiveram e não têm. Eu não vou lá cobrar nada deles. Eu cobro aqui, no MEU blog. Eu uso o MEU espaço para fazer a MINHA crítica. E minha caixa de comentários não pode ser invadida pelos EDITORES DO PORTAL que eu critico como um blogueiro livre.</p></blockquote>
<p>Bem nessa. Publicou algo no espaço próprio, sem consultar as partes envolvidas, o que teria evitado tudo isso. Onde ele queria que os editores fossem se defender? Caixa de comentários não é para caverna de ecos.</p>
<p>Há uma reclamação a respeito da identificação dos editores. Supondo que eles quisessem se esconder? Não faz diferença. O que é importa é o que é dito, não quem diz.</p>
<p>Tem uma parte ainda mais complicada:</p>
<blockquote><p>Não vale exigir de mim um pacifismo que não tiveram – haja vista que minhas críticas ao Vírgula não foram personalistas, mas dirigidas ao portal, às reportagens e tudo embasado em provas e demonstrado da melhor forma possível. Claudia e Camilo, ao contrário, vieram aqui e falaram DE MIM.</p></blockquote>
<p>Como, exatamente, um jornalista pode criticar um blog feito por um único blogueiro sem criticar o próprio blogueiro? Qualquer crítica ao <em>Ira Racional</em>, por exemplo, é uma crítica à mim, é impossível ser de outra forma, a não ser que eu esteja fingindo algo que não sou.</p>
<p>Matéria assinada não é necessariamente a posição do portal, mas da jornalista, que muito provavelmente nem está envolvida com o TDUD?, mesmo que o portal esteja. Que farão os editores senão defender sua repórter?</p>
<p>Não que a crítica dos editores tenha sido justa. Pelo contrário. Começar falando que o Gravatai tem &#8220;muito tempo&#8221; para fazer a pesquisa é mais um envenenamento de poço na busca de descreditar o que foi dito, sem de fato conseguir fazê-lo realmente.</p>
<p>Mas é importante enfatizar que não importa aqui o resto do portal. Importa sim a matéria específica e o que nela estava escrito. Porque o texto assinado, embora seja produção do portal, é também produção do sujeito que o escreveu. Distanciar-se do específico e do pessoal, buscando problemas na produção de outras pessoas, para um veículo que pode até possuir independência editorial, não é legal, não tem fundamentação boa. </p>
<p>Eu me coloco no lugar da repórter. Imagino se faço um texto para um determinado portal depois vejo-o atacado por conta de outros textos publicados no mesmo espaço, sendo forçado a ver minhas palavras fragilizadas pelo que não escrevi e pelo o que não posso controlar. Parece-me uma injustiça.</p>
<p style="text-align:center;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Sim, essa é uma questão que envolve o jornalismo. E sua interação consigo mesmo e com os blogs. Interessantes para se analisar. E triste para ver a que ponto a falta da vontade de ouvir o outro lado &#8212; dos blogs e seu achismo &#8212; e o medo de conversar com blogueiros &#8212; dos jornalistas e sua arrogância que não quer legitimá-los &#8212; leva a história.</p>
<p>E o parágrafo acima não trata de ninguém em específico. Esse, sim, é generalizado. Mas voltando ao específico, peço nesse texto que cada palavra seja analisada pelo que diz. Assim, minha crítica aqui não é destinada ao Imprensa Marrom ou sobre o Gravatai, mas especificamente sobre os textos linkados. Também não tenho interesse em defender o Vírgula: já fui <a href="http://www.linhadefensiva.org/2008/10/jovem-pan-fm-deixa-vazar-lista-com-21694-enderecos-de-e-mail/">silenciosamente ignorado</a> por eles.</p>
<p>É bem possível que o Gravatai esteja certo sobre um exagero do Vírgula. Ou mesmo que criticar a Veja seja sim uma posição do próprio portal (seu ponto central). Mas isso não quer dizer que exista a mesma verdade em todos os argumentos usados. É possível, como dizem, escrever certo sobre linhas tortas.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-404'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-404-1'>É verdade que os blogs têm dificuldade em conseguir essa conversa. Mas ninguém tenta. Se tivessem se negado a falar, não poderiam estar reclamando de nada agora. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-404-1'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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		<title>Previsão: O diploma de jornalismo cai</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/08/previsao-o-diploma-de-jornalismo-cai/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 20:14:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Previsões]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[legislação]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu devia ter escrito isso já no outro post, mas deixo aqui uma previsão: o STF vai decidir pelo fim manutenção da exigência do diploma. Posso estar errado, mas se não arriscar, não estarei certo também. Tenho alguns motivos para &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/08/previsao-o-diploma-de-jornalismo-cai/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu devia ter escrito isso já no outro post, mas deixo aqui uma previsão: o STF vai decidir pelo fim manutenção da exigência do diploma.</p>
<p>Posso estar errado, mas se não arriscar, não estarei certo também. Tenho alguns motivos para apostar nisso: muita gente no governo não gostou, por exemplo, que o CQC teve sua entrada liberada no Congresso. Sem o diploma, mais humorísticos terão liberdade para fazer o mesmo &#8212; incluindo repórteres do próprio CQC, como Danilo Gentili e Oscar Filho, que na verdade são comediantes. E se o CQC quer se chamar de jornalístico, uma vez mantida a exigência do diploma a posição destes rapazes no programa ficará complicada.</p>
<p>O STF tem adorado contrariar o governo ultimamente, basta ver os habeas corpus da Operação Satiagraha.</p>
<p>Caindo a exigência, a resposta será um intenso lobby, por parte da Fenaj e do próprio governo &#8212; a União e a Fenaj recorreram juntas da decisão inicial que em 2001 aboliu a exigência &#8212; para criar alguma outra lei ou emenda constitucional que a substitua. O STF, por sua vez, vai recomendar algo que solidifique a decisão tomada.</p>
<p>E aproveito a oportunidade pra dizer: sou contra a exigência do diploma. Os argumentos pelo lado a favor da exigência que ouço na universidade e outros lugares são, um mais do que o outro, baseados em <i>self-interest</i> e corporativismo. Resultado: fui jogado para o outro lado. Ouvi na universidade que eu <i>não posso</i> ter esta posição sendo estudante de jornalismo. Ora, ora! Estou estudando jornalismo porque quero <em>aprender a fazer um bom jornalismo</em>. O diploma é secundário, pois ele nem garante a qualidade do profissional. Estou ali pra estudar e aproveitar meu tempo.</p>
<p>Curso que distribui diploma em vez de formar jornalista merece acabar mesmo.</p>
<p>Seria mais <i>conveniente</i> para mim lutar pela obrigação da diploma, porque estou estudando jornalismo e com isso teria emprego mais facilmente. Mas o fato é que jornalismo é algo que pode ser aprendido de várias formas, inclusive autodidata, e se alguém aprende a fazer jornalismo melhor do que eu sem precisar ir para uma faculdade, parabéns para ele.</p>
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		<title>Debate com vozes ausentes</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Aug 2008 08:53:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://altieresrohr.com.br/?p=119</guid>
		<description><![CDATA[Debate &#8212; s.m. Discussão; contestação; disputa. Discussão &#8212; s.f. 1. Ação ou efeito de discutir. 2. Polêmica; controvérsia; debate. 3. Briga; desentendimento; troca de insultos. Fonte: Dicionário Luft Se existem debates orwellianos1, certamente estive em um nesta noite do dia &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/08/debate-com-vozes-ausentes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Debate &#8212; s.m. Discussão; contestação; disputa. </p>
<p>Discussão &#8212; s.f. 1. Ação ou efeito de discutir. 2. Polêmica; controvérsia; debate. 3. Briga; desentendimento; troca de insultos.</p>
<p><i>Fonte: Dicionário Luft</i></p></blockquote>
<p>Se existem debates orwellianos<sup class='footnote'><a href='#fn-119-1' id='fnref-119-1' onclick='return fdfootnote_show(119)'>1</a></sup>, certamente estive em um nesta noite do dia 12. Para minha classe de Redação Jornalística, fui obrigado a participar de um evento da universidade que tratou da atual polêmica acerca da manutenção ou não da exigência do diploma de jornalismo<sup class='footnote'><a href='#fn-119-2' id='fnref-119-2' onclick='return fdfootnote_show(119)'>2</a></sup>.</p>
<p>A universidade promoveu o evento <a href="http://www.portal3.com.br/_noticias/2008/08/03/not_12-08_01.htm">como um debate</a>. Para não ser injusto, o chapéu/cartola da matéria na página principal do Portal3 &#8212; que é o site mantido pelo pessoal do curso de Comunicação Social da universidade &#8212; é &#8220;Palestra&#8221; e o título &#8220;Jornalistas a favor do diploma&#8221; (provavelmente vão mudar hoje mais tarde). Mas no texto de chamada o encontro já recebe o nome de <i>debate</i>, como no título da matéria. </p>
<p>Foi um &#8220;debate&#8221; onde as vozes dissonantes estavam ausentes. Todos os quatro participantes do &#8220;debate&#8221; defendiam a mesma posição, portanto não houve &#8220;contestação&#8221;, nem &#8220;disputa&#8221;, nem &#8220;polêmica&#8221;, nem &#8220;controvérsia&#8221;, nem &#8220;desentendimento&#8221;.</p>
<p>Eu estava empolgado para ouvir o Celso Augusto Schröder, que é vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (e irmão do Carlos Henrique Schröder, diretor de telejornalismo da Globo &#8212; aquele cujo nome aparece no fim de todos os telejornais como &#8220;diretor responsável&#8221;), mas ele não esteve lá e nenhuma explicação foi dada sobre a infeliz ausência.</p>
<p>Não que ouvir um lado só seja intrinsecamente ruim. Certamente, a universidade e boa parte dos professores querem que o diploma continue. Mas o monólogo fica entendiante, como o auditório quase vazio evidenciou ao fim da palestra.</p>
<p>Às vezes, enfrentar o outro lado mostra quem está mais preparado, quem fundamentou melhor os argumentos. O próprio embate, se evidenciar o despreparo dos adversários, acaba sendo uma ótima propaganda para aquilo que se quer defender. De quebra, bons debates são emocionantes e, por apresentarem mais de um lado da história, jornalísticos.</p>
<p>Minha opinião sobre a manutenção do diploma? Não sei mesmo. O que sei é que o José Nunes, <a href="http://www.jornalistas-rs.org.br/quemsomos.htm">presidente do Sindicado dos Jornalistas do RS</a>, apenas disse que a Internet é uma questão &#8220;complicada&#8221; quando o questionei a respeito dos efeitos da manutenção do diploma na web. Se iniciativas como o <a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,8491,00.html">VC no G1</a> e Wikinews serão sepultadas com a exigência, sou contra. E para o pessoal da FENAJ, ter todo cidadão como jornalista é algo &#8220;<a href="http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=2210">francamente impossível</a>&#8220;, embora esta tenha sido a premissa do bem-sucedido <a href="http://english.ohmynews.com/">OhMyNews</a> desde sua concepção.</p>
<p>Se fôssemos procurar por um meio-termo nesta história, talvez manter a necessidade do diploma apenas para o rádio, para a TV e para a assessoria seria uma boa idéia, terminando a exigência para revistas, jornais e sites de internet. Regulamentar é interessante, mas seria mais interessante se fosse uma lei bem pensada e não um decreto-lei da ditadura originalmente concebido para censurar a imprensa. <sup class='footnote'><a href='#fn-119-3' id='fnref-119-3' onclick='return fdfootnote_show(119)'>3</a></sup>.</p>
<p>Independentemente da decisão do STF, não cancelarei meu curso.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-119'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-119-1'>Importo aqui o conhecido adjetivo inglês &#8220;orwellian&#8221;: relativo à George Orwell no seu livro 1984, onde eufemismos eram usados para embelezar a opressão e as péssimas condições de vida. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-119-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-119-2'>Que os sindicalistas costumam dizer que vai acabar com a profissão. Uma falácia de bola de neve, considerando-se que a regulamentação é anterior aos próprios cursos de jornalismo e somente a exigência do diploma está em questão <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-119-2'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-119-3'>Parece até que sou contra a exigência do diploma em vez de um indeciso. Mas o fato é que ouvi tanta conversa de um lado só que consigo apenas criticar este um lado&#8230; As críticas ao outro lado me parecem redundantes, considerando o quanto ele foi atacado. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-119-3'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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		<title>Se está na sua Internet, está na minha também</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 21:05:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é preciso ser vidente para prever a morte dos jornais. Esta já é uma previsão tão repetida que seu autor só pode ser o coletivo &#8212; é domínio público, sem direito a citação de fonte. Poucos levantam a mão &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/08/se-esta-na-sua-internet-esta-na-minha-tambem/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é preciso ser vidente para prever a morte dos jornais. Esta já é uma previsão tão repetida que seu autor só pode ser o coletivo &#8212; é domínio público, sem direito a citação de fonte. Poucos levantam a mão quando recebem a oportunidade de ser a voz dissonante. É como o fim do mundo: há de acontecer, e, mesmo que todas as previsões que marquem a data falhem, nunca deixará de ser verdade.</p>
<p>É evidente, no entanto, que é possível, hoje, ser um cidadão bem-informado sem o auxílio dos jornais. Isso prova que eles não são mais essenciais &#8212; são substituíveis e estão sendo substituídos. A morte plena e completa dos jornais talvez nunca venha a ocorrer, como é o caso do vinil, mas todas as grandes publicações irão usar algum método alternativo de distribuição do jornal que não seja o papel.</p>
<p>Em outras palavras, mesmo que o formato &#8220;jornal&#8221; não acabe, o papel está condenado. Talvez as revistas, por serem melhor material de arquivo, ainda sobrevivam. No livro <em>A Arte de Fazer um Jornal Diário</em>, o jornalista Ricardo Noblat diz que a sobrevivência dos jornais só será possível por meio de projetos gráficos mais inteligentes e da substituição de notícias velhas por reportagens especiais contendo acertos na hora de analisar o que ainda está por vir.</p>
<p>Efetivamente, entendo isso como uma ordem para que jornais tornem-se revistas. </p>
<p>Seja lá o que o futuro reserva para estes meios de comunicação, a Internet mudou o jornalismo duas vezes. Em primeira instância, deu ao jornalismo (e a qualquer outra comunicação) a propriedade de transmissão muitos-para-muitos, antes inexistente. Leitor e escritor confundem-se. O receptor de uma mensagem pode ser o emissor dela no momento seguinte. O <i>feedback</i> é instantâneo.</p>
<p>Em segunda instância, a internet mudou o jornalismo por servir como uma nova fonte de informação não-volátil. Isso não acontece desde a invenção da imprensa. Rádio e TV são mídias voláteis, quer dizer, não é possível captar mais tarde o que está sendo transmitido agora, a não ser que tudo esteja sendo capturado. </p>
<p>O serviço de &#8220;capturar&#8221;, exercido por jornalistas radioescutas, é valioso, porque organiza e filtra a informação que é transmitida pelas ondas eletromagnéticas. Se ninguém fizer isso, o público perde muito ao não ser informado a respeito do que foi transmitido em um canal (rádio ou TV) de baixa audiência ou a que poucos têm acesso (por restrição geográfica ou lingüística).</p>
<p>Por isso ninguém tem o direito de rir de um jornalista que ver uma notícia na TV Senado, por exemplo. Ele viu. Muita gente não viu. Se mais alguém precisa saber, é bom noticiar. E descrever em detalhes o que viu, porque obter o vídeo novamente não é fácil.</p>
<p>Por outro lado, qualquer jornalista que usar toda a sua matéria para descrever uma página de internet precisa rever seus conceitos.</p>
<p>Ora, em vez de descrever a página, coloque uma foto. Ou, melhor, me dê o link. Eu vejo por mim mesmo.<sup class='footnote'><a href='#fn-89-1' id='fnref-89-1' onclick='return fdfootnote_show(89)'>1</a></sup></p>
<p>Caso em questão: uma matéria do Los Angeles Times sobre o político norte-americano <a href="http://seantevis.com/">Sean Tevis</a>. Tevis quer ser deputado estadual pelos Democratas no Kansas, um domínio historicamente Republicano.</p>
<p>Tevis fez em seu site uma <a href="http://seantevis.com/kansas/3000/running-for-office-xkcd-style/">charge muito criativa</a>, no estilo geek do xkcd, para pedir doações. E conseguiu impressionantes 95 mil dólares, contra apenas 12 mil de seu adversário.</p>
<p>É claro que isso merece atenção dos jornais.</p>
<p>O LA Times então enviou uma repórter até o estado do Kansas para entrevistar Tevis e sua mãe &#8212; esta última por estar envolvida na campanha como responsável por gravar vídeos de agradecimento a quem doou mais de US$500. As entrevistas duraram horas, como <a href="http://seantevis.com/weblog/story/first-big-interview-the-los-angeles-times/">conta o próprio Tevis</a>. As entrevistas poderiam ser feitas por telefone ou e-mail, mas a repórter fez questão de ir até lá.</p>
<p>Ir até a notícia é digno de respeito.</p>
<p>O problema é que a <a href="http://www.latimes.com/news/nationworld/nation/la-na-candidate28-2008jul28,0,4489963.story">matéria do LA Times</a> possui quase nada destas longas entrevistas. Boa parte da matéria é uma descrição da charge criada pelo politico democrata, como se ninguém pudesse simplesmente clicar num link e vê-la por si mesmo. A foto de Tevis que ilustra a matéria é a mesma presente no site do candidato. </p>
<p>Para quem viu o site da campanha, a notícia, que se estende por duas páginas no site, é um amontoado de observações simples e obviedades. Para quem não viu, uma imagem e um link substituiriam boa parte do texto. Se a repórter tivesse feito a matéria usando apenas entrevistas por telefone ou até mesmo MSN, ninguém poderia notar a diferença.</p>
<p>A Internet é uma fonte de informação não-volátil e extremamente acessível, mais do que a própria imprensa. Se menciono um livro ou uma edição passada de um jornal, ter acesso ao texto que me refiro pode não ser nada trivial. Na Internet, a não ser que você viva na China ou em Cuba onde há censura do governo, todas as páginas estão igualmente acessíveis. Descrevê-las em detalhes é desnecessário.</p>
<p>Assim, resumindo, a matéria do LA Times erra em dois pontos. Primeiro ao descrever uma página de internet que qualquer um pode ver, como se fosse conteúdo exclusivo. E segundo por ter gasto dinheiro com uma viagem cujo texto não demonstra que aconteceu.</p>
<p>Aliás, o texto no blog de Sean Tevis sobre a visita da repórter é mais interessante do que a matéria do LA Times. Vale lembrar, Tevis é formado em jornalismo. Sendo geek, provavelmente compreende melhor que histórias sobre eventos e interações corpo a corpo valem mais do que uma cansativa descrição de uma página que qualquer interessado é capaz de ver.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-89'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-89-1'>Exceto quando isto não for possível. Um site malicioso contendo pop-ups pornô, por exemplo. Mesmo estes podem ser substituídos por vídeos, porém nem sempre é possível fazer um material de qualidade, por restrição de tempo ou equipamento. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-89-1'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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