Pastor: o LHC é um símbolo do orgulho humano

Hoje pela manhã um pastor fez seu “comentário” no rádio — no maior estilo “colunista”, como se tivesse credibilidade para isso –1 descrevendo o LHC. Achei que o pastor talvez falaria algo de bom sobre o projeto, que é resultado da colaboração intensa entre vários países diferentes.

Mas não. Depois de apresentar os números e custos do projeto, disse que o LHC é um “símbolo do orgulho humano” porque busca “entender como o universo iniciou”. Desnecessário, é claro, já que todas as respostas estão na Bíblia: “leia a Bíblia”, disse, “lá tem tudo que você precisa saber a respeito de onde você veio e para onde vai”.

Penso ser muito irônico alguém fazer um comentário assim no rádio, um veículo de comunicação que só existe devido à ciência por ele criticada. Se pessoas só lessem a Bíblia, ele jamais estaria fazendo esse comentário no veículo em que fez.

“É Deus que ilumina os cientistas para que façam suas descobertas!”, gritam alguns. Discordo. Como Darwin teria sido “iluminado” para descobrir algo que contradiz a Bíblia? Ah, mas ele mente, dizem os religiosos. É muito estranho, então, que apenas descobertas com as quais eles concordem sejam aceitas. As outras, inconvenientes, são de origem demoníaca.

Se as pessoas só lessem a Bíblia, ainda acreditaríamos que o Sol gira em torno da Terra, como diversas passagens bíblicas afirmam.

A pior parte foi quando o pastor disse que estão “tentando provar que Deus não existe” e que “nunca conseguiram isso” e “jamais vão conseguir”. Dois erros: eles não estão tentando fazer isso e eles nunca tentaram. A terceira afirmação é correta porque nunca se prova um negativo. Prova-se um positivo, como a existência de evolução das espécies. As consequências disto têm implicações no que está escrito na Bíblia, mas isto não é considerado como “prova” pelos cristãos (sem contar que interpretações da Bíblia variam mais do que a temperatura em Curitiba).

A outra pérola a respeito do LHC veio de um cristão espírita em comentário no site do jornal Zero Hora sobre os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul. Foi o LHC que causou tudo, diz. Como sei que ele é espírita? Veja você mesmo.

Pessoal, por favor, deixem a humanidade seguir em frente. Obrigado.

  1. Se um jornalista dissesse isto, seria linchado. Porém, como aqui é um pastor que está dizendo, reclamar é “discriminação religiosa”. E viva ao Flying Spaghetti Monster.

LEGO só é coisa de criança se o Google não serve para trabalho universitário

  • Você gosta de LEGO, aquele “brinquedo” onde você mesmo tem que encaixar as peças para montar o produto final?
  • Você, como eu, tem peças de LEGO no quarto?
  • Você já viu fotos de gabinetes de computador feitas em LEGO, acha aquilo sensacional e provavelmente faria um se não houvessem os problemas de superaquecimento?
  • Quando diz que você gosta disso, as pessoas te acham criança e riem de você?

Sua resposta padrão:

“Sabe o Google, aquele site que você usa para achar tudo na Internet? O primeiro servidor deles tinha um gabinete de LEGO.”

Sim, eu já sabia isso muito antes do G1 publicar, mas agora é conhecimento comum, fica mais fácil de se defender quando disserem “não inventa”.

Debate com vozes ausentes

Debate — s.m. Discussão; contestação; disputa.

Discussão — s.f. 1. Ação ou efeito de discutir. 2. Polêmica; controvérsia; debate. 3. Briga; desentendimento; troca de insultos.

Fonte: Dicionário Luft

Se existem debates orwellianos1, certamente estive em um nesta noite do dia 12. Para minha classe de Redação Jornalística, fui obrigado a participar de um evento da universidade que tratou da atual polêmica acerca da manutenção ou não da exigência do diploma de jornalismo2.

A universidade promoveu o evento como um debate. Para não ser injusto, o chapéu/cartola da matéria na página principal do Portal3 — que é o site mantido pelo pessoal do curso de Comunicação Social da universidade — é “Palestra” e o título “Jornalistas a favor do diploma” (provavelmente vão mudar hoje mais tarde). Mas no texto de chamada o encontro já recebe o nome de debate, como no título da matéria.

Foi um “debate” onde as vozes dissonantes estavam ausentes. Todos os quatro participantes do “debate” defendiam a mesma posição, portanto não houve “contestação”, nem “disputa”, nem “polêmica”, nem “controvérsia”, nem “desentendimento”.

Eu estava empolgado para ouvir o Celso Augusto Schröder, que é vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (e irmão do Carlos Henrique Schröder, diretor de telejornalismo da Globo — aquele cujo nome aparece no fim de todos os telejornais como “diretor responsável”), mas ele não esteve lá e nenhuma explicação foi dada sobre a infeliz ausência.

Não que ouvir um lado só seja intrinsecamente ruim. Certamente, a universidade e boa parte dos professores querem que o diploma continue. Mas o monólogo fica entendiante, como o auditório quase vazio evidenciou ao fim da palestra.

Às vezes, enfrentar o outro lado mostra quem está mais preparado, quem fundamentou melhor os argumentos. O próprio embate, se evidenciar o despreparo dos adversários, acaba sendo uma ótima propaganda para aquilo que se quer defender. De quebra, bons debates são emocionantes e, por apresentarem mais de um lado da história, jornalísticos.

Minha opinião sobre a manutenção do diploma? Não sei mesmo. O que sei é que o José Nunes, presidente do Sindicado dos Jornalistas do RS, apenas disse que a Internet é uma questão “complicada” quando o questionei a respeito dos efeitos da manutenção do diploma na web. Se iniciativas como o VC no G1 e Wikinews serão sepultadas com a exigência, sou contra. E para o pessoal da FENAJ, ter todo cidadão como jornalista é algo “francamente impossível“, embora esta tenha sido a premissa do bem-sucedido OhMyNews desde sua concepção.

Se fôssemos procurar por um meio-termo nesta história, talvez manter a necessidade do diploma apenas para o rádio, para a TV e para a assessoria seria uma boa idéia, terminando a exigência para revistas, jornais e sites de internet. Regulamentar é interessante, mas seria mais interessante se fosse uma lei bem pensada e não um decreto-lei da ditadura originalmente concebido para censurar a imprensa. 3.

Independentemente da decisão do STF, não cancelarei meu curso.

  1. Importo aqui o conhecido adjetivo inglês “orwellian”: relativo à George Orwell no seu livro 1984, onde eufemismos eram usados para embelezar a opressão e as péssimas condições de vida.
  2. Que os sindicalistas costumam dizer que vai acabar com a profissão. Uma falácia de bola de neve, considerando-se que a regulamentação é anterior aos próprios cursos de jornalismo e somente a exigência do diploma está em questão
  3. Parece até que sou contra a exigência do diploma em vez de um indeciso. Mas o fato é que ouvi tanta conversa de um lado só que consigo apenas criticar este um lado… As críticas ao outro lado me parecem redundantes, considerando o quanto ele foi atacado.

Era uma vez a Violins

Os membros da Violins anunciaram, na comunidade do Orkut da banda, que o show marcado para o dia 21 será o último onde estarão juntos. Em outras palavras, Violins acabou.

O quinto e último disco da Violins foi o tema da primeira e até o momento única resenha musical deste blog.

Feliz de mim que pude escrever sobre eles antes de acabarem. Triste de mim que nunca viu um show. Mais triste, obviamente, que feliz. Porém os integrantes da banda ainda continuam tocando e fica no ar a espera para ver o que vai sair.