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	<title>Ira Racional</title>
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	<description>Emoção carregada de razão - por Altieres Rohr</description>
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		<title>Versos: A Derrota dos Invencíveis</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2013 17:30:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>

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		<description><![CDATA[Vejo versos velhos Sozinhos, sem som Pois perdi a poesia Agora abandonada Canções, cantigas Marcam meus medos Inúteis, fúteis Derivados do desejo Quem quis o quando Outrora odiava o onde E brincou por brincar Nutrindo nãos e nadas Há histórias &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2013/06/versos-a-derrota-dos-invenciveis/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Vejo versos velhos<br />
Sozinhos, sem som<br />
Pois perdi a poesia<br />
Agora abandonada</p>
<p>Canções, cantigas<br />
Marcam meus medos<br />
Inúteis, fúteis<br />
Derivados do desejo</p>
<p>Quem quis o quando<br />
Outrora odiava o onde<br />
E brincou por brincar<br />
Nutrindo nãos e nadas</p>
<p>Há histórias humanas<br />
Mais nobres que esta<br />
Paz de paixões planas<br />
Como sombras numa sesta</p>
<p>Desfiz-me de uns segredos<br />
Visando à vitória da verdade;<br />
Que escapa dos meus dedos<br />
Aufere amor, apaga alarde</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A ciência nunca vencerá a religião</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Feb 2013 21:10:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>

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		<description><![CDATA[Está rolando agora uma discussão &#8220;transmidiática&#8221; [?], que começou na TV e partiu para internet, entre o pastor Silas Malafaia e o geneticista Eli Vieira sobre questões de homossexualidade. O Pedro Burgos fez um excelente resumo da ópera, em um &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2013/02/a-ciencia-nunca-vencera-a-religiao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Está rolando agora uma discussão &#8220;transmidiática&#8221; [?], que começou na TV e partiu para internet, entre o pastor Silas Malafaia e o geneticista Eli Vieira sobre questões de homossexualidade. O Pedro Burgos fez um excelente resumo da ópera, em um texto com o título &#8220;<a title="Ler, comentar e compartilhar “Malafaia “perdeu” e a ciência ganhou? Não tão rápido”" href="http://www.oene.com.br/malafaia-perdeu-e-a-ciencia-ganhou-nao-tao-rapido/" rel="bookmark">Malafaia “perdeu” e a ciência ganhou? Não tão rápido</a>&#8220;. Ele está correto, mas o título parte de uma premissa falsa.</p>
<p>A ciência nunca vencerá a religião &#8212; nem rápido, nem devagar.</p>
<p>Lembro quando frequentava as missas católicas e em determinado momento o padre proclamava: &#8220;eis o mistério da fé&#8221;. O mistério da fé existe porque ela desafia a razão humana &#8212; é, na verdade, incompreensível. Filósofos e teólogos sempre debateram questões como &#8220;se Deus já sabe nosso futuro, então não temos livre arbítrio, porque já tomamos todas as escolhas&#8221;, ou &#8220;se Deus já sabe o que somos e o que faremos, ele não precisaria nos colocar aqui na Terra para nos testar&#8221;.</p>
<p>Ou ainda: se Deus criou o universo, quem criou Deus? Como Deus ao mesmo tempo é três?</p>
<p>Existem algumas &#8220;respostas&#8221; para questões como essas, mas no fim tudo depende da capacidade do crente de acreditar e aceitá-las.</p>
<p>A ciência lida com conhecimento, com uma quantidade finita de saberes que construímos por meio de métodos documentados &#8211; métodos que também estão sujeitos à discussão. A religião tira sua força do consenso. A ciência tira sua força do debate. A religião é preto e branco: isso pode, isso é pecado. A ciência mora nos tons de cinza.</p>
<p>Ambas têm utilidade, até porque uma crença não precisa ser verdadeira para ser útil ao ser humano. Vai, confessa: eu sei que você ficava feliz quando era criança e via o Papai Noel. Eu sei que muitos se emocionam vendo a novela ou um filme (que <em>sabemos</em> que é mentira). A verdade não é de total relevância quando se fala do ser humano.</p>
<p>Esqueçamos Malafaia e o cristianismo. Voltemos ao Egito antigo ou à Grécia, com todos aqueles mitos e deuses. Todas essas crenças serviram ao povo na época: elas passaram lições de vida, mantiveram a sociedade estável e, principalmente no caso do Egito, que via seu líder como divindade, serviram para consolidar o poder, o que (imagine só) pode ter contribuído para a sobrevivência e grandeza daquela civilização. Não importa se era mentira. Aliás, é um deus que dá à fé a força persuasiva que ela possui. Não seria fácil acreditar em mitos se eles fossem atribuídos aos humanos.</p>
<p>Quando se precisa de respostas perenes, unificadoras, a ciência não tem chance alguma contra a religião. Não é nesse campo que ela atua. Quando a ciência compete com a religião de igual pra igual, ela se faz de boba. Se faz de boba porque tenta vender uma ideia de consenso, uma ideia de que &#8220;a ciência diz que&#8221; do mesmo jeito que a &#8220;religião diz que&#8221;, quando a coisa é normalmente bem mais complicada que isso.</p>
<p>Quando a religião se faz valer da ciência, ela se faz de boba também. Se faz de boba porque troca seus dogmas incontestáveis por fatos discutíveis. Se faz de boba porque mostra pastores que não compreendem o método científico ou o significado do termo &#8220;teoria&#8221;.</p>
<p>Ora, a gravidade é uma teoria. E ela não diz só que você vai se espatifar quando cair de um prédio; ela prevê e explica a movimentação e atração dos planetas, os buracos negros. É coisa complicada, e fala de forças que criam &#8220;curvas no espaço&#8221;. Você não vai &#8220;observar&#8221; nada disso, mas pode ver o movimento dos planetas. Mas é uma &#8220;teoria&#8221;. E tem consequências <strong>muito</strong> reais, porque consequências reais são normalmente do que tratam as &#8220;teorias&#8221;.</p>
<p>A parte mais triste, ainda assim, é ver a questão da homossexualidade ser discutida de forma tangencial. Discutimos se o sujeito tem escolha a respeito. E daí que tenha? Qual o problema com a escolha? Eu, que sou hétero, não sinto que tenho escolha sobre isso. Talvez alguns &#8220;héteros&#8221; tenham. Talvez alguns &#8220;gays&#8221; tenham. E provavelmente muitos deles não tenham.</p>
<p>Nem ciência, nem religião. Um pouco de humanismo, bom senso e <em>amor ao próximo</em> nos servem melhor.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Versos: Depois de Quando é Tarde [+]</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Dec 2012 22:57:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>

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		<description><![CDATA[I Esperava a vez no banco Ao lado do cartaz de cancro cítrico Pode parecer um tanto atípico Mas essa vida eu ia levando Era só uma criança E pouco de tudo eu sabia Preso sem chance de fiança Ouvindo &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/12/versos-depois-de-quando-e-tarde/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>I</p>
<p>Esperava a vez no banco<br />
Ao lado do cartaz de cancro cítrico<br />
Pode parecer um tanto atípico<br />
Mas essa vida eu ia levando</p>
<p>Era só uma criança<br />
E pouco de tudo eu sabia<br />
Preso sem chance de fiança<br />
Ouvindo histórias da pradaria</p>
<p>Interior no interior do coração<br />
Nem a cidade pode desenraizar<br />
Já sabia, fiz de conta que não<br />
E parti pra testar o meu azar</p>
<p>Com mais um par de nós desfeito<br />
Nada fiz, nada conquistei<br />
Posso nem ter vivido direito<br />
Porque tal direito não é lei</p>
<p>No inverso do verso, jaz meu universo<br />
De sangue nos olhos, lágrimas nas veias<br />
Nu no inverno, na praia de terno<br />
Vendo só uma coleção de areias</p>
<p>Invejo as vidas que não tive<br />
E água escorre dos meus olhos<br />
Esperando que na rota em declive<br />
Ouça algum aplauso dos auditórios</p>
<p>Só cai a gota em silêncio<br />
Sobre a pedra do passado<br />
Criando uma marca escura</p>
<p>II</p>
<p>Mas quando anoitece<br />
O céu é ainda mais escuro</p>
<p>E quando a água dele desce<br />
Já não vejo as marcas<br />
Das pequenas lágrimas</p>
<p>E a humihação não se encerra<br />
Pois choverá sobre a terra<br />
Ainda que não possa chorar</p>
<p>Eu sou passageiro<br />
Vou passar até que ligeiro<br />
E mesmo que tivesse outras vidas<br />
Passaria também</p>
<p>Até minha insignificância<br />
é insignificante<br />
E só conforto traz<br />
a quem vira um cartaz<br />
de cancro cítrico<br />
sem alerta à infância<br />
para cuidar da semente<br />
em nosso íntimo.</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>30/07/2012 &#8211; 20/12/2012</strong></em></p>
<hr />
<pre>Tinta, papel, coração
Todos juntos aqui na mão
Pra ver se sai
Pra ver se sai
Um pouco do que jaz em mim
Daquilo que não deixo sair
Pra não perder</pre>
<p style="text-align: right;"><em><strong>15/09/2012 (em carta)</strong></em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A frieza das escadas</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Nov 2012 16:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas/Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Em qualquer prédio que se vá, quando há elevador, e desconsiderando-se a ação do ar condicionado, o elevador parece sempre mais quente que as escadas. É como se elas, as escadas, quisessem dar um presente àqueles que, nos piores dias &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/11/a-frieza-das-escadas/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em qualquer prédio que se vá, quando há elevador, e desconsiderando-se a ação do ar condicionado, o elevador parece sempre mais quente que as escadas. É como se elas, as escadas, quisessem dar um presente àqueles que, nos piores dias do verão, resolvem pisar sobre elas, degrau a degrau, no esforço para chegar ao destino.</p>
<p>O calor do elevador resulta em parte do calor humano – as pessoas todas que tentam ocupar o mesmo espaço para subir ou descer, estáticas, movendo apenas um dedo para pressionar o botão que as leva ao andar desejado. Plim!</p>
<p>Na verdade, muitos elevadores já nem fazem sons, embora alguns tentem fingir que sabem conversar. &#8220;Oitavo-andar&#8221;, ela diz. Ela, porque aparentemente elevadores normalmente são mulheres, apesar de eu ser obrigado, pelas normas da língua portuguesa, a usar o gênero masculino.</p>
<p>Mas, ao contrário da <em>Senhorita elevadora</em> – permita-me chama-la assim -, as pessoas que entram em elevadores mais do que se contentam com um &#8220;oi&#8221; seguido logo de um &#8220;tchau&#8221;, porque a viagem é curta e não se vai compartilhá-la muito tempo.</p>
<p>Quer dizer, pode ser o caso de que as pessoas ouvirão mais o elevador, digo, a senhorita elevadora, do que elas mesmas, exceto quando tiverem de reclamar do calor. Pela falta de ar condicionado. Embora nesses casos o elevador provavelmente também seja mudo.</p>
<p>Pessoas, em geral, parecem-se mais com escadas do que elevadores. Elas preferem ver esforço por parte daqueles que querem entrar na sua vida. Quem só quer meter o dedo e fingir que não precisa fazer mais nada não é bem-vindo. A esses, iguais àqueles que decidiram não usar o elevador porque estava lotado ou está com pressa, fica a frieza inesperada do corredor das escadas, hoje muitas vezes já batizadas de &#8220;saída de emergência&#8221;, como se elas fossem sempre uma segunda opção.</p>
<p>Pessoas, também, não gostam de ser a segunda opção. Mas pessoas também nem sempre se sentem obrigadas a oferecer um destino a quem se esforça para trilhar seus degraus, como as escadas sempre fazem.</p>
<p>Há nobreza em ser escada e em ser elevador. Mas elevadores precisam de mais manutenção.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Versos: Trevos &amp; Retornos</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2012/07/versos-trevos-retornos/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Jul 2012 19:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor flui de um ao próximo e vez ou outra faz o caminho de volta mas quem escolta esta tal de paixão nem sempre a aceita quando ela retorna um pouco diferente como se o tesão, quando ausente, também &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/07/versos-trevos-retornos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O amor flui<br />
de um ao próximo<br />
e vez ou outra<br />
faz o caminho<br />
de volta</p>
<p>mas quem escolta<br />
esta tal de paixão<br />
nem sempre a aceita<br />
quando ela retorna<br />
um pouco diferente</p>
<p>como se o tesão,<br />
quando ausente,<br />
também levasse<br />
o carinho,<br />
as memórias,<br />
e a saudade</p>
<p>coitado do amor,<br />
que de repente<br />
é pura maldade<br />
e menos nobre<br />
sem venda casada</p>
<p>estranho é quando<br />
um dia, do nada<br />
o tal &#8220;apaixonado&#8221;<br />
deixa de sentir;<br />
já o outro<br />
desapaixonado,<br />
jamais esquece</p>
<p>vou até dizer que<br />
amor é amizade<br />
mesmo quando<br />
a amizade é daltônica</p>
<p>então dê espaço<br />
deixe o amor passar<br />
e cumprimente-o<br />
quando ele voltar</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Versos: Se negar não faz desaparecer, cansei de brincar com alma orgulhosa</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jul 2012 18:48:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>

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		<description><![CDATA[Se te ver afaga a solidão Daí que meu olhar resiste De modo a fingir, em vão, Que ela não existe Aliás, nem posso te amar Porque de repente diminui A dor que dá mais sentido A outro amor que &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/07/versos-se-negar-nao-faz-desaparecer-cansei-de-brincar-com-alma-orgulhosa/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Se te ver afaga a solidão<br />
Daí que meu olhar resiste<br />
De modo a fingir, em vão,<br />
Que ela não existe</p>
<p>Aliás, nem posso te amar<br />
Porque de repente diminui<br />
A dor que dá mais sentido<br />
A outro amor que rui</p>
<p>É um jogo solitário<br />
No qual julgo o que sinto<br />
Em cujo resultado eu minto<br />
E acredito feito otário</p>
<p>É a armadilha do sentimento:<br />
Negar derrota não é vencer;<br />
Sentir dor não define valor;<br />
Usar consciência para agir<br />
Não é apagar o inconsciente.</p>
<p>E entre tanto sofrimento<br />
Desnecessário e potente<br />
Entre o aqui e o quase lá<br />
Fica o ser humano sem ouvir<br />
O coração que junto está</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Good morning, forever alone</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2012/06/good-morning-forever-alone/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jun 2012 05:11:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>

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		<description><![CDATA[Diogo Baptista: eu mandei um e-mail pra mim mesmo me dando bom dia Diogo Baptista: #foreveralone]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Diogo Baptista:</strong> eu mandei um e-mail pra mim mesmo me dando bom dia<br />
<strong>Diogo Baptista:</strong> #foreveralone</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A observadora</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2012/06/a-observadora/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jun 2012 07:48:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas/Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos procuram alguém que os ame, que deles cuide. Os mais egoístas, que nem percebem que o são, querem simplesmente alguém que lhes dê muito e exija pouco. Ou que os encha de elogios não merecidos para inflar seus egos &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/06/a-observadora/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos procuram alguém que os ame, que deles cuide. Os mais egoístas, que nem percebem que o são, querem simplesmente alguém que lhes dê muito e exija pouco. Ou que os encha de elogios não merecidos para inflar seus egos e ter aquela pontinha que faltava na autoestima.</p>
<p>Não preciso de nada disso. Imagine se eu preciso alguém para me elogiar me lembrar que tenho valor? Eu já sei mentir muito bem para mim mesmo. (E se você está se convencendo agora mesmo que não sabe mentir para si mesmo, então você é ainda melhor que eu nisso. Parabéns.)</p>
<p>Eu quero uma observadora. Uma testemunha. Justamente alguém que não me deixe mentir.</p>
<p>A importância disso é quase indescritível.</p>
<p>O olhar do outro faz toda a diferença. Há quem diga que só temos moral diante do outro. Um professor meu de filosofia dizia que a moral humana nasceu quando ficamos eretos e conseguimos ver um no olho do outro. A expressão alheia &#8211; de dor, de desgosto, de prazer. Ela nos guiou até a moral.</p>
<p>Nem é preciso pensar em termos complicados. Somos assim na prática &#8211; um par de olhos nos transforma.</p>
<p>Suponhamos que você fizesse aula de piano. Como você tocaria piano na frente de seu primo de quatro anos? Teriam suas notas o mesmo som e vigor que diante de Mozart? Como você discute saúde com um médico ou português na faculdade de Letras?</p>
<p>No japonês é preciso adaptar suas frases dependendo da pessoa com quem fala. Em alguns países, adolescente não pode dirigir um carro na presença de outro adolescente, porque, na tentativa de impressionar a audiência, vai fazer o que não devia. Errar.</p>
<p>Segue a lógica, daí, que a testemunha certa nos faz acertar. Nos guia puramente através da força da sua personalidade.</p>
<p>Nossas ações e palavras mudam conforme nossa audiência e nem percebemos. É preciso muita força de vontade para manter a constância e a coerência. Porém, nada ganhamos com isso. Ninguém nos parabeniza por coerência.</p>
<p>Exceto um bom observador.</p>
<p>E todo bom observador, que gosta do que vê, quer aquilo para si. E deseja pela sua preservação.</p>
<p>Nesse momento o observador deixa de meramente observar e parte para ação. Ele se envolve. Mas segue sendo o observador. O outro. Que poderá contar essa história. Validá-la.</p>
<p>Como alguém que não está meramente olhando uma peça de museu, aquele ou aquela que observa outro ser da raça humana precisa saber quando deve relaxar o olhar. E apenas sorrir.</p>
<p>Aí também relaxa o observado, contente como quem chega ao final de uma maratona depois de tantas dificuldades para impressionar aquele olhar afiado.</p>
<p>No dia seguinte, os dois, observadores observados, são melhores do que ontem, ambos protagonistas e testemunhas de uma história conjunta.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Versos: Assim Falou um Coração</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2012/05/versos-assim-falou-um-coracao/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 03:54:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrita em Verso]]></category>

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		<description><![CDATA[Queria saber quem foi que fez do amor uma queda de braço Uma guerra carente de sensatez travada com armas invisíveis que machucam mais que o aço: &#8211; Um arsenal composto de medos De amar mais, de amar menos Amar &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/05/versos-assim-falou-um-coracao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Queria saber quem foi que fez<br />
do amor uma queda de braço<br />
Uma guerra carente de sensatez<br />
travada com armas invisíveis<br />
que machucam mais que o aço:</p>
<p>&#8211; Um arsenal composto de medos<br />
De amar mais, de amar menos<br />
Amar demais, amar de menos,<br />
Amar diferente, de mentira<br />
e a mentira e seus enredos</p>
<p>Classificar o amor<br />
com rótulo e valor nutricional<br />
O que faz bem, o que faz mal<br />
Valor diário, caloria, calor<br />
Para não ter pouco e nem excesso</p>
<p>Quem pode e não se poderá ter<br />
Faz só o estranho ter caráter<br />
Quem está próximo até ama também<br />
Mas é sem graça e calmo demais<br />
E o amor quer aventura, meu bem</p>
<p>Que cheguem perto, porém não muito<br />
Querem tudo e não querem nada<br />
Nada deles nesse tal de Outro<br />
Como o investidor mais afoito<br />
Querem o outro sem dar de si &#8211;</p>
<p>Não ganharão nada desse jeito<br />
Fico aqui batendo nesse peito<br />
Tentando mostrar o que me aflige<br />
E o que vai virar fuligem<br />
Depois que o &#8220;amor ardente&#8221; queimar</p>
<p>Amor não queima, não congela<br />
Não evapora e não transforma<br />
Ele esteve contigo e com ela<br />
Nos minutos despretensiosos<br />
Que construíram o passado</p>
<p>Amor não quer amar<br />
e nem ama apenas um<br />
Ama por não ter escolha<br />
e deixa o ego espernear<br />
sem esforço algum</p>
<p>Amor só segue as regras<br />
criadas por quem é amado<br />
não é a regra social:<br />
nem a que jaz em pedras<br />
nem a que se é obrigado,</p>
<p>amor livre que se restringe<br />
por tanto amar com razão<br />
não em físico, mas em essência<br />
que ademais é consciência<br />
e toque só vira expressão</p>
<p>Amar com razão, amar quem fez<br />
do amor um carinho de ouvir<br />
caminhar e trilhar, ver dormir<br />
juntos sem motivo, sorrir<br />
pelo acaso que não os deixou separar</p>
<p>Amar quem lembrou que vai perder<br />
E quis pouco achando que era tudo<br />
que ao saber da tristeza<br />
quis compartilhar a felicidade<br />
em vez de fugir</p>
<p>amar quem sonhou ser a chuva<br />
por entender que às vezes<br />
é preciso deixar o Sol brilhar sozinho<br />
mas que é preciso ter a certeza<br />
de que vai voltar</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Palavras do senso comum, religião, felicidade e hackers e videogames contra Nietzsche</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 19:38:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu realmente não sou a pessoa mais gabaritada para falar de nada do que segue. Mas quem, hoje em dia, liga para gabaritos? Quando cronistas de jornal e editores de revista estão aí para falar de psicologia e fenômenos sociológicos, &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/05/palavras-do-senso-comum-religiao-felicidade-e-hackers-e-videogames-contra-nietzsche/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu realmente não sou a pessoa mais gabaritada para falar de nada do que segue. Mas quem, hoje em dia, liga para gabaritos? Quando cronistas de jornal e editores de revista estão aí para falar de psicologia e fenômenos sociológicos, para serem por isso considerados profundos pensadores ao citarem qualquer coisa (de grandes pensadores) fora de contexto &#8211; e serem elogiados por isso &#8211; que mal faz mais uma opinião desinformada?</p>
<p>É claro que faz mal. <span id="more-971"></span></p>
<p>Mas a questão principal nem é essa. Você nunca vai reconhecer uma opinião desinformada, se concordar com ela. Só é desinformada a visão com a qual você não concorda. Este modesto blog já postou a <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/12/citacao-do-ano/">excelente observação</a> do economista<sup class='footnote'><a href='#fn-971-1' id='fnref-971-1' onclick='return fdfootnote_show(971)'>1</a></sup> Robin Hanson de que acreditamos que a neutralidade é importante porque uma análise neutra vai favorecer aquilo que acreditamos.</p>
<p>Nosso cérebro nos sabota. Não é bem culpa nossa. Mas nem todo erro demanda um culpado (essa exigência é normalmente humana).</p>
<p>O que é visível nessas visões &#8220;profundas&#8221; que hoje circulam por aí não passa de um raciocínio raso e individualista que já caiu no senso comum. Para ajudar a construir essas ideias, um relacionamento de &#8220;união&#8221; vira relacionamento de &#8220;apagamento&#8221; (<strong>união</strong> é palavra boa, <strong>apagamento</strong> é palavra ruim. Entende o que digo?)</p>
<p>É curioso porque assim sempre é possível manter duas lógicas funcionando ao mesmo tempo. Basta que se use as palavras adequadas para cada ocasião, a gosto.</p>
<p>Trata-se de uma percepção de descontinuidade que permeia a vida contemporânea em todos os seus aspectos. No trabalho, na graduação escolhida na faculdade, nos relacionamentos amorosos ou com amigos. Tudo é passível de mudança, evidente, mas contemplar essa mudança e exaltá-la, como se ela fosse um mero <strong>acidente</strong> e não <strong>escolha</strong>, é <em>decisão</em> nossa.</p>
<p>Carreira há 100 anos era permanência e fidelidade &#8211; preferencialmente recompensadas. Hoje uma carreira é o aproveitamento de oportunidade e o cair fora quando a situação está ruim &#8211; da mesma forma que tudo que não presta é jogado fora em vez de ser consertado.</p>
<p>O &#8220;<strong>pratique o desapego</strong>&#8221; é um mantra dessa mentalidade, útil para todos os envolvidos, que não precisam jamais pensar no comprometimento.</p>
<p>Ora, é verdade que muitas coisas estão fora do controle humano. Mas nem tudo. Criar garantias, criar expectativas (de você e dos outros) é, no entanto um ataque à liberdade &#8212; porque significa &#8211; nessa interpretação torta &#8212; que seria preciso abandonar o individualismo</p>
<p>Não vou citar coisas complicadas como o niilismo, a destruição do senso comunidade (sucintamente compreendida em &#8220;hoje ninguém conhece os vizinhos&#8221;) e coisas do gênero. Está cheio de livros falando sobre isso e a análise deles é melhor do que a minha.</p>
<p>Boa parte dos pensamentos &#8211; em qualquer esfera &#8211; justificam essa mentalidade. Mas há uma exceção importante.</p>
<h2>Religião</h2>
<p>Já ouvi mais de uma vez que &#8220;religião&#8221; significa &#8220;religar&#8221;. Hoje, essa função de &#8220;religar&#8221; da religião é muito clara. Os impérios individuais que cada ser humano representa, exaltados pelo senso comum que vê nas relações interpessoais uma forma de violação dessa individualidade, não aguentam a tarefa de viverem isolados e obrigados a criar seu próprio grupo de regras e limites. Convenhamos: isso dá trabalho.</p>
<p>Estudos já mostraram que pessoas mais religiosas são <a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167268105000715">mais felizes</a>, tendem a ficar <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11770466">mais tempo casadas</a>, usar <a href="http://informahealthcare.com/doi/abs/10.3109/10826089609063979">menos drogas</a> (e outras coisas <a href="http://www.overcomingbias.com/2012/05/what-use-far-truth.html">citadas também por Robin Hanson</a>). Se outro ser humano não pode violar nossa individualidade, então, pelo menos, um deus pode.</p>
<p>(Perceba que &#8220;religião&#8221; não significa &#8220;cristianismo&#8221;, então esqueça de alguma retribuição do seu deus preferido nesse caso.)</p>
<p>Dá para aceitar isso bem, mesmo no pensamento atual. Em muitos casos, faz sentido &#8211; você acreditar ou não na evolução provavelmente não vai fazer muito diferença na sua vida, a não ser que você seja um biólogo.</p>
<p>Mas talvez o mais importante é que o simples fato de ter essas respostas traga paz e felicidade. No meio de tantas coisas efêmeras e que exaltam essa mudança e o desapego, as religiões são um pilar de <strong>constância</strong>. Daí sua força. Mas as pessoas, defendendo sua individualidade, evitam &#8220;se sacrificar&#8221; (olha que palavra &#8216;feia&#8217;) pelas outras, que reciprocamente fazem o mesmo.</p>
<h2>Felicidade</h2>
<p>Se uma pessoa que recebe as respostas prontas é mais feliz do que uma que precisa buscá-las por conta própria, a felicidade em si parece ser um produto mais fácil de adquirir em determinadas condições<sup class='footnote'><a href='#fn-971-2' id='fnref-971-2' onclick='return fdfootnote_show(971)'>2</a></sup>. Quais sejam: constância, incondicionalidade, aceitação.</p>
<p>Percebo muitos depositando a felicidade em algum evento específico: &#8220;serei feliz se&#8230;&#8221;; &#8220;serei feliz quando&#8230;&#8221;. Quando o que estiver descrito no lugar das reticências vier a ser, algo mais acontecerá e tudo vai se repetir. A felicidade é postergada infinitamente <sup class='footnote'><a href='#fn-971-3' id='fnref-971-3' onclick='return fdfootnote_show(971)'>3</a></sup>.</p>
<p>Não sendo a felicidade um estado incondicional, constante e aceito como tal &#8211; &#8220;aceito que tenho as condições de ser feliz&#8221; &#8211; parece-me que a felicidade torna-se refém de uma condição, hoje volátil, e, portanto, bastante frágil.</p>
<p>Há quem diga, que até 2020, a depressão vai ser a <a href="http://depressionhelpspot.com/depression_statistics.html">segunda doença mais comum do mundo</a><sup class='footnote'><a href='#fn-971-4' id='fnref-971-4' onclick='return fdfootnote_show(971)'>4</a></sup> e livros de autoajuda estão sempre em listas de <em>best-sellers</em>. O mundo precisa, urgentemente, de felicidade.</p>
<h2>Shion Uzuki vs. Nietzsche</h2>
<blockquote class="pull alignright"><p>Sobrou pra mim<br />
A felicidade sempre ofende<br />
Mas tristeza demais cansa</p>
<p>(Bem, que se fodam os ofendidos!)</p>
<p>Então respira mais<br />
Que eu respiro mais<br />
Ok, ok</p>
<p style="text-align: right;">&#8211; <strong>Violins</strong></p>
</blockquote>
<p>Essa enchente individualista foi muito bem prevista por <strong>Nietzsche</strong>. E ele também previu, corretamente, que a falta de constância, de valores, de papéis sociais &#8211; quer dizer, a falta de bases e a falta de sentido para a vida, criariam seres humanos frustrados.</p>
<p>Só quem poderia sair dessa condição seriam os <em>Übermensch</em> &#8211; os &#8220;super-humanos&#8221;. Estes entenderiam as consequências de suas ações e criariam os novos valores morais que dariam as bases para que eles próprios pudessem viver, mesmo sem nada exterior ou espiritual para justificar esses valores.</p>
<p>O <em>Übermensch</em> teria plena consciência da finitude de sua vida e veria no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eterno_retorno">Eterno Retorno</a> uma forma de justificar suas ações em vida. <em>Será que esta atitude que estou a realizar é correta se for repetida infinitamente em todas as minhas próximas vidas que são iguais a esta?</em> Não que existisse alguma próxima vida &#8212; isso é apenas um exercício de raciocínio para encontrar uma forma de analisar atitudes.</p>
<p>Dentro do Eterno Retorno, não existe problema para o individualismo. Um dia os seres humanos vão achar as soluções e novos valores morais. Não vai ser preciso a religião e nem nada além deste mundo para guiar a ética e a moral do homem.</p>
<p id="firstHeading">No final do jogo japonês &#8220;Xenosaga&#8221;, o fim do universo se aproxima. Mas ele já está salvo. Por quê? Porque foi criado um dispositivo que irá repetir o universo. O universo será criado novamente, e tudo vai acontecer da mesma forma &#8211; até ele novamente acabar, e ser recriado. É o Eterno Retorno, mas para o universo inteiro.</p>
<p>Os personagens não concordam com isso &#8211; e nem compreendem que isso é &#8220;salvar&#8221; o universo. Eles então impedem o universo de ser destruído e de se repetir, buscando &#8220;alguma outra alternativa&#8221;. Ao final, quando parte para essa busca<sup class='footnote'><a href='#fn-971-5' id='fnref-971-5' onclick='return fdfootnote_show(971)'>5</a></sup> , diz a protagonista <strong>Shion Uzuki</strong>:</p>
<blockquote><p>Viver a mesma vida, de novo e de novo, mas vivendo essas vidas sem nenhum arrependimento é o que realmente importa. Isso é provavelmente a <strong>visão ideal de um ser humano</strong>.</p>
<p>Porém, nós humanos não somos tão fortes. E sabemos que não podemos viver assim. Somos criaturas muito mais defeituosas, fracas e menores que isso. Ferimos os outros, mentimos para nós mesmos, odiamos, culpamos os outros, nos arrependemos.</p>
<p>Mas mesmo que sejamos fracos, e mesmo que seja o nosso destino seja desaparecer completamente, acho que a vontade de <strong>mudar o futuro</strong> ainda é importante.</p>
<p>Devemos tentar mudar as coisas ao nosso redor, aos poucos, mesmo que seja um passo de cada vez, e mesmo que tudo já esteja pré-determinado, não há por que ficar triste. Não, ao contrário. O futuro está transbordando de esperança. E temos <strong>infinitos caminhos</strong> para seguir.</p></blockquote>
<p>O que temos aí &#8211; com grifos meus &#8211; é a negação da &#8220;visão ideal de ser humano&#8221; &#8212; do <em>Übermensch. </em>Para a personagem, esse status de &#8220;super-humano&#8221; é inatingível. Ao contrário, o mais importante é ter &#8220;infinitos caminhos para seguir&#8221; e a vontade &#8220;mudar&#8221; &#8212; a palavra mais amiga do senso comum contemporâneo.</p>
<p>Até mesmo &#8220;desaparecer completamente&#8221; é preferível a ser responsabilizado pelas próprias ações eternamente (veja que o princípio de muitas religiões é o mesmo, nesse nível).</p>
<p>Shion também deixa claro que os seres humanos não são fortes o suficiente para vestir a liberdade com maestria. E, logo depois de admitir isso, o discurso é transformado numa defesa da liberdade&#8230;</p>
<p>Reparemos que ideias positivas em relação à subserviência são sempre atribuídas aos vilões em qualquer história &#8211; nem o Loki no <em>The Avengers</em> escapou de ser retratado assim &#8211;, embora isso faça parte da nossa vida diária (no trabalho, e nas relações básicas de &#8220;contrato social&#8221; que temos com as outras pessoas).</p>
<p>É a melhor representação da guerra constante do indivíduo, que quer liberdade e garantias para possuir segurança, porém não compreende que só haverá segurança e garantias quando os próprios indivíduos criarem a consciência de que precisam agir para dar essas garantias aos demais.</p>
<p>O <em>Anonymous</em> é uma grande realização desta geração de que algumas conquistas só são possíveis com a ação coletiva, uma união que leva ao inevitável &#8220;apagamento&#8221; do individualismo. Nem mesmo a ironia de usarem um símbolo popularizado por um filme de Hollywood os abala.  Não há <em>Übermensch</em>; analisar o Anonymous pelas credenciais dos indivíduos que o constitui não é nada impressionante. Mas o Anonymous, como grupo sem rosto, influencia e movimenta. E mais: promete que &#8220;não esquece&#8221;, quer dizer, promete constância.</p>
<p>Isso é novidade; porque falar que seres humanos precisam &#8220;do seu espaço&#8221;, do desmantelamento do papel social, e categorizar a vontade de ter seu próprio lugar &#8211; de pertencer &#8211; como infantis<sup class='footnote'><a href='#fn-971-6' id='fnref-971-6' onclick='return fdfootnote_show(971)'>6</a></sup> estão cansadas e só mais andam em círculos.</p>
<p>A mudança e o diferente já viraram clichê.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-971'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-971-1'>Economia é a ciência dos interesses, como já bem descreveu o <em>Freakonomics</em> - dinheiro é só uma representação do interesse <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-2'>Para seguir na lógica individualista e consumista, achei sarcasticamente adequado falar da felicidade como um produto <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-2'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-3'>Elaborei essa ideia na forma de conto em &#8220;<a href="http://altieresrohr.com.br/2009/08/quando-a-paz-buscou-um-alguem/">Quando a paz buscou um alguém</a>&#8221; <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-3'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-4'>Tenho minhas dúvidas sobre esse tipo de estatística, mas é difícil de entender como tanta gente em países mais desenvolvidos é tão infeliz <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-4'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-5'>Sim, ficamos sem saber se qualquer forma de prolongar a existência do universo foi encontrada <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-5'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-6'>Lembrando que, segundo algumas estatísticas, 20% das crianças em países desenvolvidos sofre de depressão <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-6'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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