Pensei que só mais um segundo
Deste interminável sono
Poderia me levar ao trono
De algum outro mundo
Finjo que não tenho muito
Que sempre me falta algo
Reclamo sem ar, aflito!
Mas não sou melhor que um ator
Dançando sobre o palco
Que é esta mesa de plástico;
Meu personagem é de escritor
Desenho letras à pulso fraco
Que até parecem carícias
Sobre páginas submissas
Que jamais recusam
O que lhes é dado…
Que tolice!
Como se eu não visse
Todos os dias
O Sol brilhar;
Como se não houvessem
As músicas e melodias..
Como se não soubesse
Que é neste deserto feito quarto
Onde eu vou acordar
Por mais–
Que estas fantasias
Tentem me deslocar…
Ainda assim, escrevo à vontade
Na esperança de que o escrito
Faça-me lembrar de cada mito
Que um dia a imaginação
Fez parecer realidade
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ignorar a razão
é como
dirigir na contramão
tudo fica bem
se ninguém
vem da outra direção