Debate — s.m. Discussão; contestação; disputa.
Discussão — s.f. 1. Ação ou efeito de discutir. 2. Polêmica; controvérsia; debate. 3. Briga; desentendimento; troca de insultos.
Fonte: Dicionário Luft
Se existem debates orwellianos, certamente estive em um nesta noite do dia 12. Para minha classe de Redação Jornalística, fui obrigado a participar de um evento da universidade que tratou da atual polêmica acerca da manutenção ou não da exigência do diploma de jornalismo.
A universidade promoveu o evento como um debate. Para não ser injusto, o chapéu/cartola da matéria na página principal do Portal3 — que é o site mantido pelo pessoal do curso de Comunicação Social da universidade — é “Palestra” e o título “Jornalistas a favor do diploma” (provavelmente vão mudar hoje mais tarde). Mas no texto de chamada o encontro já recebe o nome de debate, como no título da matéria.
Foi um “debate” onde as vozes dissonantes estavam ausentes. Todos os quatro participantes do “debate” defendiam a mesma posição, portanto não houve “contestação”, nem “disputa”, nem “polêmica”, nem “controvérsia”, nem “desentendimento”.
Eu estava empolgado para ouvir o Celso Augusto Schröder, que é vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (e irmão do Carlos Henrique Schröder, diretor de telejornalismo da Globo — aquele cujo nome aparece no fim de todos os telejornais como “diretor responsável”), mas ele não esteve lá e nenhuma explicação foi dada sobre a infeliz ausência.
Não que ouvir um lado só seja intrinsecamente ruim. Certamente, a universidade e boa parte dos professores querem que o diploma continue. Mas o monólogo fica entendiante, como o auditório quase vazio evidenciou ao fim da palestra.
Às vezes, enfrentar o outro lado mostra quem está mais preparado, quem fundamentou melhor os argumentos. O próprio embate, se evidenciar o despreparo dos adversários, acaba sendo uma ótima propaganda para aquilo que se quer defender. De quebra, bons debates são emocionantes e, por apresentarem mais de um lado da história, jornalísticos.
Minha opinião sobre a manutenção do diploma? Não sei mesmo. O que sei é que o José Nunes, presidente do Sindicado dos Jornalistas do RS, apenas disse que a Internet é uma questão “complicada” quando o questionei a respeito dos efeitos da manutenção do diploma na web. Se iniciativas como o VC no G1 e Wikinews serão sepultadas com a exigência, sou contra. E para o pessoal da FENAJ, ter todo cidadão como jornalista é algo “francamente impossível“, embora esta tenha sido a premissa do bem-sucedido OhMyNews desde sua concepção.
Se fôssemos procurar por um meio-termo nesta história, talvez manter a necessidade do diploma apenas para o rádio, para a TV e para a assessoria seria uma boa idéia, terminando a exigência para revistas, jornais e sites de internet. Regulamentar é interessante, mas seria mais interessante se fosse uma lei bem pensada e não um decreto-lei da ditadura originalmente concebido para censurar a imprensa. .
Independentemente da decisão do STF, não cancelarei meu curso.