Comecei a escrever “poesia” (uso o termo de forma bem descuidada aqui, por isso as aspas) entre os intervalos nas aulas do ensino médio. Na verdade, houveram alguns rascunhos antes, mas foram poucos e destas anciãs tentativas nada resta de lembrança.
Acho que só dois textos, dentre os quase 150, já foram parar na web até hoje — e não por minha mão. Porém, resolvi eu mesmo começar a publicar alguns. Por sugestão do Diogo, vou começar com o Necrofilia, que segue.
Antes que perguntem: eu não sou necrófilo nem apóio a prática.
Necrofilia
Te querer não me convém
Mas o que é que você tem
Que, se eu for sincero,
Admitirei que te quero?
Seria talvez o teu sorriso
Feito de dentes cor de granizo?
Ou os teus cabelos, tão pretos
E teus lábios, imóveis e perfeitos?
Não é possível que digas que não
E nem me assusta se não bate
O teu coração
Tão esmagadora é minha solidão
Que ficarei contente com o frio
Mesmo no verão