8 de março

É tanta gente postando “feliz dia da mulher” (ou uma das centenas de variações) no Facebook que eu quase sinto uma obrigação cívica de clicar em “curtir”, “compartilhar”.

Quase.

Seguindo aquela regra simples de não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam1, eu não posso parabenizar ninguém por ser mulher. Nem quero ser parabenizado por ser homem. A história está cheia de homens (e mulheres) que fizeram coisas terríveis. Eu ser homem não me impede de ser alguém terrível. Não quero me orgulhar disso, porque o orgulho cego e burro é o primeiro passo para ser, de fato, cego e burro.

E tem muitas mulheres e homens incríveis, também. Mas o que permitiu isso não foi, evidentemente, o gênero com o qual nasceram. Foi a vontade, o desejo, a capacidade de pensar e transformar o meio. Para ser como eles, é necessário atribuir essas grandiosas conquistas às atitudes que de fato as permitiram acontecer.

E isso nada tem a ver com os cromossomos.

Infelizmente, as mulheres tiveram menos oportunidades devido a uma sociedade que até hoje as vê como inferiores. Porque em um mundo onde dinheiro é o sinônimo de poder, as rendas inferiores das mulheres são, sem sombra de dúvida, a maior prova do preconceito idiota que permeia esta civilização “pós-moderna”.

A solução para esse problema veio atravessada: criar um dia que celebra as mulheres por serem mulheres. Não pelas conquistas que elas obtiveram como seres humanos – como os homens sempre foram julgados -, mas por serem mulheres. Como se as demais conquistas, reais e que demandaram esforço, fossem óbvias porque elas são esses seres grandiosos: mulheres.

E é esse “ser mulher”, definido, naquele elogio torto de que ela deve ser linda e demorar para se arrumar, ser necessariamente frágil e forte, chorona e sensível, é esse ser mulher que confina as mulheres no mesmo espaço restrito ao que elas sempre ocuparam no decorrer da história e do qual foi tão difícil escapar.

Volta-se a defini-las, a (de)limitá-las. A lhes dar um papel “de cuidar”, “de amar”, de “ser mãe” ou o que o valha — sua mensagem preferida no Facebook pode variar, mas tanto faz. Essa lógica de tentar unir e dar igualdade enquanto se divide e define diferenças, de dar liberdade enquanto se define o que se espera e como se deve ser, obrigando as pessoas a serem desse ou daquele jeito, é um tanto sem sentido, quase vil.

Não é válido julgar seres humanos pelo gênero ou aparência, nem pelo número do QI. Valem as dificuldades vencidas e a noção de justiça que permite saber que o respeito é ganho quando é merecido e conquistado, por atitudes e iniciativas, por transformações e por ideias – não por uma data marcada no calendário.

Para esses indivíduos, o desafio é fazer de todos os dias mais um dia que valeu a pena ter vida. Porque sabem que chega o amanhã, mais um dia qualquer quando já se acabaram os elogios gratuitos e a enaltação cívica obrigatória – nunca merecidas, e que só confundem na hora de saber do que realmente é preciso se orgulhar.

  1. Tem a versão Budista, que é “Não atormentes o próximo com o que te aflige.”

Comunicação Popular

“Pareci Novo” é o nome da minha cidade. Normalmente falamos apenas “Pareci”. E o escrito abaixo se encontra em uma calçada:


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Pareci
este povo
trabalha
tanto
que não tem
tempo
de educar
seus
“filhos”
que pena


Até quando desobediência civil é válida para se ter voz?

O bairrismo gaúcho

É vergonhoso o que aconteceu com o repórter do CQC Felipe Andreoli. A saber: um bando de torcedores do Internacional desceu a porrada nele, no cinegrafista e no produtor enquanto eles faziam uma reportagem no Beira-Rio sobre a partida Corinthians x Inter.

Se ainda fosse apenas um caso isolado de ódio, realizado por alguns bêbados, quase que se poderia aceitar. Mas não. Nos comentários do blog dele e em outros lugares vê-se gaúchos sóbrios apoiando a atitude imbecil desses colorados. Se Andreoli estava ou não fazendo piada, isso não importa. É o trabalho dele.

Que fique claro que nada tenho contra os colorados. Não me envolvo com futebol, logo nem sou gremista; não faço parte dessa polarização que praticamente divide o estado. E há gremistas imbecis também. São fanáticos que levam um jogo a sério demais — uma tentativa constante de provar que são, de alguma forma, melhores do que os outros.

Tenho sim desprezo pelo bairrismo. O daqui é especialmente triste: uma hipervalorização do local, uma ideia de que somos melhores do que o resto do país. O engraçado é como isso pode ser usado para controlar as pessoas. É, pois, uma vulnerabilidade no intelecto de boa parte dos gaúchos, que aceitam falácias fundamentadas (sic) no que não tem fundamento: a localização. Esse comercial da Polar é um exemplo evidente do uso do bairrismo na mídia para a publicidade. E deu certo.

Aliás, um mínimo de dignidade foi mantido durante a campanha de 2006, que elegeu a (paulista) Yeda Crusius para o governo do Estado. Não vi, nas propagandas, o argumento de que ela não era gaúcha. Mas creio que isso se deve mais às certas repercussões legais de fazê-lo do que à ética dos políticos. No entanto, foi um argumento que circulou sim pelas ruas, e ainda circula agora que o governo não está satisfazendo a maior parte da população.

Sou um tanto globalista. Não aceito nem aquele argumento de que “somos todos brasileiros”. Um bairrismo brasileiro ainda é bairrista — apenas aumentou-se o tamanho do local que estamos superestimando. É preciso respeitar todas as culturas do mundo, inclusive todas que existem no Brasil, sem limitar-se a qualquer fronteira, seja ela política, geográfica ou cultural. Não se deve substituir um orgulho por outro. Idealmente, o bairrismo deve servir apenas como incentivo para se esforçar mais, para melhorar, e jamais para menosprezar a conquista alheia.

Intrepid Ibex ou “como o dpkg do recovery mode salvou minha instalação do Ubuntu”

Altieres Rohr/IR1

Ubuntu recuperando-se de uma instalação frustrada por falta de luz

O PRIMEIRO COMPUTADOR meu a receber a atualização para o Ubuntu 8.10 “Intrepid Ibex” foi meu notebook. Logo de cara, encontrei um problema no desligamento: parava na hora de desativar o ALSA. Seguindo as dicas de um bug report, desativei minha placa de rede com fio, que não era utilizada:

sudo ifconfig eth0 down

Problema resolvido…

Pensei em atrasar um pouco a atualização no desktop, mas ver que o sistema estava sem maiores problemas e com um recurso novo muito interessante — as abas no Nautilus –, decidi instalá-lo mesmo assim.

Como tenho muitos aplicativos, o download foi de nada menos de 1,3GB. Comecei ontem madrugada. Deixei-o fazendo o download quando fui dormir.

Logo depois que acordei acabou a energia elétrica, sem me dar tempo para terminar a instalação.

Quando o fornecimento de energia foi restabelecido, o sistema não iniciava no boot normal. Merda, pensei. O pior passou pela minha cabeça, mas mantive a calma e rebootei, desta vez selecionando o “recovery mode” no Grub. Aí tive que esperar vários minutos até que o fsck terminasse de verificar meu segundo disco de 500GB. Nas opções – “resume”, “dpkg” – selecionei “resume”, mas o sistema acusou um erro no X e não continuou.

Outra vez um reboot, outra vez recovery mode. Desta vez selecionei o “dpkg”, que restaura pacotes cuja instalação não foi terminada. O sistema começou a configurar e instalar dezenas de pacotes — muito mais do que eu poderia contar, pelo menos. E outra vez foi-se a energia elétrica.

Quando voltou, selecionei a mesma opção e o sistema continuou de onde parou. Começou a fazer uns downloads finais e estava confiante que meu sistema voltaria a salvo do limbo informático.

Felizmente foi bem isso que aconteceu e, quando executei o APT com GUI, via atualizações, ele terminou de corrigir alguns problemas. Reativei o driver restrito da NVIDIA e tudo ficou nos conformes.

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E AGORA TUDO está muito bem, felizmente. Mas não deixou de ser um pouco conturbado e eliminar algumas horas úteis do meu dia. Fica a dica para outras pessoas que tiverem a atualização interrompida por quaisquer motivos: use o dpkg no recovery mode.

  1. Eu respeito fotógrafos e coloco crédito nas fotos, sim.

“A no-break breaks”: um funeral

“No-break”: “sem quebrar”, “sem parar”. Pois bem. O meu parou há algumas horas, quando do nada um estouro é seguido de um click indicando que ele mudou para bataria, sem detectar mais a rede elétrica que estava, no momento do problema, em perfeitas condições.

Deve ser a quarta vez (terceira, no mínimo) que meu no-break de 1200VA da Ragtech pendura as chuteiras. Nas outras vezes, comprei chuteiras novas. Mas não mais, porque não faz nem cinco meses que tive o mesmo problema. Que se aposente de vez, desgraçado.

Como a voltagem aqui é 220V, preciso de um estabilizador para fazer a transformação para 110V. Tinha um parado, também da Ragtech, que agora estou usando. Por azar ou não, o fusível deste estabilizador queimou certa vez. Sorte que tinha um extra… no meu estabilizador da SMS. O compartilhamento para fusível backup no Ragtech estava vazio.

Tive ainda outro estabilizador da Ragtech, Um Side preto de 300VA. Com este, o PC reiniciava toda vez que a chave do ar-condicionado era ligada.

De qualquer forma, anuncio aqui o funeral do meu no-break, a ser substituído futuramente por um APC.

Ragtech Save 2 nº de série 080206121885 (2006-2008)

Mulher traída ganha indenização da amante do ex-marido

Título faz você pensar “mas que lixo que é o nosso sistema jurídico”, não?

Só que verdade sobre o caso não é tão simples:

Um telefonema, porém, mudou a vida da professora. Ela descobriu que estava sendo traída e a notícia chegou pela própria amante. Fátima entrou em depressão, e, desorientada, ficou sem o emprego.

(…)

Na sentença, o juiz condenou a amante a pagar indenização de 75 salários mínimos, ou seja R$ 31.125,00. Ele justificou a decisão com base nas ameaças que a amante teria feito contra a professora e no sofrimento pelo qual Fátima havia passado.

Uma coisa é você ser amante, outra é fazer telefonemas ameaçadores. A questão do casamento foi um agravante (e provavelmente foi daí que veio o valor da multa).

Ao telefonar, a amante provou — conforme a o juiz deve ter entendido — que sabia o telefone do casal; que sabia que o homem era casado; e que estava disposta a infernizar a vida da mulher para (possivelmente) forçar a separação. E conseguiu.

O advogado, ao pé da matéria, é citado falando em um “precedente” para o simples fato de alguém ser amante, mas não acho que seja o caso. Certamente algum advogado vai tentar isso, mas o mínimo que a defesa pode fazer é argumentar a respeito dos específicos desse caso, que é onde o verdadeiro problema mora. O adultério é um crime de quem o comete, mas infernizar a vida da pessoa traída — além da própria traição — é algo separado.

Na minha opinião, foi uma decisão certeira.

fravia+: Si sta / come d’autunno / sugli alberi le foglie

O magnífico fravia+ foi diagnosticado com dois tumores e está atualmente em tratamento, conforme revela o próprio. fravia+ diz não saber quanto tempo tem de vida, mas percebe que o “destino acredita ser mais forte do que ele”.

Fjalar Ravia — seu nome verdadeiro — é conhecido pela comunidade de engenharia reversa de software por ter criado um material-referência no hoje extinto fravia.org, embora mirrors do site ainda existam por aí. Ravia tem contribuído com descobertas e dicas na área de pesquisas web, buscando as melhores maneiras de encontrar qualquer coisa que já tenha sido colocada na rede. Completou 56 anos recentemente, no dia 30 de agosto.

É também um militante contra propaganda e protecionismo de software. Desde que se encontrou com Stallman em 2000, também tem adotado software livre (embora prefira o navegador Opera).

É um herói desconhecido, criador de um canto da web — searchlores.org — que provavelmente jamais será considerado pelo o que realmente vale. Mas o destino luta contra todos e sempre vence, como o outono sobre as folhas.

Postar em blog é compulsão, se for durante a lua-de-mel

Da Folha Online:

Atualização de blog em lua-de-mel indica compulsão, dizem especialistas

A vontade incontrolável de postar em diários virtuais em vez de viver no mundo real é vista por especialistas como um vício ou, no mínimo, compulsão pela internet. Ambos surpreenderam internautas na última semana ao atualizarem seus blogs em plena lua-de-mel.

O caso de Lucas foi o que mais repercutiu na internet: algumas horas após seu casamento com a cantora Sandy, o músico já havia postado suas impressões sobre a festa e prometia divulgar mais informações no decorrer do fim de semana.

Como alguém outro já disse (desculpe-me por ter esquecido da fonte): ler livros o dia todo é intelectual, ler na internet o dia todo é vício. Tudo que é feito na Internet parece ser vício. E se em vez de “atualizar blog” fosse “escrever diário”? Qual o problema?

Os especialistas adoram criticar as novas maneiras que as pessoas encontram para lidar com suas frustrações. Afinal, assim continuam com seu emprego. Filósofos passaram suas vidas escrevendo suas frustrações; artistas, pintando e atuando; poetas, versificando. E quem estava lá para dizer que eram doentes? Muito provavelmente, o eram. Mas encontraram uma saída diferente das demais pessoas, que também lidam com suas frustrações — muitas vezes por meio da religião. promiscuidade e outros meios.

Lide com o fato: postar textos na internet sobre assuntos e acontecimentos interessantes e ter retorno com isso pode ser mais legal do que você pensa. E isso não é errado.

Ao brasileiro, seu dinheiro

“Melhorias” e “Conclusão”, é?

Realmente:

E Miguel Arraes era um político nordestino cujo partido nem possui representação no município. Faz-me questionar os motivo$ por trás da escolha desse nome.

Mais uma pergunta: como existem 2000 famílias em um município de 3200 habitantes?