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	<title>Ira Racional &#187; Filosofia Vã</title>
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	<description>Emoção carregada de razão - por Altieres Rohr</description>
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		<title>Palavras do senso comum, religião, felicidade e hackers e videogames contra Nietzsche</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 19:38:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu realmente não sou a pessoa mais gabaritada para falar de nada do que segue. Mas quem, hoje em dia, liga para gabaritos? Quando cronistas de jornal e editores de revista estão aí para falar de psicologia e fenômenos sociológicos, &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/05/palavras-do-senso-comum-religiao-felicidade-e-hackers-e-videogames-contra-nietzsche/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu realmente não sou a pessoa mais gabaritada para falar de nada do que segue. Mas quem, hoje em dia, liga para gabaritos? Quando cronistas de jornal e editores de revista estão aí para falar de psicologia e fenômenos sociológicos, para serem por isso considerados profundos pensadores ao citarem qualquer coisa (de grandes pensadores) fora de contexto &#8211; e serem elogiados por isso &#8211; que mal faz mais uma opinião desinformada?</p>
<p>É claro que faz mal. <span id="more-971"></span></p>
<p>Mas a questão principal nem é essa. Você nunca vai reconhecer uma opinião desinformada, se concordar com ela. Só é desinformada a visão com a qual você não concorda. Este modesto blog já postou a <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/12/citacao-do-ano/">excelente observação</a> do economista<sup class='footnote'><a href='#fn-971-1' id='fnref-971-1' onclick='return fdfootnote_show(971)'>1</a></sup> Robin Hanson de que acreditamos que a neutralidade é importante porque uma análise neutra vai favorecer aquilo que acreditamos.</p>
<p>Nosso cérebro nos sabota. Não é bem culpa nossa. Mas nem todo erro demanda um culpado (essa exigência é normalmente humana).</p>
<p>O que é visível nessas visões &#8220;profundas&#8221; que hoje circulam por aí não passa de um raciocínio raso e individualista que já caiu no senso comum. Para ajudar a construir essas ideias, um relacionamento de &#8220;união&#8221; vira relacionamento de &#8220;apagamento&#8221; (<strong>união</strong> é palavra boa, <strong>apagamento</strong> é palavra ruim. Entende o que digo?)</p>
<p>É curioso porque assim sempre é possível manter duas lógicas funcionando ao mesmo tempo. Basta que se use as palavras adequadas para cada ocasião, a gosto.</p>
<p>Trata-se de uma percepção de descontinuidade que permeia a vida contemporânea em todos os seus aspectos. No trabalho, na graduação escolhida na faculdade, nos relacionamentos amorosos ou com amigos. Tudo é passível de mudança, evidente, mas contemplar essa mudança e exaltá-la, como se ela fosse um mero <strong>acidente</strong> e não <strong>escolha</strong>, é <em>decisão</em> nossa.</p>
<p>Carreira há 100 anos era permanência e fidelidade &#8211; preferencialmente recompensadas. Hoje uma carreira é o aproveitamento de oportunidade e o cair fora quando a situação está ruim &#8211; da mesma forma que tudo que não presta é jogado fora em vez de ser consertado.</p>
<p>O &#8220;<strong>pratique o desapego</strong>&#8221; é um mantra dessa mentalidade, útil para todos os envolvidos, que não precisam jamais pensar no comprometimento.</p>
<p>Ora, é verdade que muitas coisas estão fora do controle humano. Mas nem tudo. Criar garantias, criar expectativas (de você e dos outros) é, no entanto um ataque à liberdade &#8212; porque significa &#8211; nessa interpretação torta &#8212; que seria preciso abandonar o individualismo</p>
<p>Não vou citar coisas complicadas como o niilismo, a destruição do senso comunidade (sucintamente compreendida em &#8220;hoje ninguém conhece os vizinhos&#8221;) e coisas do gênero. Está cheio de livros falando sobre isso e a análise deles é melhor do que a minha.</p>
<p>Boa parte dos pensamentos &#8211; em qualquer esfera &#8211; justificam essa mentalidade. Mas há uma exceção importante.</p>
<h2>Religião</h2>
<p>Já ouvi mais de uma vez que &#8220;religião&#8221; significa &#8220;religar&#8221;. Hoje, essa função de &#8220;religar&#8221; da religião é muito clara. Os impérios individuais que cada ser humano representa, exaltados pelo senso comum que vê nas relações interpessoais uma forma de violação dessa individualidade, não aguentam a tarefa de viverem isolados e obrigados a criar seu próprio grupo de regras e limites. Convenhamos: isso dá trabalho.</p>
<p>Estudos já mostraram que pessoas mais religiosas são <a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167268105000715">mais felizes</a>, tendem a ficar <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11770466">mais tempo casadas</a>, usar <a href="http://informahealthcare.com/doi/abs/10.3109/10826089609063979">menos drogas</a> (e outras coisas <a href="http://www.overcomingbias.com/2012/05/what-use-far-truth.html">citadas também por Robin Hanson</a>). Se outro ser humano não pode violar nossa individualidade, então, pelo menos, um deus pode.</p>
<p>(Perceba que &#8220;religião&#8221; não significa &#8220;cristianismo&#8221;, então esqueça de alguma retribuição do seu deus preferido nesse caso.)</p>
<p>Dá para aceitar isso bem, mesmo no pensamento atual. Em muitos casos, faz sentido &#8211; você acreditar ou não na evolução provavelmente não vai fazer muito diferença na sua vida, a não ser que você seja um biólogo.</p>
<p>Mas talvez o mais importante é que o simples fato de ter essas respostas traga paz e felicidade. No meio de tantas coisas efêmeras e que exaltam essa mudança e o desapego, as religiões são um pilar de <strong>constância</strong>. Daí sua força. Mas as pessoas, defendendo sua individualidade, evitam &#8220;se sacrificar&#8221; (olha que palavra &#8216;feia&#8217;) pelas outras, que reciprocamente fazem o mesmo.</p>
<h2>Felicidade</h2>
<p>Se uma pessoa que recebe as respostas prontas é mais feliz do que uma que precisa buscá-las por conta própria, a felicidade em si parece ser um produto mais fácil de adquirir em determinadas condições<sup class='footnote'><a href='#fn-971-2' id='fnref-971-2' onclick='return fdfootnote_show(971)'>2</a></sup>. Quais sejam: constância, incondicionalidade, aceitação.</p>
<p>Percebo muitos depositando a felicidade em algum evento específico: &#8220;serei feliz se&#8230;&#8221;; &#8220;serei feliz quando&#8230;&#8221;. Quando o que estiver descrito no lugar das reticências vier a ser, algo mais acontecerá e tudo vai se repetir. A felicidade é postergada infinitamente <sup class='footnote'><a href='#fn-971-3' id='fnref-971-3' onclick='return fdfootnote_show(971)'>3</a></sup>.</p>
<p>Não sendo a felicidade um estado incondicional, constante e aceito como tal &#8211; &#8220;aceito que tenho as condições de ser feliz&#8221; &#8211; parece-me que a felicidade torna-se refém de uma condição, hoje volátil, e, portanto, bastante frágil.</p>
<p>Há quem diga, que até 2020, a depressão vai ser a <a href="http://depressionhelpspot.com/depression_statistics.html">segunda doença mais comum do mundo</a><sup class='footnote'><a href='#fn-971-4' id='fnref-971-4' onclick='return fdfootnote_show(971)'>4</a></sup> e livros de autoajuda estão sempre em listas de <em>best-sellers</em>. O mundo precisa, urgentemente, de felicidade.</p>
<h2>Shion Uzuki vs. Nietzsche</h2>
<blockquote class="pull alignright"><p>Sobrou pra mim<br />
A felicidade sempre ofende<br />
Mas tristeza demais cansa</p>
<p>(Bem, que se fodam os ofendidos!)</p>
<p>Então respira mais<br />
Que eu respiro mais<br />
Ok, ok</p>
<p style="text-align: right;">&#8211; <strong>Violins</strong></p>
</blockquote>
<p>Essa enchente individualista foi muito bem prevista por <strong>Nietzsche</strong>. E ele também previu, corretamente, que a falta de constância, de valores, de papéis sociais &#8211; quer dizer, a falta de bases e a falta de sentido para a vida, criariam seres humanos frustrados.</p>
<p>Só quem poderia sair dessa condição seriam os <em>Übermensch</em> &#8211; os &#8220;super-humanos&#8221;. Estes entenderiam as consequências de suas ações e criariam os novos valores morais que dariam as bases para que eles próprios pudessem viver, mesmo sem nada exterior ou espiritual para justificar esses valores.</p>
<p>O <em>Übermensch</em> teria plena consciência da finitude de sua vida e veria no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eterno_retorno">Eterno Retorno</a> uma forma de justificar suas ações em vida. <em>Será que esta atitude que estou a realizar é correta se for repetida infinitamente em todas as minhas próximas vidas que são iguais a esta?</em> Não que existisse alguma próxima vida &#8212; isso é apenas um exercício de raciocínio para encontrar uma forma de analisar atitudes.</p>
<p>Dentro do Eterno Retorno, não existe problema para o individualismo. Um dia os seres humanos vão achar as soluções e novos valores morais. Não vai ser preciso a religião e nem nada além deste mundo para guiar a ética e a moral do homem.</p>
<p id="firstHeading">No final do jogo japonês &#8220;Xenosaga&#8221;, o fim do universo se aproxima. Mas ele já está salvo. Por quê? Porque foi criado um dispositivo que irá repetir o universo. O universo será criado novamente, e tudo vai acontecer da mesma forma &#8211; até ele novamente acabar, e ser recriado. É o Eterno Retorno, mas para o universo inteiro.</p>
<p>Os personagens não concordam com isso &#8211; e nem compreendem que isso é &#8220;salvar&#8221; o universo. Eles então impedem o universo de ser destruído e de se repetir, buscando &#8220;alguma outra alternativa&#8221;. Ao final, quando parte para essa busca<sup class='footnote'><a href='#fn-971-5' id='fnref-971-5' onclick='return fdfootnote_show(971)'>5</a></sup> , diz a protagonista <strong>Shion Uzuki</strong>:</p>
<blockquote><p>Viver a mesma vida, de novo e de novo, mas vivendo essas vidas sem nenhum arrependimento é o que realmente importa. Isso é provavelmente a <strong>visão ideal de um ser humano</strong>.</p>
<p>Porém, nós humanos não somos tão fortes. E sabemos que não podemos viver assim. Somos criaturas muito mais defeituosas, fracas e menores que isso. Ferimos os outros, mentimos para nós mesmos, odiamos, culpamos os outros, nos arrependemos.</p>
<p>Mas mesmo que sejamos fracos, e mesmo que seja o nosso destino seja desaparecer completamente, acho que a vontade de <strong>mudar o futuro</strong> ainda é importante.</p>
<p>Devemos tentar mudar as coisas ao nosso redor, aos poucos, mesmo que seja um passo de cada vez, e mesmo que tudo já esteja pré-determinado, não há por que ficar triste. Não, ao contrário. O futuro está transbordando de esperança. E temos <strong>infinitos caminhos</strong> para seguir.</p></blockquote>
<p>O que temos aí &#8211; com grifos meus &#8211; é a negação da &#8220;visão ideal de ser humano&#8221; &#8212; do <em>Übermensch. </em>Para a personagem, esse status de &#8220;super-humano&#8221; é inatingível. Ao contrário, o mais importante é ter &#8220;infinitos caminhos para seguir&#8221; e a vontade &#8220;mudar&#8221; &#8212; a palavra mais amiga do senso comum contemporâneo.</p>
<p>Até mesmo &#8220;desaparecer completamente&#8221; é preferível a ser responsabilizado pelas próprias ações eternamente (veja que o princípio de muitas religiões é o mesmo, nesse nível).</p>
<p>Shion também deixa claro que os seres humanos não são fortes o suficiente para vestir a liberdade com maestria. E, logo depois de admitir isso, o discurso é transformado numa defesa da liberdade&#8230;</p>
<p>Reparemos que ideias positivas em relação à subserviência são sempre atribuídas aos vilões em qualquer história &#8211; nem o Loki no <em>The Avengers</em> escapou de ser retratado assim &#8211;, embora isso faça parte da nossa vida diária (no trabalho, e nas relações básicas de &#8220;contrato social&#8221; que temos com as outras pessoas).</p>
<p>É a melhor representação da guerra constante do indivíduo, que quer liberdade e garantias para possuir segurança, porém não compreende que só haverá segurança e garantias quando os próprios indivíduos criarem a consciência de que precisam agir para dar essas garantias aos demais.</p>
<p>O <em>Anonymous</em> é uma grande realização desta geração de que algumas conquistas só são possíveis com a ação coletiva, uma união que leva ao inevitável &#8220;apagamento&#8221; do individualismo. Nem mesmo a ironia de usarem um símbolo popularizado por um filme de Hollywood os abala.  Não há <em>Übermensch</em>; analisar o Anonymous pelas credenciais dos indivíduos que o constitui não é nada impressionante. Mas o Anonymous, como grupo sem rosto, influencia e movimenta. E mais: promete que &#8220;não esquece&#8221;, quer dizer, promete constância.</p>
<p>Isso é novidade; porque falar que seres humanos precisam &#8220;do seu espaço&#8221;, do desmantelamento do papel social, e categorizar a vontade de ter seu próprio lugar &#8211; de pertencer &#8211; como infantis<sup class='footnote'><a href='#fn-971-6' id='fnref-971-6' onclick='return fdfootnote_show(971)'>6</a></sup> estão cansadas e só mais andam em círculos.</p>
<p>A mudança e o diferente já viraram clichê.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-971'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-971-1'>Economia é a ciência dos interesses, como já bem descreveu o <em>Freakonomics</em> - dinheiro é só uma representação do interesse <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-2'>Para seguir na lógica individualista e consumista, achei sarcasticamente adequado falar da felicidade como um produto <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-2'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-3'>Elaborei essa ideia na forma de conto em &#8220;<a href="http://altieresrohr.com.br/2009/08/quando-a-paz-buscou-um-alguem/">Quando a paz buscou um alguém</a>&#8221; <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-3'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-4'>Tenho minhas dúvidas sobre esse tipo de estatística, mas é difícil de entender como tanta gente em países mais desenvolvidos é tão infeliz <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-4'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-5'>Sim, ficamos sem saber se qualquer forma de prolongar a existência do universo foi encontrada <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-5'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-971-6'>Lembrando que, segundo algumas estatísticas, 20% das crianças em países desenvolvidos sofre de depressão <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-971-6'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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		<title>A relação entre religião, ateísmo, materialismo e fisicalismo</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 00:11:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>

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		<description><![CDATA[Você quer dizer no Facebook que é ateu. Então você vai lá e preenche Ateu em religião, mas reclama toda vez que um religioso lhe diz que o ateísmo é uma religião. Você está fazendo isso muito errado, porque acabou &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2012/04/a-relacao-entre-religiao-ateismo-materialismo-e-fisicalismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você quer dizer no <strong>Facebook</strong> que é ateu. Então você vai lá e preenche <strong>Ateu</strong> em <strong>religião</strong>, mas reclama toda vez que um religioso lhe diz que o ateísmo é uma religião.</p>
<p>Você está fazendo isso muito errado, porque acabou de dizer que o ateísmo é sua religião. <strong>Isso</strong> é metalinguagem.<span id="more-959"></span></p>
<p>Ser ateu, não acreditar em uma divindade, não é, de forma alguma, uma oposição à religião. Religião é um conjunto de aspectos culturais, morais e, principalmente, <strong>espirituais</strong>. Uma religião se define pelas explicações fornecidas pelas suas visões de mundo, rituais e crenças espirituais.</p>
<p>A crença em um ou mais deuses, quer dizer, o teísmo, é uma pequena parte dessas crenças, e a única que o &#8220;ateísmo&#8221; nega. Teísmo nem aparece no primeiro parágrafo que descreve religião na Wikipedia em inglês:</p>
<blockquote><p><strong>Religion</strong> is a collection of <a title="Cultural systems" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cultural_systems">cultural systems</a>, <a title="Belief systems" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Belief_systems">belief systems</a>, and <a title="Worldviews" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Worldviews">worldviews</a> that establishes symbols that relate humanity to <a title="Spirituality" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Spirituality">spirituality</a> and, sometimes, to moral values.<sup id="cite_ref-0"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Religion#cite_note-0">[1]</a></sup> Many religions have <a title="Mythology" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mythology">narratives</a>, <a title="Symbol" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Symbol">symbols</a>, <a title="Tradition" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tradition">traditions</a> and sacred histories that are intended to give <a title="Meaning of life" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Meaning_of_life">meaning to life</a> or to explain the <a title="Origin of life" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Origin_of_life">origin of life</a> or the <a title="Universe" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Universe">universe</a>. They tend to derive <a title="Moral code" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Moral_code">morality</a>, <a title="Ethics" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ethics">ethics</a>, <a title="Religious law" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Religious_law">religious laws</a> or a preferred <a title="Lifestyle (sociology)" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lifestyle_(sociology)">lifestyle</a> from their ideas about the <a title="Cosmos" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cosmos">cosmos</a> and <a title="Human nature" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Human_nature">human nature</a>.</p></blockquote>
<p>Aqui no Brasil é um pouco mais difícil de ver essa diferença, já que religião dominante se define pelo teísmo, mas há algumas <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nontheistic_religions">religiões sem crenças teísticas</a> mundo afora.</p>
<p>Vejo mais oposição à religião no materialismo. O materialismo não tem nada a ver com ganância e acúmulo de riquezas pessoais. O materialismo é a ideia de que tudo que existe é matéria e energia<sup class='footnote'><a href='#fn-959-1' id='fnref-959-1' onclick='return fdfootnote_show(959)'>1</a></sup> &#8211; que o mundo e seus efeitos podem ser explicados por fenômenos que envolvem algo material. Opõe-se ao dualismo, que é uma ideia que separa o físico do corpo e a mente, atribuindo a esta última um caráter espiritual e, portanto, compatível com a visão religiosa.</p>
<p>A ideia pejorativa do materialismo foi, ao que me consta, uma resposta da igreja quando a burguesia lá da Renascença começou a ignorar os preceitos religiosos na busca do lucro (hoje, natural; na época, proibido). Logo, só podia tolerar ter seu sustento vindo do lucro aquele que era materialista, ou seja, quem não dava valor ao espírito, a crença fundamental da religião.</p>
<p>O materialismo, dentro do que ele mesmo estabelecia, mostrou-se insuficiente para ser compatível com novas descobertas da Física. O materialismo aceitou essas novas descobertas, mas, para não perder seu significado histórico, trocou de nome para <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fisicalismo">fisicalismo</a>.</p>
<p>Muitos daqueles que se dizem ateus não são apenas ateístas. São céticos e/ou fisicalistas, vendo explicações para o mundo nas descrições físicas dadas pela ciência, livres de qualquer influência espiritual e, portanto, <em>sem religião</em>.</p>
<p>O que isso tudo muda, na prática? Preservar palavras. Preservar palavras significa preservar os pensamentos e ideias que elas representam, para que não se confundam. Que os religiosos ateus assim continuem, mas que os sem religião entendam que o ateísmo não é o ponto central desta visão de mundo, mas sim a negação da ideia de espírito.</p>
<div class='footnotes' id='footnotes-959'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-959-1'>Lembrando que E=mc². <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-959-1'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Grey Imprinting</title>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 21:29:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>

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		<description><![CDATA[The grey paints a new color to the overcast sky every other second. The metamorphosing color sits between the shades of white and black made from the clouds that decorate it, replacing the blue. Among the airplanes, the birds, the &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2010/05/grey-imprinting/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>The grey paints a new color to the overcast sky every other second. The metamorphosing color sits between the shades of white and black made from the clouds that decorate it, replacing the blue. Among the airplanes, the birds, the sounds, the helicopters and the fake dullness, the uncertain stormy rain brings fear, uneasiness, and sadness to those who might have plans ruined, or happiness to those who need some raindrops to fall and wash their soul, or for the lightning to make company to their grief.</em></p>
<hr />
<p>Simplesmente um parágrafo que escorreu na minha mente. Feito merda (sim, se fala merda neste blog). Mas quem sabe isso adube alguma coisa&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Ler também é um exercício&#8221;</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2009/07/ler-tambem-e-um-exercicio/</link>
		<comments>http://altieresrohr.com.br/2009/07/ler-tambem-e-um-exercicio/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 08:34:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma propaganda veiculada pela Rede Globo de Televisão há sabe-se lá quanto tempo (não é pouco) afirma: &#8220;ler também é um exercício&#8221;. O objetivo da propaganda é incentivar o hábito da leitura no povo do brasileiro. Embora prefira a abordagem &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/07/ler-tambem-e-um-exercicio/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma propaganda veiculada pela Rede Globo de Televisão há sabe-se lá quanto tempo (não é pouco) afirma: &#8220;ler também é um exercício&#8221;. O objetivo da propaganda é incentivar o hábito da leitura no povo do brasileiro. Embora <a href="http://www.abrelivros.org.br/abrelivros/texto.asp?id=1163">prefira a abordagem da MTV</a>, não tenho nada contra a propaganda da Globo.</p>
<p>O que vale uma observação nesse caso é o argumento usado pela propaganda: <strong>Ler vale a pena porque <em>é um exercício</em></strong>. Há uma carga de valor implícito nisso &#8212; <em>exercício é bom</em> &#8211;, e, se ler é um exercício, então ler também é bom. Se exercício não fosse bom, não valeria a pena compará-lo com a leitura &#8212; não com o objetivo da propaganda. </p>
<p>Há ainda outra carga implícita: quem está vendo não sabe que ler é um exercício. Porque, se a pessoa soubesse, não valeria a pena dizê-lo. Ao mesmo tempo, porém, a peça supõe que as pessoas sabem o que são exercícios e que eles são bons.</p>
<p>Ainda: normalmente quando se pensa em exercício, mentalizamos a ideia de exercício físico, e não exercícios mentais ou de imaginação.</p>
<p>Considerando tudo isso, chego nas perguntas: por que existe esse valor impregnado na cultura de que exercícios físicos são bons, enquanto a leitura não dispõe do mesmo privilégio? Por que não soa estranho dizer &#8220;<em>leitura é tão importante quanto exercícios</em>&#8220;, mas é estranho dizer &#8220;<em>exercícios são tão importantes quanto a leitura</em>&#8220;? </p>
<p>Aparentemente existe algo interno &#8212; da cultura, provavelmente &#8212; que qualifica exercícios físicos ao passo que desqualifica (ou pelo menos não eleva) a leitura. Interessante, no mínimo.</p>
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		<title>&#8220;Penso, logo existo&#8221; Reverso</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2009/05/penso-logo-existo-reverso/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 09:58:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Gostaria de fazer uma adaptação da reversal original, mostrada acima no excelente Trigun: Se você existe, prove: pense! Vale mencionar que não é erro de tradução &#8212; ele realmente disse &#8220;alive&#8221;/&#8221;vivo&#8221; (ikite). Se o mesmo termo foi usado no mangá, &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/05/penso-logo-existo-reverso/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://altieresrohr.com.br/wp-content/uploads/2009/05/trigun.jpg"><img src="http://altieresrohr.com.br/wp-content/uploads/2009/05/trigun-450x337.jpg" alt="trigun" /></a></p>
<p>Gostaria de fazer uma adaptação da reversal original, mostrada acima no excelente <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Trigun">Trigun</a>: <em>Se você existe, prove: pense!</em></p>
<p>Vale mencionar que não é erro de tradução &#8212; ele realmente disse &#8220;alive&#8221;/&#8221;vivo&#8221; (<i>ikite</i>). Se o mesmo termo foi usado no mangá, ou se o paralelo com a famosa frase de Descartes foi intencional&#8230; não sei. De qualquer forma, achei a ideia legal e, portanto, registro-a aqui no blog.</p>
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		<title>&#8230; [2]: O &#8220;me too&#8221; do Orkut</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 05:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Vida de Nerd]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você passou qualquer tempo razoável em tópicos de comunidades no Orkut e prestou atenção ao que estava &#8220;lendo&#8221;, deve ter visto este fenômeno: alguém diz sua opinião ou dúvida e, nos posts seguintes, outras pessoas citam a mesma frase &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/05/2-o-me-too-do-orkut/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se você passou qualquer tempo razoável em tópicos de comunidades no Orkut e prestou atenção ao que estava &#8220;lendo&#8221;, deve ter visto este fenômeno: alguém diz sua opinião ou dúvida e, nos posts seguintes, outras pessoas citam a mesma frase acrescentando &#8220;[2]&#8221; (ou &#8220;[3]&#8220;, &#8220;[4]&#8220;&#8230;) para indicar que partilham do mesmo ponto de vista ou incerteza. Isso não é nada além de uma modernização de uma conhecida expressão internética: &#8220;me too&#8221;.</p>
<p>A comparação mais adequada que consegui achar para entender o fenômeno &#8220;Orkut&#8221; é a Usenet do início até meados dos anos 90. Até 1993, a Usenet era reservada para instituições acadêmicas e o fluxo de novos usuários era previsível (sempre em setembro) e pequeno, pois estava restrito aos calouros das universidades. Depois de um tempo, estes se adequavam às normas de comportamento na rede.</p>
<p>Em 1993, a <em>America Online</em> (AOL) liberou o acesso de seus usuários de internet doméstica à Usenet, iniciando o chamado &#8220;setembro eterno&#8221; &#8212; um fluxo interminável de novos usuários sem qualquer conhecimento sobre netiqueta, isto é, o comportamento correto na rede. Entre as várias gafes dos usuários da AOL, uma delas é o &#8220;me too&#8221; (&#8220;eu também&#8221;): quando algo era postado, todo mundo que concordava com aquilo seguiria postando &#8220;me too&#8221;.</p>
<p>Penso que &#8220;[2]&#8220;. &#8220;[3]&#8220;, ou, alternativamente o mais curto &#8220;+1&#8243;, são extensões desse mesmo &#8220;me too&#8221; e, portanto, um comportamento pouco adequado na rede. Parece-me que mesmo usuários frequentes não se dão conta da paralelo entre o &#8220;me too&#8221; e o &#8220;[2]&#8220;; provavelmente, poucos se dão conta do paralelo Usenet/EUA / Orkut/Brasil.</p>
<p>Para mim, no entanto, o paralelo é claro. A AOL é responsável pela explosão da internet comercial nos EUA, e logo adicionou suporte para a Usenet &#8212; o primeiro meio de interação direta entre os usuários da rede. O meio de interação aqui no Brasil é o Orkut, e ele apareceu exatamente no período de ascensão do número de usuários, tendo, portanto, o mesmo significado da Usenet para nós.</p>
<p>Acho legal procurar paralelos entre a Usenet e o Orkut. Pode revelar muita coisa. E poderemos atestar que a Usenet toda está se repetindo aqui&#8230; a começar pelo setembro eterno e o &#8220;movimento&#8221; contra a inclusão digital, isto é, o desprezo para com os usuários sem instrução adequada que estão apenas começando a usar o computador para se comunicar.</p>
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		<title>Onde queremos chegar?</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2009/05/onde-queremos-chegar/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 01:57:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Enquanto o mundo te cobra sempre um futuro A lama e a gloria são a mesma bosta&#8221; Violins &#8211; Entre o Céu e o Inferno &#8220;Entre o Céu e o Inferno&#8221; fala sobre a indefinição do ser humano no sentido &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/05/onde-queremos-chegar/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;Enquanto o mundo te cobra sempre um futuro<br />
A lama e a gloria são a mesma bosta&#8221;</p></blockquote>
<p align="right"><i>Violins &#8211; <a href="http://letras.terra.com.br/violins/1196248/">Entre o Céu e o Inferno</a></i></p>
<p>&#8220;Entre o Céu e o Inferno&#8221; fala sobre a indefinição do ser humano no sentido do bem e do mal. Todos temos capacidade para ambos. E é bem provável que nos localizemos em um campo &#8220;cinza&#8221; em vez de sermos divididos simplesmente entre o totalmente ruim (preto) e o puro e bom (branco). É no cinza, entre o céu e o inferno, que nossas ações e sentimentos estão.</p>
<p>Nossa incapacidade de atingir a perfeição garante a frustração contínua. Na lama e na &#8212; suposta &#8212; glória ainda estamos insatisfeitos. Queremos sempre mais, mas não sabemos quanto, e mesmo quando atingimos o que antes considerávamos ser o suficiente, vemos cada vez mais necessidades a serem atendidas, nossas exigências se elevam junto com o progresso, e o que antes parecia tanto agora já não é nem o suficiente. Também a pressão das outras pessoas sobre nós não é aliviada; se qualquer coisa, se potencializa com o sucesso, de modo que, se você simplesmente quer um pouco de paz, você será um covarde, como uma obra mal acabada.</p>
<p>Para quem está &#8220;mal&#8221;, a situação é idêntica, embora a pressão por melhorar seja simplesmente o desprezo por ele ou ela ser um &#8220;ninguém&#8221;.</p>
<p>Qual é a glória que procuramos? Onde queremos chegar, exatamente? <a href="http://www.overcomingbias.com/2007/03/tsuyoku_naritai.html">Querer sempre melhorar</a> é uma resposta, mas não é um objetivo finito &#8211; a perfeição é inalcançável. É, portanto, incompatível com outro desejo comum, qual seja, o de encontrar a paz. Enquanto há um conflito, uma inquietação, ali não não pode haver paz. (Se você conseguir conciliar isso, agradeço tutoriais passo a passo.)</p>
<p>Meu argumento é simples. Não há paz para ser encontrada no progresso. Uma corrida só acaba porque o número de voltas foi pré-estabelecido. O progresso &#8212; nosso, individual, ou coletivo, do mundo &#8212; nunca irá parar de &#8220;dar voltas&#8221;, e nunca poderemos dizer que algo acabou ou quem foi o vencedor, se não estabelecermos um objetivo.</p>
<p>Felizmente, não precisamos dar ouvidos aos objetivos (não-)estabelecidos dos outros. Mas então, onde cada um de nós quer chegar?</p>
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		<title>Não falar ao acaso aumenta suas chances de dizer algo que presta</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2009/04/nao-falar-ao-acaso-aumenta-suas-chances-de-dizer-algo-que-presta/</link>
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		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 07:46:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[razão]]></category>
		<category><![CDATA[verdade]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava na pauta do blog há meses um post com o título &#8220;O medo de as palavras terem feito&#8221;, no qual eu falaria sobre as opiniões deixadas ao acaso diariamente e que provavelmente ninguém se atreveria a dizer se de &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2009/04/nao-falar-ao-acaso-aumenta-suas-chances-de-dizer-algo-que-presta/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava na pauta do blog há meses um post com o título &#8220;O medo de as palavras terem feito&#8221;, no qual eu falaria sobre as opiniões deixadas ao acaso diariamente e que provavelmente ninguém se atreveria a dizer se de fato tivessem que provar o que dizem ou se corressem o risco de serem cobrados depois para ver o que acertaram.</p>
<p>Eis que um novo <a href="http://www.overcomingbias.com/2009/04/score-your-beliefs.html">estudo científico</a> fala por mim. Em resumo, os cientistas descobriram que as pessoas conseguiram acreditar em coisas mais plausíveis quando sabiam que a crença delas seria julgada mais tarde e não simplesmente deixada no acaso de uma conversa.</p>
<p>Fica a lição: não falar ao acaso aumenta suas chances de dizer algo que presta. Registre suas crenças e achismos para julgá-los depois.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Citação do ano</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/12/citacao-do-ano/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Dec 2008 07:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[imparcialidade]]></category>
		<category><![CDATA[verdade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é tão grande assim para ser a &#8220;citação do ano&#8221;, mas eu precisava registrar essa excelente frase do Robin Hanson, lá do Overcoming Bias, e certamente não vai ter mais outro registro desse gênero ainda este ano aqui no &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/12/citacao-do-ano/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é tão grande assim para ser a &#8220;citação do ano&#8221;, mas eu precisava registrar essa excelente frase do Robin Hanson, lá do <a href="http://www.overcomingbias.com/2008/12/who-cheers-the-referee.html">Overcoming Bias</a>, e certamente não vai ter mais outro registro desse gênero ainda este ano aqui no blog. Então segue:</p>
<blockquote><p>We sincerely believe that the world would be better off with a fair neutral way to evaluate political claims, but mainly because we expect such evaluations to favor our side.</p></blockquote>
<p>Expressou em uma frase o que eu tentei dizer no post <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/07/a-imparcialidade-e-a-verdade/">A Imparcialidade e a Verdade</a>. Hanson já disse coisas com as quais não consigo concordar, mas aí acho que ele acertou na mosca.</p>
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		<title>O conforto da indefinição da culpa</title>
		<link>http://altieresrohr.com.br/2008/12/o-conforto-da-indefinicao-da-culpa/</link>
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		<pubDate>Sat, 13 Dec 2008 01:32:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Altieres Rohr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia Vã]]></category>
		<category><![CDATA[diplomacia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[verdade]]></category>

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		<description><![CDATA[Existe um texto chamado A forma da notícia em que Muniz Sodré afirma que incertezas são desconsertantes. Ele diz que o jornalismo evita notícias &#8220;negativas&#8221;. Mas o exemplo dado não é o que se espera: Sodré diz que é preferível &#8230; <a href="http://altieresrohr.com.br/2008/12/o-conforto-da-indefinicao-da-culpa/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um texto chamado <i>A forma da notícia</i> em que Muniz Sodré afirma que incertezas são desconsertantes. Ele diz que o jornalismo evita notícias &#8220;negativas&#8221;. Mas o exemplo dado não é o que se espera: Sodré diz que é preferível dizer que o cigarro faz mal à saúde do que afirmar que não sabe se quais são seus efeitos. Logo, a negatividade está na incerteza, no desconhecido, na indefinição.</p>
<p>Porém existem casos em que a indefinição serve como atenuador ou analgésico: os que envolvem a distribuição da culpa. Quando se procuram suspeitos ou responsáveis por qualquer coisa, nada parece mais razoável, correto e diplomático do que dizer: &#8220;todos tiveram sua parcela de culpa, não vamos apontar o dedo para ninguém em específico&#8221;.</p>
<p>A atual crise financeira exemplifica isso muito bem, especialmente o joguinho de &#8220;não fui eu, foi você&#8221; que rolou nos EUA. Enquanto os conservadores culpavam os progressistas, estes apontavam o dedo na direção oposta. Não demorou até que os especialistas, razoáveis e diplomáticos, dissessem que tanto Democratas quanto Republicanos eram culpados pela situação, provocada por erros de várias administrações.</p>
<p>E isso agradou a todos.</p>
<p>Se alguém teve coragem de dizer quem foi o <i>mais</i> culpado entre os culpados, eu não vi. Qualquer um que tentasse isso acabaria na mesma situação dos extremistas que procuravam um único culpado. Voltaria à mesa o debate passional e, quem sabe, acusações de que &#8220;tudo é relativo&#8221; e que não dá para determinar quem foi mais ou menos culpado. Apelos à burrice, se qualquer coisa.</p>
<p>Quando o acusador deixa aberto o tamanho da culpa, ele deixa todos felizes porque cada um pode interpretar os fatos à sua maneira. O Republicano vai jurar que os Republicanos tiveram uma parcela de culpa menor do que os Democratas. E vice-versa. Todos lêem um texto diferente, indefinido, vago. E assim ninguém tem objeções.</p>
<p>No Brasil, fato semelhante ocorreu com o caos aéreo. Houve quem culpou o governo. Houve quem culpou as companhias aéreas. Entre uma coisa e outra, a culpa foi distribuída e, no fim das contas, ninguém pagou a dívida. Pessoas ainda não foram indenizadas, o assunto saiu dos meios de comunicação e não tardará a sair da memória da maioria da população, se não voltar a ocorrer. Muito provavelmente alguns dos incompetentes executivos e políticos responsável pelo caos continuam com seus cargos bem-pagos. </p>
<p>Essa posição indefinida e ambígua é tão diplomática e popular que Obama e McCain &#8212; mas principalmente este último &#8212; tentaram distanciar-se dos partidos e &#8220;trabalhar junto&#8221; para achar as soluções. Aparentemente os dois esqueceram que a divisão entre os partidos existe justamente porque discordam a respeito de como as soluções devem tomar forma.</p>
<p>Aos defensores do relativismo, só digo que, se tudo é relativo, o próprio relativo é absoluto. Logo, ainda estamos trabalhando com absolutos: o próprio relativo, cujo oposto é a verdade. Isso pode até ser diplomático, mas facilmente esconde as causas do problema e, muito provavelmente, o caminho para a solução.</p>
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