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	<title>Ira Racional &#187; educação</title>
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	<description>Emoção carregada de razão - por Altieres Rohr</description>
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		<title>Comunicação Popular</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 10:49:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Pareci Novo&#8221; é o nome da minha cidade. Normalmente falamos apenas &#8220;Pareci&#8221;. E o escrito abaixo se encontra em uma calçada: Pareci este povo trabalha tanto que não tem tempo de educar seus &#8220;filhos&#8221; que pena Até quando desobediência civil &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/07/comunicacao-popular/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Pareci Novo&#8221; é o nome da minha cidade. Normalmente falamos apenas &#8220;Pareci&#8221;. E o escrito abaixo se encontra em uma calçada:</p>
<hr />
<div id="attachment_612" class="wp-caption alignright" style="width: 540px"><a href="http://altieresrohr.com.br/wp-content/uploads/2009/07/dsc_4551.jpg"><img src="http://altieresrohr.com.br/wp-content/uploads/2009/07/dsc_4551-530x354.jpg" alt="Clique para ver tamanho completo" title="Mensagem na calçada" width="530" height="354" class="size-large wp-image-612" /></a><p class="wp-caption-text">Clique para ver tamanho completo</p></div>
<blockquote><p>Pareci<br />
este povo<br />
trabalha<br />
tanto<br />
que não tem<br />
tempo<br />
de educar<br />
seus<br />
&#8220;filhos&#8221;<br />
que pena</p></blockquote>
<hr />
<p>Até quando desobediência civil é válida para se ter voz?</p>
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		<title>O bairrismo gaúcho</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 19:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>

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		<description><![CDATA[É vergonhoso o que aconteceu com o repórter do CQC Felipe Andreoli. A saber: um bando de torcedores do Internacional desceu a porrada nele, no cinegrafista e no produtor enquanto eles faziam uma reportagem no Beira-Rio sobre a partida Corinthians &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/07/o-bairrismo-gaucho/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É vergonhoso o que aconteceu com o repórter do CQC Felipe Andreoli. A saber: um bando de torcedores do Internacional <a href="http://felipeandreoliblog.blog.uol.com.br/arch2009-06-28_2009-07-04.html#2009_07-02_16_49_29-132266277-0">desceu a porrada</a> nele, no cinegrafista e no produtor enquanto eles faziam uma reportagem no Beira-Rio sobre a partida Corinthians x Inter.</p>
<p>Se ainda fosse apenas um caso isolado de ódio, realizado por alguns bêbados, <i>quase</i> que se poderia aceitar. Mas não. Nos comentários do blog dele e em <a href="http://forum.jogos.uol.com.br/Ignorancia-e-Bairrismo--Felipe-Andreoli_t_305347?page=1">outros lugares</a> vê-se gaúchos sóbrios apoiando a atitude imbecil desses colorados. Se Andreoli estava ou não fazendo piada, isso não importa. É o trabalho dele.</p>
<p>Que fique claro que nada tenho contra os colorados. Não me envolvo com futebol, logo nem sou gremista; não faço parte dessa polarização que praticamente divide o estado. E há gremistas imbecis também. São fanáticos que levam um jogo a sério demais &#8212; uma tentativa constante de provar que são, de alguma forma, melhores do que os outros.</p>
<p>Tenho sim desprezo pelo bairrismo. O daqui é especialmente triste: uma hipervalorização do local, uma ideia de que somos melhores do que o resto do país. O engraçado é como isso pode ser usado para controlar as pessoas. É, pois, uma <i>vulnerabilidade</i> no intelecto de boa parte dos gaúchos, que aceitam falácias fundamentadas (sic) no que não tem fundamento: a localização. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pRAMHY364Is">Esse comercial da Polar</a> é um exemplo evidente do uso do bairrismo na mídia para a publicidade. E deu certo.</p>
<p>Aliás, um mínimo de dignidade foi mantido durante a campanha de 2006, que elegeu a (paulista) Yeda Crusius para o governo do Estado. Não vi, nas propagandas, o argumento de que ela não era gaúcha. Mas creio que isso se deve mais às certas repercussões legais de fazê-lo do que à ética dos políticos. No entanto, foi um argumento que circulou sim pelas ruas, e ainda circula  agora que o governo não está satisfazendo a maior parte da população.</p>
<p>Sou um tanto globalista. Não aceito nem aquele argumento de que &#8220;somos todos brasileiros&#8221;. Um bairrismo brasileiro ainda é bairrista &#8212; apenas aumentou-se o tamanho do local que estamos superestimando. É preciso respeitar todas as culturas do mundo, inclusive todas que existem no Brasil, sem limitar-se a qualquer fronteira, seja ela política, geográfica ou cultural. Não se deve substituir um orgulho por outro. Idealmente, o bairrismo deve servir apenas como incentivo para se esforçar mais, para melhorar, e jamais para menosprezar a conquista alheia.</p>
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		<title>A Folha me corrige sobre educação</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/09/a-folha-me-corrige-sobre-educacao/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 09:05:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[O Manual de Redação da Folha de S. Paulo, quer dizer. No final da primeira parte &#8211; Projeto Folha &#8211; do Manual de Redação da Folha de S. Paulo é possível encontrar a seguinte afirmação: Existe um consenso, por exemplo, &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/09/a-folha-me-corrige-sobre-educacao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Manual de Redação da Folha de S. Paulo, quer dizer.</p>
<p>No final da primeira parte &#8211; <em>Projeto Folha</em> &#8211; do Manual de Redação da Folha de S. Paulo é possível encontrar a seguinte afirmação:</p>
<blockquote><p>Existe um consenso, por exemplo, de que educação e saúde configuram o nó do desenvolvimento do país</p></blockquote>
<p>É certo, portanto, que o consenso a respeito da educação é anterior à campanha de Cristovam Buarque, já que a edição do manual é anterior às eleições de 2006. Mas o principal ponto meu não é muito diferente do  que a Folha faz em seu Projeto &#8212; o questionamento a respeito destas verdades que tomamos como evidentes por si.</p>
<p>Mesmo assim, ainda ouvimos, ou, pelo menos eu ouço, mais sobre educação do que sobre saúde. Existe sim algo que tem feito a educação ser mais discutida do que o resto, seja a campanha do senador pedetista ou outro fenômeno. Cobra-se muito do governo por melhorias na saúde, sim, porém ela não é apresentada como solução para todos os problemas sociais e econômicos do Brasil &#8212; como no caso da educação.</p>
<p>&#8220;Configurar o nó do desenvolvimento&#8221; pode não ser o mesmo que &#8220;ser considerado solução para tudo&#8221;. Talvez o primeiro tenha existido por mais tempo e só este último seja recente. Mas se há diferença, me parece muito tênue. Talvez o que aconteceu foi apenas que a idéia de &#8220;educação como solução&#8221; tenha sido popularizada pela campanha de Buarque e pelos veículos de comunicação em massa (TV, principalmente) nos últimos anos.</p>
<p>Não se trata, portanto, de uma idéia original, mas apenas a propagação de uma idéia antiga por repetição.</p>
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		<title>Educação é a solução. Ou não.</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/08/educacao-e-a-solucao-ou-nao/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 06:39:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando foi que &#8220;isso se resolve com educação&#8221; virou uma resposta quase universal para qualquer problema? Talvez eu seja apenas jovem demais para lembrar que tal discurso sempre esteve presente. Mas na minha observação das coisas, esta idéia tem ficado &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/08/educacao-e-a-solucao-ou-nao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando foi que &#8220;isso se resolve com educação&#8221; virou uma resposta quase universal para qualquer problema? </p>
<p>Talvez eu seja apenas jovem demais para lembrar que tal discurso sempre esteve presente. Mas na minha observação das coisas, esta idéia tem ficado muito mais presente nos últimos anos. Na TV, em conversas de bar, na sala de aula, nos fóruns (online ou não), nas notícias e até nos programas de auditório no domingo. É a mesma conversa.</p>
<p>O estranho é que, lendo fóruns estrangeiros como Slashdot, a educação é muito menos mencionada como  solução. O que poderia significar um fenômeno brasileiro.</p>
<p>Se minha observação está certa, só posso dar crédito ao senador <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristovam_Buarque">Cristovam Buarque</a>, provavelmente o homem mais inteligente que já tentou ser presidente desta nação. Nas eleições de 2006, Buarque apresentou uma solução para a maioria dos problemas brasileiros com base na educação.</p>
<p>Buarque disse, no último debate do primeiro turno, que tinha alcançado o objetivo que queria com sua campanha: colocar a educação no debate político. Se era isso mesmo, seu sucesso foi apenas parcial: considera-se a educação como solução, mas não se discute a educação si.</p>
<p>Não é possível adotar um discurso como o de Buarque sem o fazer em sua totalidade. O senador tinha planos para <i>mudar</i> a educação brasileira e não simplesmente <i>melhorá-la</i>. Não se estava falando em simples melhorias (PDE?), nem em reforma. Estava-se falando em demolir o que se tem e fazer algo do zero, começando pela federalização da educação básica, o que mudaria por completo a operação das escolas.</p>
<p><em>A educação só será solução se a transformarmos em solução.</em></p>
<p>O plano de Buarque não era simplesmente melhorar o acesso às escolas, ou construir prédios melhores. A idéia era <em>fazer da educação uma solução para o Brasil</em>.</p>
<p>A educação brasileira, como é hoje, não é uma solução. Pois nunca se diz, para si mesmo, que o problema é &#8220;falta de educação&#8221;.</p>
<p>&#8211; Você ( fuma | cheira | bebe ) demais, vai se matar assim&#8230;<br />
&#8211; Pois é, me faltou educação.</p>
<p>É assim que acontece? Não. Pelo contrário &#8212; as pessoas têm informação e ignoram.</p>
<p>&#8211; Você ( fuma | cheira | bebe ) demais, vai se matar assim&#8230;<br />
&#8211; Eu <em>sei</em>, mas parar é tão ruim. Prefiro continuar.</p>
<p><em>A educação não é uma solução que serve apenas para outros</em>. Se a educação é uma solução para o Brasil, ou para o mundo, ela é uma solução para todos. A educação não precisa ser apenas a divulgação de conhecimento e idéias ao cidadão comum (comunicação). Mas é o que a educação brasileira é hoje: ela informa, mas não cria consciência, não convence. E essa educação não é solução para nada.</p>
<p>Certamente não é solução para a violência. Nos Estados Unidos é preciso o equivalente a um mestrado no Brasil para praticar várias profissões, inclusive Direito. As escolas públicas são acessíveis para quase todos e as universidades públicas, apesar de pagas, são baratas na economia norte-americana. E nada disso impede que os Estados Unidos tenha mais de dois milhões de cidadãos habitando suas prisões e uma taxa de homicídio maior que a da Argentina<sup class='footnote'><a href='#fn-171-1' id='fnref-171-1' onclick='return fdfootnote_show(171)'>1</a></sup>.</p>
<p>Educação, portanto, não resolve automaticamente o problema da violência. </p>
<p>Na mesma linha, afirmo que educação não resolve nada <i>automaticamente</i>, mas pode, e precisa, ser uma ferramenta importante no combate à vários tipos de problemas. As brigas pelo ensino do criacionismo nas escolas e as altas taxas de AIDS nos EUA sugerem que existem problemas sérios na educação do país &#8212; e isto precisa ser analisado para determinar onde exatamente as coisas falham por lá, para então desenvolver um sistema educacional que não considere apenas o indivíduo maquínico-capitalista, mas também célula-social-pensante.</p>
<p>Que não se discuta, portanto, se a educação pode ser uma solução para um problema. Mas que seja pensado, sim, como fazer da educação uma solução, ou uma importante peça no quebra-cabeça de construção de soluções.</p>
<p>E se você quiser sugerir a solução pela educação, diga <i>como</i>, pois este é o verdadeiro desafio. Pensar &#8216;como&#8217; ajudar a criar bases mais sólidas para nossas próprias convicções, obtidas, muitas vezes, acidentalmente. Já dizia Einstein: simplifique tudo o quanto for possível, mas não mais do que isso<sup class='footnote'><a href='#fn-171-2' id='fnref-171-2' onclick='return fdfootnote_show(171)'>2</a></sup>.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-171'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-171-1'>Justiça seja feita, a taxa argentina é 5 vezes menor que a brasileira. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-171-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-171-2'>Tradução livre de &#8220;Make everything as simple as possible, but not simpler.&#8221;. Fonte: <a href="http://www.quotedb.com/quotes/1360">QDB</a> <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-171-2'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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		<title>Não existe educação apolítica</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/08/nao-existe-educacao-apolitica/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 20:06:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Olavo de Carvalho adora dizer que a educação brasileira é controlada pelos &#8220;vermelhos&#8221; e que os livros didáticos estão esquerdizando os alunos. Ele tem várias outras pérolas originais, como por exemplo a idéia de que as eleições na ditadura eram &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/08/nao-existe-educacao-apolitica/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olavo de Carvalho adora dizer que a educação brasileira é controlada pelos &#8220;vermelhos&#8221; e que os livros didáticos estão esquerdizando os alunos. Ele tem várias outras pérolas originais, como por exemplo a idéia de que as eleições na ditadura eram democráticas e que a educação pública tem se tornado <a href="http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5746&#038;language=pt">cada vez mais &#8220;pusilânima&#8221;</a>, o que força os cristãos a educarem os filhos em casa.</p>
<p>Se considerarmos o ponto de vista de pessoas assim &#8212; e muito cuidado ao ler os textos dele, pois são recheados com meias-verdades e falácias &#8211;, jamais conseguiremos ter uma educação apolítica. Por quê? Porque os fatos afetam visões políticas. Como já discuti em <a href="/2008/07/a-imparcialidade-e-a-verdade/">&#8220;A imparcialidade e a verdade&#8221;</a>, o que fazer se a realidade mostra que sua posição política favorita falhou miseravelmente?</p>
<p>Entra aí a distorção dos fatos e a idéia da parcialidade. O problema <i>não é minha visão política</i>, é <em>o livro didático que mente</em>. Obviamente, isto é tão errado quanto eu dizer que não houve ditadura na União Soviética. Mas nenhum livro didático que eu tive fez tal afirmação.</p>
<p>As pessoas tendem a acreditar ou explicar os fatos baseando-se naquilo em que crêem. É por isso que, o que para cristãos é intervenção divina, para os ateus é um fenômeno físico ou social que pode ou poderá ser explicado de forma racional<sup class='footnote'><a href='#fn-162-1' id='fnref-162-1' onclick='return fdfootnote_show(162)'>1</a></sup>. Assim, o &#8220;democrático&#8221; dos neoliberais é a &#8220;ditadura&#8221; para os historiadores.</p>
<p>É impossível ter uma educação factual e ao mesmo tempo apolítica na visão destes que insistem em criar suas próprias versões dos fatos.</p>
<p>É possível, no entanto, ter uma educação <i>política</i>. E que fique registrado meus parabéns ao PMDB pelo <a href="http://www.ead.fugpmdb.org.br">programa de EaD</a> que está educando mais de 32 000 candidatos a cargos políticos municipais em todo país.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-162'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-162-1'>Chuva, doenças e política/governo são alguns fenômenos atribuídos à intervenção divina e que hoje são explicados racionalmente. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-162-1'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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		<title>O elitismo racional</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/08/o-elitismo-racional/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 08:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[credibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não poderia ter publicado o texto anterior &#8212; que estava editado e pronto faz tempo &#8212; sem também escrever um pouco sobre elitismo racional, que é a crença de que &#8220;todo mundo está errado e só eu estou certo&#8221;. &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/08/o-elitismo-racional/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não poderia ter publicado o <a href="/2008/08/autoridades-a-omissao-da-critica-e-uma-licao-escolar/">texto anterior</a> &#8212; que estava editado e pronto faz tempo &#8212; sem também escrever um pouco sobre elitismo racional, que é a crença de que &#8220;todo mundo está errado e só eu estou certo&#8221;. </p>
<p>Esta é um questão bem relevante atualmente, especialmente quando temos dois candidatos bem diferentes para as eleições dos Estados Unidos e um deles, o Democrata Barack Obama, é freqüentemente atacado pela crítica Republicana como &#8220;inexperiente&#8221;.</p>
<p>Ora, diz McCain e seus aliados, Obama é, como todo adulto mais jovem &#8212; incluindo o candidato Republicano em seus primeiros anos: uma pessoa que ainda não compreende muito bem o mundo. E por isso pensa ter uma solução simples e elegante para tudo, ou &#8220;a mudança em que podemos acreditar&#8221; <sup class='footnote'><a href='#fn-138-1' id='fnref-138-1' onclick='return fdfootnote_show(138)'>1</a></sup>.</p>
<p>Há um pouco disto no atual título deste blog, mas a ira é o que tira a credibilidade deste racional. A inevitável emoção que acompanha todo o desejo (veja bem, desejo) de buscar respostas racionais. No fim, um cientista fica <i>feliz</i> por suas descobertas, e é o <em>prazer</em> que ele retira delas que o faz seguir adiante. Não existe estudo sem paixão. Não existe razão sem emoção.</p>
<p>Portanto, estou sujeito ao erro. E exponho minhas opiniões não porque penso ter a solução. Não porque quero me impor. Pelo contrário. Jamais poderei iniciar uma discussão sem antes dizer o que penso. E jamais poderei participar de uma discussão já existente sem fazer o mesmo. Freqüentemente, participo de discussões não para expor meu ponto de vista, mas pra me fazer de advogado do diabo simplesmente para extrair mais argumentos que defendam um ou outro ponto de vista. Não poupo nem meus aliados.</p>
<p>Independentemente de quanto eu me esforce, <i>sempre haverá alguém mais bem informado do que eu</i>. Alguém que leu mais estudos e textos sobre o assuntos. Ou então textos mais recentes. Ou, ainda, textos simplesmente <i>diferentes</i>. A informação que temos é tanta que é impossível acompanhar tudo. E mesmo que nossa educação fosse perfeita, tudo que ensinamos cada vez vale menos. Não se pode construir base sólidas para &#8220;opinião&#8221; alguma, porque uma nova prova ou fato irá tornar tais bases obsoletas na semana seguinte.</p>
<p>Nada mais é constante, senão a própria mudança.</p>
<p>Eu preferiria, sinceramente, o cartesianismo e o mecanicismo. Descobrir O Método e A Verdade. Mas infelizmente não é assim. Temos que nos contentar com o que podemos fazer, que é buscar as melhores verdades todos os dias. E, obviamente, não as encontraremos. Mas é melhor encontrar alguma coisa &#8212; tal como aquilo que escrevo neste blog &#8212; do que nada.</p>
<p>Toda informação pode despertar uma emoção que cria uma vontade inexplicável de se saber mais. Se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem &#8212; quem sabe na próxima?</p>
<p>Esta é a realidade com a qual os críticos viventes do &#8220;pós-modernismo&#8221; precisam conviver: apesar da discordância e do erro, ainda há um valor. Mas o que é e como pode ser medido este valor, para diferenciar a crítica boa da crítica ruim? Cada leitor irá julgá-la com base em suas experiências de vida &#8212; completamente subjetivas &#8211;, mas será este o único valor, o crivo das massa &#8212; a mesma massa que assiste a novela das 8, Big Brother<sup class='footnote'><a href='#fn-138-2' id='fnref-138-2' onclick='return fdfootnote_show(138)'>2</a></sup> e não sabe quem foi Descartes?</p>
<p>São perguntas abrangentes e nem me interessa a resposta, porque todos que se propuserem a responder, apesar de apresentarem respostas diferentes, estarão certos, pelo menos para si próprios. E quando todos estão certos, ninguém discute para aprender, mas apenas para lecionar. </p>
<p>Mas se as coisas são assim, como pode a escola estar ensinando algo a respeito das autoridades do saber? Se fosse assim, as pessoas não acreditariam em tudo?</p>
<p>Pelo contrário. O que temos aqui é a idéia de que &#8220;todas as opiniões são criadas iguais&#8221;. Pois o professor nunca teve, ou, pelo menos, <i>parece que nunca teve</i>, de justificar o que disse. Daí, uma aula de Física tem a mesma autoridade de uma aula de Religião. E uma opinião sem fundamento tem o mesmo valor de uma opinião bem-fundamentada.</p>
<p>Acredita-se, então, no que é conveniente.</p>
<p>É verdade que nossas bases não são sólidas, podendo desaparecer com a publicação de um novo estudo ou algum acontecimento inesperado. Mas a evolução incessante não deve ser justificativa para desistir de buscar fundamentos; pelo contrário, deve nos fazer entender que as coisas mudam e que precisamos acompanhá-las, e que estar errado por possuir informação de credibilidade desatualizada é mais nobre do que errar por não ter informação de credibilidade alguma.</p>
<p>Ou, pelo menos, é o que aquilo que sei até hoje <a href="/2008/08/na-esquina-ruas-desertas-sussurram-pt-ii/">me faz pensar</a>.</p>
<blockquote><p>&#8220;Some people see things that are and ask, Why? Some people dream of things that never were and ask, Why not? Some people have to go to work and don&#8217;t have time for all that&#8221;</p></blockquote>
<div style="text-align: right">&#8211;George Carlin</div>
<div class='footnotes' id='footnotes-138'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-138-1'>O lema da campanha de Obama: &#8220;Change we can believe in&#8221;. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-138-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-138-2'>O Danilo Gentili tem um post melhor sobre isso no antigo blog dele. Vale lembrar, programas são feitos para a massa por um motivo. Não digo nada aqui para denegrir a imagem da massa, mas sim para questionar se, realmente, todos estamos aptos a julgar tudo. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-138-2'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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		<title>Autoridades, a omissão da crítica e uma lição escolar</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 07:42:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[credibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Existe algo facilmente encontrado na sala de aula que dificilmente encontraremos no mundo exterior: uma autoridade do saber. O professor é visto como alguém que, se não sabe tudo, sabe muito, e é impensável questionar o conteúdo que está sendo &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/08/autoridades-a-omissao-da-critica-e-uma-licao-escolar/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe algo facilmente encontrado na sala de aula que dificilmente encontraremos no mundo exterior: uma autoridade do saber.</p>
<p>O professor é visto como alguém que, se não sabe tudo, sabe muito, e é impensável questionar o conteúdo que está sendo passado. Especialmente nos primeiros anos, quando pouquíssimas crianças têm qualquer conhecimento além daquele que a própria escola está transmitindo, é complicado demais que o alvo do ensino consiga analisar o que está aprendendo.</p>
<p>Do meu lado, posso dizer que perguntei muito. Não tinha capacidade para duvidar de um professor, porém perguntava o suficiente para deixar muitas pessoas em algumas situações ruins (pessoas me descreviam constantemente como &#8220;curioso&#8221;, embora na verdade quisessem dizer &#8220;chato&#8221;; amigas da minha mãe pediam explicitamente que eu não fosse junto dela, por perguntar demais<sup class='footnote'><a href='#fn-58-1' id='fnref-58-1' onclick='return fdfootnote_show(58)'>1</a></sup>). Mesmo assim, não creio que haja muito mérito no que disse minha professora na quarta-série: &#8220;Altieres, continue sempre com essa visão crítica.&#8221; Na verdade, eu não tinha tal visão, mas sim uma mente inquisitiva.</p>
<p>O crítico, no entanto, raramente se dissocia do inquisitivo, pois o crítico também precisa de algo que o inquiete, em qualquer nível e de qualquer jeito, para fazer sua crítica.</p>
<p>Porém nunca esqueci do que minha professora disse; se tivesse, não estaria escrevendo isso agora. Nos anos seguintes continuei tentando descobrir o que era, exatamente, ser <em>crítico</em>. Embora, de acordo com ela, eu já fosse um, queria saber exatamente o que era, de modo que eu nunca deixasse de ser. Se ela havia me dito para continuar sendo assim, certamente boa coisa devia ser (em nenhum momento questionei isso&#8230;).</p>
<p>Não sei se virei um crítico; continuo fascinado a respeito de como as coisas funcionam, portanto ainda sou curioso e inquisitivo. Hoje penso que o principal dote de um crítico, junto da sua capacidade de observar e se inquietar com as coisas mais banais, está em sua ousadia de <strong>pensar</strong>.</p>
<p>Pensar é um ato de ousadia, especialmente se o conhecimento possuído na área sobre a qual se vai pensar é limitado. Daí é preciso estudos. E estudos podem induzir a pensamentos já pensados (dizia Schopenhauer que ler é pensar com a cabeça dos outros). Mas o crítico não pode simplesmente pensar o já pensado, pois daí ele não será um crítico e sim um repetidor de idéias com as quais ele concorda, o que não o tornaria diferente de nenhum outro ser humano. </p>
<p>É nesse problema que entra o olhar crítico e a ousadia. Em vez de ler e ver tudo como regra, vê-se como uma possibilidade entre outras tantas. Depois, é preciso pensar e arcar com a possibilidade de possivelmente estar errado: bons argumentos racionais precisam ter meios de serem provados falsos, então pensar racionalmente abre brechas em suas idéias. É mais difícil do que a moda contemporânea de largar opiniões generalizadas e, por isso, evidentemente falsas, mas que mesmo assim caíram no senso comum (&#8220;todo político é corrupto&#8221;, &#8220;o mundo está perdido&#8221;) ou se tornaram (falsos) axiomas (&#8220;mulher no volante, perigo constante&#8221;, &#8220;urubu não anda com pomba&#8221;, etc).</p>
<p>A complicação disso tudo é a seguinte: fora da sala de aula não existe uma autoridade de saber. Para piorar, muitas coisas são passíveis de discordância. Não se pode admitir a existência de pontos de vista imutáveis e não-negociáveis. Não é preciso muito treino para conseguir isso: basta perguntar &#8220;por quê?&#8221;. </p>
<p>Um experimento: quando te disserem algo, mesmo que seja algo que já tenha caído no senso comum, pergunte por quê. Sendo a resposta obviamente superficial, pergunte por quê outra vez. E de novo. Logo você será o chato, simplesmente por ter exposto o fato de que o sujeito proferiu sua máxima infalível sem ter refletido em qualquer nível a respeito dela&#8230;<sup class='footnote'><a href='#fn-58-2' id='fnref-58-2' onclick='return fdfootnote_show(58)'>2</a></sup> </p>
<p>Afinal, por que não refletimos? Por que não perguntamos &#8220;por quê&#8221;?</p>
<p>Porque cremos em autoridades. Isto nos foi ensinado na escola, onde há uma autoridade na sala, detentora da verdade. Escute, <i>repeat please</i> e passe na prova. Esta é a lição escolar que mais é retida e, se este for o objetivo da escola, ele tem sido atingido com êxito.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-58'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-58-1'>Todo mundo tem a idade dos porquês, é verdade. Não posso julgar se a minha própria foi mais longa ou mais intensa, nem tenho conhecimento para isso. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-58-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-58-2'>Os mais observadores justificarão dizendo &#8220;é o que todo mundo diz&#8221;, o que uma falácia de apelo ao povo ou ad populum e, por isso, um argumento inadmissível. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-58-2'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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