O conforto da indefinição da culpa

Existe um texto chamado A forma da notícia em que Muniz Sodré afirma que incertezas são desconsertantes. Ele diz que o jornalismo evita notícias “negativas”. Mas o exemplo dado não é o que se espera: Sodré diz que é preferível dizer que o cigarro faz mal à saúde do que afirmar que não sabe se quais são seus efeitos. Logo, a negatividade está na incerteza, no desconhecido, na indefinição.

Porém existem casos em que a indefinição serve como atenuador ou analgésico: os que envolvem a distribuição da culpa. Quando se procuram suspeitos ou responsáveis por qualquer coisa, nada parece mais razoável, correto e diplomático do que dizer: “todos tiveram sua parcela de culpa, não vamos apontar o dedo para ninguém em específico”.

A atual crise financeira exemplifica isso muito bem, especialmente o joguinho de “não fui eu, foi você” que rolou nos EUA. Enquanto os conservadores culpavam os progressistas, estes apontavam o dedo na direção oposta. Não demorou até que os especialistas, razoáveis e diplomáticos, dissessem que tanto Democratas quanto Republicanos eram culpados pela situação, provocada por erros de várias administrações.

E isso agradou a todos.

Se alguém teve coragem de dizer quem foi o mais culpado entre os culpados, eu não vi. Qualquer um que tentasse isso acabaria na mesma situação dos extremistas que procuravam um único culpado. Voltaria à mesa o debate passional e, quem sabe, acusações de que “tudo é relativo” e que não dá para determinar quem foi mais ou menos culpado. Apelos à burrice, se qualquer coisa.

Quando o acusador deixa aberto o tamanho da culpa, ele deixa todos felizes porque cada um pode interpretar os fatos à sua maneira. O Republicano vai jurar que os Republicanos tiveram uma parcela de culpa menor do que os Democratas. E vice-versa. Todos lêem um texto diferente, indefinido, vago. E assim ninguém tem objeções.

No Brasil, fato semelhante ocorreu com o caos aéreo. Houve quem culpou o governo. Houve quem culpou as companhias aéreas. Entre uma coisa e outra, a culpa foi distribuída e, no fim das contas, ninguém pagou a dívida. Pessoas ainda não foram indenizadas, o assunto saiu dos meios de comunicação e não tardará a sair da memória da maioria da população, se não voltar a ocorrer. Muito provavelmente alguns dos incompetentes executivos e políticos responsável pelo caos continuam com seus cargos bem-pagos.

Essa posição indefinida e ambígua é tão diplomática e popular que Obama e McCain — mas principalmente este último — tentaram distanciar-se dos partidos e “trabalhar junto” para achar as soluções. Aparentemente os dois esqueceram que a divisão entre os partidos existe justamente porque discordam a respeito de como as soluções devem tomar forma.

Aos defensores do relativismo, só digo que, se tudo é relativo, o próprio relativo é absoluto. Logo, ainda estamos trabalhando com absolutos: o próprio relativo, cujo oposto é a verdade. Isso pode até ser diplomático, mas facilmente esconde as causas do problema e, muito provavelmente, o caminho para a solução.

A reciprocidade do desprezo

Acabei de instalar o OpenSuse 11. E agora, como sempre após a instalação de um Linux, é aquele momento de longa espera até que os downloads e as instalações de todos os softwares terminem. Pelo menos boa parte das minhas configurações ele importou, então é um estresse a menos.

Aproveito este tempo de total improdutividade para escrever um post que já está há algum tempo em minha cabeça. Pode parecer óbvio o assunto, já pelo título, mas gostaria de elaborar um pouco.

O desprezo é um sentimento como qualquer outro. Admiração, raiva, nojo. Mas o interessante é a tendência que ele tem de ser recíproco. Se no amor a reciprocidade é desejada e nem sempre aparece, no desprezo ela rouba a cena mesmo sem ser notada.

O cidadão que despreza outro por ele ser promíscuo demais, por exemplo, é geralmente desprezado pelo outro por ser estúpido, antiquado ou, como dizemos aqui, “quadrado”. Ou, ainda, “grosso”.

Fato semelhante ocorre com os nerds e outros párias da sociedade, que às vezes desprezam as outras pessoas por serem fúteis. Ao mesmo tempo, eles são desprezados por estas pessoas por serem estranhos, pouco sociáveis ou mesmo desprovidos de destreza manual ou de conhecimento do senso comum. Com isso, cada um permanece no seu canto, indiferente à opinião alheia (por desprezá-la).

Sendo assim, não é rídicula a hipótese de que o desprezo é, acima de tudo, um mecanismo de defesa contra ataques ao nosso modo de vida. Sem condições lógicas, coerência ou consistência para atacar uma certa atitude ou ponto de vista, resta-nos apenas o desprezo.

Não proponho a limitação ou opressão do desprezo, pois seria auto-censura e mais pareceria um dogma cristão. Mas não descarto a necessidade de uma reflexão: por que (eu) desprezo (o Outro)? Tenho motivos racionais para desprezar? É realmente impossível viver dessa forma ou ter essa opinião que desprezo?

Sucesso no Brasil não é feio. Pelo contrário.

Há quem diga que o sucesso no Brasil é feio. Que não é bem visto. Que ser famoso não é bonito. Etc.

Tenho que discordar. Aos meus olhos, a verdade é bem o contrário. O ser famoso, no Brasil, é lindo. E exagerado – especialmente nos peitos e na bunda, ou talvez na magreza, se for mulher. Tem um rostinho amável de se ver. A voz não importa muito: pode ter sotaque de interior, com péssima dicção e pensamentos tão desorganizados que seriam melhor entendidos no SAP e mais bem aproveitados no Mute. Mas repito: isso não importa. O ser famoso é lindo.

E todo mundo quer ver o sucesso. Nas revistas, nos jornais, na TV. Na Playboy, se for possível, também. Mas ninguém quer ver o famoso num teste de conhecimentos gerais sério. Mas não é porque não fazem questão de saber que a pessoa é inteligente ou não, mas porque todos já sabem o resultado. E não tem graça ser informado a respeito do que já se sabe. Quando tem algo assim, chamam de Concurso de Inteligência. Mas o nome ideal seria diferente: a avalanche do fútil.

Mas nada disso retira crédito do fato: o sucesso é (e está) no lindo, não no feio. O sucesso quer ser visto, não escondido.

Então não compreendo esta história que contam sobre a feiúra do sucesso e da fama no Brasil. É claro que muitos são invejosos, mas o fato é que a grande maioria das pessoas possui a inveja quero-ser-como-ele(a), não a “inveja (sic) desprezadora”, aquela que tenta repensar os valores da sociedade.

O outro fato é que o ditado de “sucesso é feio” serviu como uma luva para as pseudocelebridades que, incapazes de lidar com crítica e de reconhecer que sua fama pode estar imersa na futilidade, precisam de um ditado superficialmente profundo para justificar sua própria superficialidade.

O que mostra mais uma vez a falta de reflexão. Porque o barco só encalha em mares rasos.

O que é um nerd?

Uma colega me fez essa pergunta na faculdade e admito agora: me pegou de surpresa. (Foi quando comentei sobre a nerdpedia e o xkcd.) Resolvi blogar para responder a pergunta.

Poderia recorrer a algum estereótipo conhecido. Seria mais fácil, mas também impreciso e pouco interessante.

Nerds não compõem uma subcultura ou tribo comum

Existe o mainstream — o “comportamento normal”: aquilo que a maioria das pessoa gosta e entende. Um nível aceitável de dedicação, esperteza, inteligência e conhecimento do “senso comum” faz parte do mainstream também.

À margem do mainstream existem as subculturas ou tribos urbanas. Os punks, os emos, os góticos, o hip-hop/rap1, entre outros. Estes possuem características simples e constantes que identificam seus pares, seja na música, na vestimenta, nas atitudes.

São todas – em geral – fases da adolescência. Contardo Callligaris explica, em A Adolescência, a função integradora destes grupos e como suas características próprias permitem que os adolescentes sintam-se “parte” de alguma coisa, criando regras próprias para substituir aquelas que regem o mundo adulto (do qual o adolescente é, devido à “moratória” da adolescência, excluído). Diz Calligaris:

Recusado como par pela comunidade dos adultos, indignado pela moratória que lhe é imposta e acuado pela indefinição dos requisitos para terminá-la (a famosa e enigmática maturidade), o adolescente se afasta dos adultos e cria, inventa e integra microssociedades que vão desde grupos de amigos até o grupo de estilo, até a gangue.

“Nerdismo” não é uma fase da adolescência, mas está à margem daquilo que é o padrão, possuindo outros valores, códigos, piadas e um “senso incomum” próprio. Basta ler os comentários recorrentes do Slashdot: All Your Base Are Belong To Us, Welcome our… Overlords e tinfoil hats. É um código próprio, entendido por aqueles que fazem parte da comunidade, mas pouco sentido para os de fora.

E mesmo assim não é uma fase da adolescência, porque o Slashdot tem leitores de todas as idades. Programadores graduados, doutores em Física, mestres, professores e jovens estudantes também. Embora, como diz bem a Wikipédia, as atividades realizadas por nerds são “inapropriadas para a idade”, ou, traduzindo, infantis (videogame, anime, coleções de bonecos, etc).

Resumindo, nerds não constituem uma tribo urbana comum, mas não deixam de compartilhar certas características entre si. Entre os interesses compartilhados por esta “tribo” encontram-se coisas consideradas idiotas, inúteis e infantis por membros de outras subculturas ou do mainstream.

Nerd vs. CDF

Embora os CDFs daqui teriam sido chamados de nerd nos Estados Unidos, eles não são a mesma coisa. Neste caso a “Nerdpedia” em Português tem uma explicação decente:

Existe uma diferença entre nerds e “CDF”s: enquanto no primeiro grupo encaixam-se os naturalmente interessados em algum assunto cultural ( jogos, livros, filmes …), podendo não ir bem na escola; o segundo costuma referir-se a jovens em idade ginasial que nem sempre têm a escola como ponto central de suas vidas, mas despendem um bom tempo aos estudos, resultando em algumas características como obtenção de notas altas, questionamento sobre veracidade da informação passada, mas ainda podem manter-se comunicativos e sociáveis.

Eu dificilmente estudava para provas. Estava ocupado demais jogando videogame (desde os quatro anos de idade) e montando LEGOs. Porém adorava discutir qualquer assunto que fosse com os professores, muitas vezes assuntos que não cairiam no conteúdo.

Alguns nunca entendiam por qual motivo eu fazia os exercícios em aula, mas esta resposta é fácil também: para não ter que fazer em casa e deixar de jogar Killer Instinct ou assistir O Mundo de Beakman.

Para todas as provas do ensino médio, meu estudo se resumiu a uma olhada no caderno 15 minutos antes. Se fui bem, não foi por causa de estudo fora da escola.

Nerd vs. Geek

Ismael Alberto Schonhorst falou disso, e outras coisas, numa entrevista em 2004. Pelo menos eu acho que esta seja a fonte original — é um texto muito citado. De qualquer forma, ele diz:

Nem todo nerd é um geek… mas todo geek é um nerd, sem sombra de dúvida!

A Wikipedia/PT corrobora com esta afirmação e inclusive considera “geek” um “subgrupo” de nerd. A Wikipedia em inglês não concorda tão fácil, explicando a pluralidade e indefinição que rodeia o termo.

Uma das definições é a mesma que nerd, exceto sem a carga pejorativa, por ser um termo mais recente (nerd adquiriu essa carga aproximadamente em 1970).

A definição dada por Schonhorst, no entanto, não é a mesma que se iguala a nerd.

Pedindo socorro ao Jargon File

Para assuntos deste gênero, a fonte oficial de consulta é geralmente o jargon file, mantido pelo ilustre Eric S. Raymond.

O Jargon FIle informa que o significado da palavra nerd é praticamente o mesmo de geek, mas define “geek” de forma bem clara — e bem diferente de Schonhorst, que restringiu o geek à tecnologia — qual seja:

A person who has chosen concentration rather than conformity; one who pursues skill (especially technical skill) and imagination, not mainstream social acceptance. […] Most geeks are adept with computers and treat hacker as a term of respect, but not all are hackers themselves.

De fato, diz o jargon, todos os nerds são geeks e vice-versa (ao contrário de algumas definições, que afirmam que geeks são “nerds sociais”):

One description accurately if a little breathlessly enumerates [as geeks] “gamers, ravers, science fiction fans, punks, perverts, programmers, nerds, subgenii, and trekkies. These are people who did not go to their high school proms, and many would be offended by the suggestion that they should have even wanted to.”

Existe, porém, uma grande diferença no uso da palavra “nerd”. De acordo com o Jargon File, “nerd” é usado com a consciência a respeito do significado pejorativo — aquele significado que coloca o nerd como um idiota (por se interessar por coisas idiotas). Em outras palavras, isto significa que o uso do termo nerd, por quem se orgulha de ser geek/nerd, é uma defesa da atitude dos geeks e dos interesses por eles compartilhados, afirmando ainda a irrelevância do fato destes não serem sociáveis ou conhecedores do senso comum mainstream vigente.

Pelo menos desde 1993 o termo geek é reconhecido como aplicável para várias especialidades, longe de ser restrito à tecnologia, conforme mostra o geek code. Seria um retrocesso dizer que o termo aplica-se somente a micreiros, embora isto aconteça porque são interessados por informática os que mais se identificam com esta cultura.

E então?

Conclui-se assim que:

  • Definir nerd é problemático. Originalmente, no MIT, tinha um significado bem específico, mas depois se ramificou, adquiriu uma carga pejorativa e transformou-se em geek2
  • Nerds são geeks. Geeks são nerds. Um geek/nerd é um indivíduo interessado em desenvolver habilidades e é apaixonado por alguns assuntos específicos. Estes podem ser a literatura (mais comumente ficção científica), cinema, música, cultura oriental (otaku), quadrinhos, RPG, videogame e outros. São geralmente adeptos com computadores, mas não precisam ser técnicos ou engenheiros elétricos, embora dificilmente não tenham pelo menos um vago interesse pelo tema, além do fato de que “nerd” teve origem no MIT. A característica que liga todos esses indivíduos é um código de cultura comum e indiferença a normais sociais, o que geralmente faz o geek/nerd parecer idiota
  • Geeks atualmente usam o termo “nerd” para se descrever (ver: slogan do Slashdot) porque “geek” tem uma ligação muito forte com PCs e tecnologia, que é incorreta (vide Jargon File). Vale notar que o êxodo original de “nerd” para “geek” se deu por conta da conotação pejorativa3. Textos como o “Nerds Mandam Bem“, de Lia Portocarrero Amancio, poderiam ter “nerd” substituído por “geek” sem problema algum, desde que essas definições não tivessem ficado tão complicadas
  • A escrita deste texto, resultado de um simples questionamento, é por si uma resposta para a pergunta “O que é ser nerd?”

Em outras palavras, para os apressados e fãs de síntese: Geek e nerd são a mesma coisa: um ser indiferente à aprovação alheia, fascinado pelo conhecimento e pela produção humana, seja nas máquinas ou na cultura. Atualmente, nerd é apenas usado por aqueles que têm orgulho de serem assim e negam a malícia deste comportamento, enquanto geeks preferem este termo por ser menos polêmico.

Assim sendo, fico com a definição de nerd.

Agora me dêem um minuto porque estou atrasado para começar a assistir o Spirited Away. Quem não tem nada urgente para fazer pode ler o Why Nerds Are Unpopular, de Paul Graham, que não é apenas sobre nerds, mas também sobre o sistema de educação e a adolescência.

  1. Não lembro qual é a música e qual define a subcultura. Deixo isto para os leitores mais nerds pesquisarem.
  2. Diferentemente do que aconteceu com os hackers, que, em vez de mudarem a própria titulação, criaram outra (cracker) para definir aqueles que se encaixavam na definição maliciosa. Logo, os nerds nunca concordaram com o mainstream que os julgou incapazes. É possível dizer, porém, que alguns de fato consideram nerds perdedores e, neste caso, “geek” seria o refúgio.
  3. O “Geek Code” já faz uso do segundo significado dado a “nerd” pelo Jargon File na parte de Unix.

E assim impera a pirataria e a comunicação virtual

Estive na cidade — porque aqui onde moro é um esconderijo — na quarta-feira. Tudo feito, nada para fazer, apenas esperando minha mãe voltar até que pudéssemos voltar para casa. Meu pai foi comprar um CD de música e eu aproveitei para ir junto. Afinal, onde moro não tem nenhum lugar para comprar CDs de música. Todos os últimos que comprei foram pela internet.

Chegando na loja, peço o CD novo do Los Vatos. “São gaúchos”, pensei, “certamente vão ter”. Mas o rapaz sacode a cabeça.

–Não, não temos.

Ok. Eles nem me dizem que podem conseguir, ou perguntam se eu quero encomendar. Mas eu não desisto:

–O que vocês têm de som independente?
–Não temos “som independente”, está tudo misturado.

Começo então a ver os CDs nacionais na busca de algo desconhecido e interessante. Mas a maioria era de bandas “grandes”: Engenheiros do Hawaii, Strike, Pato Fu, Nx Zero, ou de bandas maiores aqui no sul. A única que eu realmente não conhecia e que chamou minha atenção foi Estado das Coisas, selo Antídoto. Estando o disco fechado, não pude ouvir, mas questionei os atendentes, que disseram ser “rock gaúcho”. Ouvindo a banda agora, vejo que o rótulo não se aplica.

Vou-me então aos internacionais. Black Sabbath, Deep Purple e um monte de outras bandas clássicas, mas todas conhecidas. Tinha Dream Theater, que é interessante. R$33 a R$48. É bom, mas não estava disposto a pagar isso por Dream Theater, e não por um CD que não conhecia (o único CD deles que conheço bem é o último, Systematic Chaos, que não estava disponível). Enquanto “folheava” os CDs, meu pai pergunta:

–Por que não pergunta se eles têm o que tu tá procurando?
–Estou procurando várias coisas, mas são difíceis de achar, e qualquer uma me serve…

Continuo procurando, até que sigo o conselho e peço algo eu estaria disposto a pagar R$40, que fosse, pelo CD.

–Tem Katatonia?

A resposta foi obviamente negativa. Mesmo o Submarino tem apenas um box triplo com DVD, a R$1401. Mas se a esperança é a última que morre, estou certo: ali não sobrava mais ninguém.

Meu pai, porém, comprou um CD. Do Mano Lima. Já fora da loja, pedi para ver o CD. A capa fora obviamente impressa em jato de tinta de baixa resolução. O texto em WordArt, mesmo se não estivesse borrado, deixava claro que tipo de profissional havia criado a “arte”. Atrás, a lista de músicas estava impressa em um fundo branco, sem arte. Nenhum selo, exceto o ‘compact disc’. R$14 por isso?

Voltei à loja para reclamar. Perguntei qual era o selo do disco. O atendente então mostrou uma série de outros CDs da mesma “gravadora”, todas com a mesma “qualidade”: capa ruim, sem arte atrás. Porém, nos outros havia o selo, juntamente com o endereço e número de telefone do responsável. Agradeceu por eu ter notado a falta destas informações no outro disco e disse que iria comentar com a distribuidora.

Finalmente, tirei o plástico que envolvia a caixa. Sem arte no CD, nenhum encarte. Por baixo, o disco era verde com números em volta do anel central azul, o que significa que o mesmo provavelmente foi gravado em computador em vez de prensado2.

Acredito que o disco é legítimo, mas como manter as pessoas longe da pirataria se o produto físico é o mesmo e o preço não se difere do original? É muito diferente do SMD/Semi Metalic Disc, que busca abertamente ser uma alternativa à pirataria e tem um preço muito menor, competindo diretamente com o produto pirata.

A “revolução digital” poderia ter mudado muitas coisas nas vendas de CDs. Mas o sistema é o mesmo usado da última vez que entrei em uma loja, que se me lembro foi para comprar o Ruído Rosa, do Pato Fu.3 A não ser que talvez alguma loja em cidades de verdade, como Rio de Janeiro ou São Paulo, tenha revolucionado as coisas, a venda pela web — seja de CDs ou MP3s — já substituiu tudo, pois apresenta as capas dos CDs juntamente com trechos para qualquer um ouvir, além do espaço para comentários dos clientes.

Não seria difícil permitir que as pessoas fizessem o mesmo no catálogo da loja e seus distribuidores. DVDs com trechos de 45 segundos a um minuto das músicas poderiam ser distribuídos para as lojas, permitindo que os clientes ouvissem os CDs antes de comprar, inclusive obras que constam apenas no distribuidor, para fazer encomendas.

Existe um valor no ato físico, de entrar na loja, de ver o ambiente, de conversar com pessoas que entendem do assunto para lhe fazer sugestões — sejam estas pessoas atendentes da loja ou pessoas que estão olhando o mesmo catálogo que você.4 Mas tudo isso se perde quando o cliente não pode encontrar o que procura, não vê produtos de qualidade e, acima disso, preços abusivos.

De fato, você tem mais sorte se aceitar ter esta mesma experiência online. Ligue o SoulSeek, entre na sala do gênero que pretende explorar e faça perguntas, comente, envie mensagens particulares pedindo sugestões para quem conhece mais música de um gênero do que você. Perdi a conta de quanta música conheci por meio de sugestões que pedi e quantas pessoas conheceram músicas por meio das que dei. As lojas de música poderiam ser um ponto de encontro físico para pessoas assim e, se alguma ficar de pé até o fim do século, provavelmente o será.

A experiência nem é muito diferente quando o assunto são filmes ou livros. O sistema de comentários da Amazon tem substituído a interação de quem freqüenta bibliotecas, por exemplo. E então a leitura e as recomendações ficam, ao mesmo tempo, mais individuais e mais coletivas, no passo que são feitas dentro da própria casa, mas para várias outras pessoas do mundo.

Tem chance de a comunicação pessoal superar a virtual? Não em utilidade, não em profundidade, não em qualquer coisa que importe, a não ser a ótima sensação de estar conversando em pessoa. Ainda assim, quando vídeo+voz via internet estiverem disponíveis a qualquer um, a linha ficará ainda mais tênue.

Resta então continuar chamando quem posta em blogs de compulsivo e quem passa horas na internet de viciado. Rotular tudo como doença e jamais considerar que a rede tornou obsoletas certas formas de interação. Quer dizer, o que obtenho de conhecimento por meio da interação com usuários de SoulSeek eu provavelmente não poderia obter em nenhum outro lugar ao meu alcance, pelo menos não onde moro. Daí a migração das pessoas para as metrópoles, com seu crescimento vertical. Poderia dizer que o que motivou a criação dos grandes centros urbanos é o mesmo que motiva o uso da rede: encontrar mais facilmente pessoas que valorizem as mesmas coisas e pensam como você.

Poderia ser otimista e dizer: as pessoas vão se adaptar e conseguir trazer tudo isso de volta para o coletivo real, em vez desta “coletividade individual” da rede. Mas a regra do individualismo — e eu não uso essa palavra de forma pejorativa — e da economia está até mesmo reduzindo a população, inclusive em alguns estados brasileiros. Queria poder ver como a economia dos grandes países vai reagir com o declínio de consumidores. Pena que isso deve demorar demais, de modo que nem eu, nem este post ainda estará por aqui quando isso começar a acontecer.

Mas sendo otimista: quem sabe, até lá, as coisas não tomam outro rumo? Para terminar com um chavão, o mundo dá voltas5.

  1. Na verdade, com um real de desconto, para R$139.90. Ria. Eu prometo que rio junto.
  2. O anel central é quase sempre transparente em discos prensados.
  3. Este CD me ensinou uma importante lição a respeito dos singles ou “músicas de trabalho”. Na época, escutava a Rádio Atlântida, onde tocava “Eu”, a primeira faixa deste disco. Assim que comecei a escutar o CD, reparei que a música não era nada representativa dos demais conteúdos da obra. Decepção. E demorei para me recuperar e ter a coragem de comprar outro CD.
  4. Aliás, o que prova a falta de inteligência da loja em que fui, por não separar a música independente das demais, nem por gênero algum, colocando tudo em ordem alfabética.
  5. Na proporção de trezentas e sessenta e cinco delas em seu próprio eixo para uma em torno do Sol.

Ideologias, o cidadão perfeito e minha idéia de social-democracia

Tese: com cidadãos adequados, comunismo e neoliberalismo podem funcionar bem. Vejamos primeiro o comunismo.

Karl Marx acreditava que o comunismo seria um processo resultante da luta de classes. Mais cedo ou mais tarde, os trabalhadores iriam constatar que produzem as mesmas mercadorias que desejam possuir mas não podem comprar devido ao lucro do patrão. E então os patrões tornariam-se redundantes, juntamente com a idéia de propriedade privada.

É claro que a previsão de Marx não se tornou real ainda. E a operação e construção das máquinas de hoje, cada vez mais especializada, distancia-se significativamente da realidade em que Marx pensava que a revolução ia acontecer. Com a especialização substituindo a repetição, o trabalho não pode mais ser realizado por qualquer um e a relação empregado-empregador não é mais a mesma que daria início à “revolução segundo Marx”.

De qualquer forma, não tenho dúvidas de que o comunismo iria funcionar muito bem com cidadãos tão conscientes de sua posição econômico-político-social.

No neoliberalismo, a idéia é a liberdade de propriedade, de trabalhar e de comprar. A pergunta crucial, no meu entender, é: o que é e para que serve o dinheiro?

Creio que muitos vão responder que é uma recompensa pelo trabalho e um papel-moeda que se usa para obter alimentos, móveis, imóveis e outros bens de consumo.

No entanto, penso que o modelo neoliberal só pode funcionar se o dinheiro for visto como seu poder de voto na sociedade para moldá-la de acordo com o que você acredita ser certo. Na compra de um produto, portanto, dever-se-ia considerar não apenas a qualidade do que se vai comprar e o preço, mas também o histórico da empresa, suas contribuições sociais e a maneira como trata seus empregados.

O dinheiro não é, portanto, a recompensa pelo trabalho; daí o motivo pelo qual pessoas que trabalham menos podem ganhar mais. Em vez disso, o dinheiro é o poder de moldagem do futuro da sociedade, cedido aos cidadãos que a sociedade crê serem mais criteriosos em suas compras, por ter conhecimento ou status para tal.

Isto é, claro, o ideal. Porém, trabalhadores não atingiram ainda, e talvez nunca atingirão, a consciência que Marx pensou que atingiriam. E a fiscalização necessitada pela sociedade neoliberal para que as empresas corretas recebam o dinheiro que lhes é devido não passa de um sonho em uma noite recheada de pesadelos.

É simplesmente difícil demais que um cidadão leve em conta tantas coisas ao comprar uma bala, um chiclete ou uma Coca-Cola.

E o comunismo? Na prática virou um totalitarismo pseudo-populista que fracassou miseravelmente.

É por isso que me descrevo como social-democrata. Acredito nas forças do mercado, porém não acredito que elas sozinhas são capazes de se governar. Se precisamos de exemplos, basta ver a crise pela qual os Estados Unidos estão passando. No fim, mesmo os Republicanos precisam aceitar intervenção do governo para impedir que a economia do país entre em colapso.

Social-democratas costumam dizer-se da “terceira via”, nem de esquerda nem de direito; pessoalmente sou um centro-esquerdista na maioria dos assuntos econômicos, mas bem progressista na questão social e na crença no avanço contínuo da civilização e das ciências. Penso que monopólios naturais devem ser de posse do governo para facilitar sua regulamentação e que a prestação final do serviço deve ser alvo de intenso debate, se for terceirizada, e a concorrência realmente existir1.

A idéia com isso é deixar que as forças de mercado desempenhem a função que sabem – escolher o melhor custo/benefício final – enquanto exige um mínimo de qualidade de todos — por meio da regulamentação — para impedir que empresas irresponsáveis acabem ganhando a disputa.

Isto é mais fácil de ser dito do que realizado, mas sabemos muito bem quais são os setores com problemas e mesmo assim nada é feito. Agir rápido, uma vez descoberto o erro, é crucial. Negá-lo apenas tarda e encarece o inescapável conserto.

  1. Exemplo de como não deve ser feito: leilão Telebrás

A Folha me corrige sobre educação

O Manual de Redação da Folha de S. Paulo, quer dizer.

No final da primeira parte – Projeto Folha – do Manual de Redação da Folha de S. Paulo é possível encontrar a seguinte afirmação:

Existe um consenso, por exemplo, de que educação e saúde configuram o nó do desenvolvimento do país

É certo, portanto, que o consenso a respeito da educação é anterior à campanha de Cristovam Buarque, já que a edição do manual é anterior às eleições de 2006. Mas o principal ponto meu não é muito diferente do que a Folha faz em seu Projeto — o questionamento a respeito destas verdades que tomamos como evidentes por si.

Mesmo assim, ainda ouvimos, ou, pelo menos eu ouço, mais sobre educação do que sobre saúde. Existe sim algo que tem feito a educação ser mais discutida do que o resto, seja a campanha do senador pedetista ou outro fenômeno. Cobra-se muito do governo por melhorias na saúde, sim, porém ela não é apresentada como solução para todos os problemas sociais e econômicos do Brasil — como no caso da educação.

“Configurar o nó do desenvolvimento” pode não ser o mesmo que “ser considerado solução para tudo”. Talvez o primeiro tenha existido por mais tempo e só este último seja recente. Mas se há diferença, me parece muito tênue. Talvez o que aconteceu foi apenas que a idéia de “educação como solução” tenha sido popularizada pela campanha de Buarque e pelos veículos de comunicação em massa (TV, principalmente) nos últimos anos.

Não se trata, portanto, de uma idéia original, mas apenas a propagação de uma idéia antiga por repetição.

“Porque o importante é ser feliz”

Toda vez alguém justifica um estilo de vida (sic) ou ação qualquer dizendo que “o importante é ser feliz”, um neurônio deve morrer — seja no cérebro do sujeito que fez tal afirmação ou do ouvinte que a engoliu.1

— Matei 24 ontem.
— Nossa, por quê?
— Porque isso me deixou feliz… e o importante é ser feliz!

Parece ridículo? Mas não é mais nem menos ridículo do que em qualquer outra situação. A idéia de carpe diem, ou “viver intensamente”, ou “viver cada dia como se fosse o último” é estúpida. Porque se todos soubessem de fato que o dia seguinte fosse o último…

  • Ninguém iria trabalhar
  • Ninguém deixaria dinheiro em aplicações ou no banco
  • O turismo teria grande procura, mas não haveriam vendedores de passagens, nem motoristas de ônibus, nem guias ou pilotos de avião
  • Todo mundo iria querer dizer algo, mas aquele que deveria ouvir estaria tentando dizer outra coisa para outra pessoa. Se você quisesse usar o telefone, ele não estaria funcionando.

O mundo iria de fato ser um caos. Mas o importante é ser… feliz? Caos não é minha idéia de felicidade.

O que fazemos, de modo geral, é trocar uma felicidade curta e suicida por outra mais sólida, mais confiável, com altos e baixos. Se perseguirmos a felicidade completa em um instante sem pensar nas conseqüências, estaremos atirando em nossos próprios pés e possivelmente nos pés dos outros também, pois qualquer projeto de felicidade que conseguimos conceber hoje está ligado à ordem social estabelecida.

Poucos devem imaginar uma felicidade vivendo no meio da mata com os índios do Xingu (sem ofensa aos índios).

De qualquer forma, se procurarmos a felicidade em todo instante, literalmente, o mundo pára. Porque a vida operacional — que faz tudo funcionar — é estressante e repetitiva; parece que tudo o que fazemos não tem valor algum no mundo. Em outras palavras, a vida de trabalhador é dura. Porém se todos levarem a cabo idéia de ser feliz e pararem de trabalhar, nada mais funciona. E com isso ninguém consegue atingir a felicidade concebível pelos cidadãos pós-modernos.

Tudo isso é óbvio, mas por algum motivo ninguém que ouve ou diz que “o importante é ser feliz” consegue perceber as reais conseqüências dessa afirmação.

Depois, por que sua versão de felicidade é a que vale? Pegando o exemplo acima, se a felicidade do cidadão é matar duas dúzias de pessoas, ou se a felicidade de uma mulher é ficar grávida e abortar sempre que possível, por que esse conceito de felicidade é mais ou menos válido que outros? Por que é preciso existir uma felicidade que é “socialmente aceita” — beber, jogar futebol, ir ao cinema e dançar?

Minha felicidade pode ser a leitura de livro, um jogo de videogame, uma música que ninguém mais gosta ou então ficar em um canto em silêncio. Na verdade, essas coisas são legais pra caramba na minha opinião. Pode ser algo até surpreendente, como trabalhar ou inventar histórias. Mas supondo que sua felicidade seja estuprar uma criança ou entrar num Shopping Center com uma 22, por que isso não pode ser a felicidade?

Se para você é óbvio que tais coisas não podem ser a felicidade, você está apenas concordando com o julgamento pré-concebido pela cultura.

É possível, por outro lado, formular uma ética que demonstra a irresponsabilidade e injustiça destas ações repugnantes, sem abusar do senso comum cultural. Rebater tais argumentos lógicos com “o importante é ser feliz” seria irracional e falacioso. E não é diferente nas situações opostas — o socialmente aceito não é necessariamente o melhor ou único, muito menos o universalmente justo.

Dicionário

“o importante é ser feliz”: a.f. o mesmo que “não sei como diabos justificar por que faço/penso isso, mas me deixe em paz antes que eu seja forçado a repensar minhas atitudes possivelmente imprudentes”.

  1. Já é possível perceber que neste post estou tentando um tipo de escrita diferente — mais descontraída. Se você não é leitor deste blog e se ofendeu pelo texto, garanto que eu poderia escrever este mesmo texto e dizer a mesma coisa sem te ofender. Se você já é leitor deste blog, espero que saiba disso já (mas me corrija se eu estiver errado). Obrigado por ler as letras miúdas.

Educação é a solução. Ou não.

Quando foi que “isso se resolve com educação” virou uma resposta quase universal para qualquer problema?

Talvez eu seja apenas jovem demais para lembrar que tal discurso sempre esteve presente. Mas na minha observação das coisas, esta idéia tem ficado muito mais presente nos últimos anos. Na TV, em conversas de bar, na sala de aula, nos fóruns (online ou não), nas notícias e até nos programas de auditório no domingo. É a mesma conversa.

O estranho é que, lendo fóruns estrangeiros como Slashdot, a educação é muito menos mencionada como solução. O que poderia significar um fenômeno brasileiro.

Se minha observação está certa, só posso dar crédito ao senador Cristovam Buarque, provavelmente o homem mais inteligente que já tentou ser presidente desta nação. Nas eleições de 2006, Buarque apresentou uma solução para a maioria dos problemas brasileiros com base na educação.

Buarque disse, no último debate do primeiro turno, que tinha alcançado o objetivo que queria com sua campanha: colocar a educação no debate político. Se era isso mesmo, seu sucesso foi apenas parcial: considera-se a educação como solução, mas não se discute a educação si.

Não é possível adotar um discurso como o de Buarque sem o fazer em sua totalidade. O senador tinha planos para mudar a educação brasileira e não simplesmente melhorá-la. Não se estava falando em simples melhorias (PDE?), nem em reforma. Estava-se falando em demolir o que se tem e fazer algo do zero, começando pela federalização da educação básica, o que mudaria por completo a operação das escolas.

A educação só será solução se a transformarmos em solução.

O plano de Buarque não era simplesmente melhorar o acesso às escolas, ou construir prédios melhores. A idéia era fazer da educação uma solução para o Brasil.

A educação brasileira, como é hoje, não é uma solução. Pois nunca se diz, para si mesmo, que o problema é “falta de educação”.

— Você ( fuma | cheira | bebe ) demais, vai se matar assim…
— Pois é, me faltou educação.

É assim que acontece? Não. Pelo contrário — as pessoas têm informação e ignoram.

— Você ( fuma | cheira | bebe ) demais, vai se matar assim…
— Eu sei, mas parar é tão ruim. Prefiro continuar.

A educação não é uma solução que serve apenas para outros. Se a educação é uma solução para o Brasil, ou para o mundo, ela é uma solução para todos. A educação não precisa ser apenas a divulgação de conhecimento e idéias ao cidadão comum (comunicação). Mas é o que a educação brasileira é hoje: ela informa, mas não cria consciência, não convence. E essa educação não é solução para nada.

Certamente não é solução para a violência. Nos Estados Unidos é preciso o equivalente a um mestrado no Brasil para praticar várias profissões, inclusive Direito. As escolas públicas são acessíveis para quase todos e as universidades públicas, apesar de pagas, são baratas na economia norte-americana. E nada disso impede que os Estados Unidos tenha mais de dois milhões de cidadãos habitando suas prisões e uma taxa de homicídio maior que a da Argentina1.

Educação, portanto, não resolve automaticamente o problema da violência.

Na mesma linha, afirmo que educação não resolve nada automaticamente, mas pode, e precisa, ser uma ferramenta importante no combate à vários tipos de problemas. As brigas pelo ensino do criacionismo nas escolas e as altas taxas de AIDS nos EUA sugerem que existem problemas sérios na educação do país — e isto precisa ser analisado para determinar onde exatamente as coisas falham por lá, para então desenvolver um sistema educacional que não considere apenas o indivíduo maquínico-capitalista, mas também célula-social-pensante.

Que não se discuta, portanto, se a educação pode ser uma solução para um problema. Mas que seja pensado, sim, como fazer da educação uma solução, ou uma importante peça no quebra-cabeça de construção de soluções.

E se você quiser sugerir a solução pela educação, diga como, pois este é o verdadeiro desafio. Pensar ‘como’ ajudar a criar bases mais sólidas para nossas próprias convicções, obtidas, muitas vezes, acidentalmente. Já dizia Einstein: simplifique tudo o quanto for possível, mas não mais do que isso2.

  1. Justiça seja feita, a taxa argentina é 5 vezes menor que a brasileira.
  2. Tradução livre de “Make everything as simple as possible, but not simpler.”. Fonte: QDB