Perguntaram no Twitter por que eu escolhi jornalismo. Não é uma pergunta que ouvi poucas vezes. Ouvi até de professores: “o que você está fazendo na faculdade de jornalismo?” No Twitter, respondi que não dava para responder em 140 caracteres, mas é mentira. Dá sim:
Se você pudesse continuar o que faz hoje, tendo apenas a garantia de pão na mesa, você faria isso até o fim da sua vida?
A decisão por jornalismo se deu graças à Linha Defensiva. Comecei o site quando ainda estava no segundo ano do ensino médio. No site, tive experiência direta com a publicação de notícias. Fiz, também, ferramentas de remoção de vírus, então tive uma mínima experiência também com programação e manutenção de PCs (observando e respondendo dúvidas no fórum).
É verdade que até esse ponto eu tinha estudado mais informática do que qualquer coisa. Os textos das primeiras notícias postadas eram como os textos de escola e não textos jornalísticos. No entanto, eu peguei gosto pela coisa. Descobri que poderia fazer uma cobertura legal e se fosse para a área compreendendo mais o assunto.
Fiz a mim mesmo então a pergunta destacada acima. Respondi um “sim” – descobri assim que gostava do que fazia, e que não precisava de nada mais. Sabia que a área do jornalismo ainda iria me reservar desafios – horários loucos, notícias que eu não gostaria de ter de fazer. Mas qualquer experiência, mesmo aquela inicialmente entediante, é válida para um generalista. É fato: o que faço de melhor é saber de tudo um pouco, ligar conceitos de áreas diferentes e aparentemente sem relação. Penso que isso é importante para um jornalista; eu posso estar errado, mas foi o que me fez acreditar que eu tinha algo para contribuir com a área.
Vale dizer que, em um teste vocacional que realizei, meu resultado deixou até o responsável pelo teste em dúvida. No fim, ele sugeriu Administração. Quando falei que gostava de informática, ele falou “ciências da computação, então”. Na época, eu disse que gostava de escrever – que queria escrever sobre tecnologia. Mesmo assim, ele jamais sugeriu jornalismo.
Creio que, se não tivesse feito jornalismo, deveria ter feito Arquivologia. Tenho uma ligação estranha com coisas antigas; sou um saudosista, um tanto neurótico com a duração das coisas e temo sentir saudade, por isso arquivo. Mas o jornalismo é um pouco disso também: quando escrevo, eu arquivo, registro. Foi essa linha de pensamento que me levou à fotografia.
Finalmente, tenho uma queda pela área de educação (fui professor de informática duas vezes). Vejo o trabalho jornalístico como uma maneira de auxiliar o dia a dia das pessoas, informando-as para que tomem decisões melhores e mais saudáveis, felizes. Gosto dessa parte didática e busco me esforçar para ensinar algo ao leitor.
Bem, esse tipo de post sempre soa como um egotrip. Mas eu pensei bastante antes de decidir pelo jornalismo e, até por isso, nunca pensei estar fazendo o curso ou o trabalho errado.

