Versos: O Herói Antítese

Estou perto do distante
Cometendo crimes dentro da lei;
É sempre gratificante
Falar do que não sei

Sou verbo sem ação
Um período sem oração;
Elogio puramente nocivo
E adjetivo sem substantivo

Ressuscito o que não morreu
Mas mato toda uma nação
Dirijo carro europeu
Sem andar na contramão

Um bárbaro romano
Com voz de tenor soprano
E ossos de cartilagem;
Sou um típico personagem
De filme americano

Versos: A Sala Quieta

E é nesta sala quieta
Onde o bem flerta
Com mal enraizado
No que não é malvado

Para que repensar o passado
	Se nada muda
E minha tentativa de me ajudar
	Só deixou claro
Que eu precisava de ajuda

Só o silêncio faz refletir
Mas como pode ser verdade
que quem vê cara não vê coração
Se é só ao olhar no espelho
Que eu posso me sentir

Mas não me vejo
Não me sinto
E meu único desejo
É sair deste recinto

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Os japoneses tem um senso de humor estranho, como, aliás, todo mundo parece ter — senso de humor é uma dessas coisas que nasce unicamente em cada cultura.

Assisti não faz muito tempo o filme Quiet room ni yôkoso ou “Bem-vindo à sala quieta”. O tom do filme é negro, mas tem surtos de comédia aqui e ali, no maior estilo black comedy, com direito a canções, acidentes sangrentos e desesperanças. É impressionante como conseguiram fazer um endereço de e-mail ser tão tragicômico. Sensacional.

Acabei descobrindo este filme graças à (curta) participação especial de Hideaki Anno, diretor do clássico — freqüentemente incompreendido e comercialmente abusado — Neon Genesis Evangelion.

Ainda está pendente minha introdução ao cinema sul-coreano, que me disseram faz muito tempo ser de ótima qualidade.

O texto acima, meu, foi obviamente baseado no filme e ilustra mais ou menos o que é, de fato, a “sala quieta” do hospital psiquiátrico no qual o filme se passa. Não se ver e não se sentir — a maneira mais eficaz para não ser atormentado por problemas ordinários. Quem não dispõe de uma sala quieta, usa álcool ou cannabis. Quem tiver mais dinheiro usa calmantes de marca.