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Altieres Rohr diz
sua conexão que é medida em lolbytes
Diogo Baptista diz
é porque eu assinei a oi velolx

Versos: Memento Mori

Também existe fim para os imortais
Sem arrependimento, sem sofrimento
A liberdade de não querer nada mais
Marca a chegada do momento

Só temos menos tempo
Vida valiosa voa, voraz
Diante dela, desatento
O valor fica para trás
Procurando um instante
Que repetido, incessante
Cria a desejada eternidade
Que não existe no tempo

Meu sonho é de imortal
Morrer a cada hora
Capaz de valer uma vida
De tão normal

Certo do tempo desigual
Termina depois ou agora;
Mas o sorriso convida
A morte natural

Morrer não acaba com a vida
O que mata é
Viver sem lembrar de morrer

Não estarei aqui para sempre
Não estarás aqui para sempre

Versos: Letras, Palavras e Etc

Um ‘c’ estava em falta:
Ele faria uma oração
Transformar meu coração

Aí querendo um pouco de ‘arr’
Eu fiz de um anjo
Só uma peça de arranjo

Coloquei um ‘f’ em ‘oi’
Não demorou muito
Disse tchau e já se foi

Tentei um ‘a’ em ‘dia’
e nada mais pude fazer
até chegar o amanhã

Sem desistir, repito o ‘a’
Dessa vez em um pelo
E de repente faço um apelo:

‘Fale!’ para um pedaço da cidade
E no meio de tantos que não falaram
Sobrou uma cidade falecida

Quando quis ser ouvido
Parei a frase, segui falando
E só consegui parafrasear

Dor não ventila do ventilador
porque eu acredito mais nos atos
quando o ‘f’ os torna fatos

Pena que muita gente já não ama
sem deixar de usar o ‘c’
que só nos leva para cama

Versos: Falando com a Chuva

O céu deixou a água cair
Às vezes é difícil aguentar
Umas gotas sempre escapam
Entre os dedos, entre olhos

Se eu tivesse uma chave
Para o segredo da alegria
Isso seria coisa muito grave
Diz o olhar de quem me policia

É uma pena, não é por mal
Eu só queria conversar
Ouvir tudo até o final
E ao cair da noite cega
Ver Deneb, Altair e Vega
Brilhando no espaço sideral

Mas fui conversar com a chuva
O consolo de quem tanto historia
Serviu bem como uma luva
E afinou em triste sinfonia

“Mas as pessoas são incríveis
São todos imperadores, reis
De todos os seus poucos bens
Que ainda as fazem reféns”

Assim disseram essas lágrimas
Lágrimas das nuvens brancas
Que caem destruindo o algodão-doce
Da tal criança que é o céu

A chuva me disse tanto mais
Eu esqueci, me perdoe
Agora vou-me embora, até mais

Versos: A Questão do Quando[+]

Jaz em nosso peito
o castigo natural
O saber do sim
e jamais do quando
Vai ser em um dia
qualquer e igual
Esperado ou não
tudo chega ao final

É o que dizem
Mas ainda vou
Admitir dúvidas
Porque meu final
Ainda não iniciou

A quem conta histórias
Reclamamos do seu fim
Por ser curto ou ser ruim
Feliz ou triste, enfim
Sem perceber que memórias
Nunca falam do futuro
De onde eu vim

Não testemunhamos um fim
E muito menos um começo
Apesar disso e mesmo assim
Temos por eles tanto apreço

Vivo eu de trechos
De um e outro tropeço
Contados em meios
Caminhando então
Por caminhos alheios
E enredos sem desfechos

A morte não me abala
Não tenho medo dela
Como ela não teme a si
Porque ao final e afinal
Ela não morre


debaixo do travesseiro
o telefone celular
substitui um companheiro
que era pluricelular

Energia nuclear, Fukushima, Chernobyl…

Aqueles que não conhecem a história estão condenadas a repeti-la

Desde que a usina de Fukushima está cambaleando lá no Japão, li as mesmas coisas umas cem vezes já na internet – e alguns especialistas em energia nuclear (sim, eles existem, ao contrário do que pensam os que soltam opiniões no Twitter achando que sabem de alguma coisa) comentaram tudo, mas ficou disperso. Então um resumo (com links):

  • Fukushima já é a uma segunda Chernobyl — Chernobyl explodiu e levou o teto inteiro do reator pro alto, soltando uma quantidade enorme de radiação e espalhando ainda mais nas áreas próximas.
  • Por que não jogam concreto no reator como fizeram em Chernobyl? — Chernobyl explodiu! Depois da explosão, os soviéticos se certificaram que não havia uma nova reação nuclear ocorrendo. Antes de construir o sarcófago (que está em péssimas condições) foi necessário certificar que a massa crítica não tinha condições de formar uma reação nuclear. Soviéticos soltaram elementos neutralizadores no reator antes de construir o sarcófago (se quiser conferir a história, veja o documentário da BBC). Fukushima já tem uma estrutura de contenção feita de concreto e aço. Provavelmente todas as notícias que você leu até agora que algo explodiu não foram sobre essa estrutura, que Chernobyl não tinha, e que só agora teve danos confirmados. Se jogar mais concreto em cima, a única coisa que vai acontecer é impossibilitar o reator de esfriar, garantindo que ele derreta para dentro da solo e contamine a água.
  • Fukushima já emitiu a mesma quantidade de césio e iodo que Chernobyl — O iodo produzido por um reator nuclear mantém sua estrutura apenas por algo entre 7 horas e 8 dias [veja tabela aqui]. O césio dura mais (dois anos), mas tanto um como o outro, por serem “móveis”, acabam se dispersando no ar e sendo diluídos. O perigo maior são isótopos mais fixos que vão agir apenas por volta da área do reator.
  • O problema de Fukushima foi a falta de energia quando os geradores a diesel falharam. Se os reatores tivessem ficado ligados pra fornecer a energia pro resfriamento, teria sido diferente — Chernobyl aconteceu quando os soviéticos tentavam ver se isso era possível. E aí, que acha da ideia? O design da usina de Fukushima é de 1960. Hoje os reatores tem resfriamento passivo e o problema de Fukushima não teria acontecido. Existe sim uma questão séria quanto a reatores velhos que continuam funcionando; inclusive, a Rússia tem ainda em funcionamento reatores RMBK (o mesmo de Chernobyl).
  • Energia nuclear é insegura — Mortes diretas por reatores nucleares são muito poucas. Ajustado para a geração de energia, a geração de energia termoelétrica mata 4 mil vezes mais que a nuclear. Até hidrelétricas matam mais. Confere lá.
  • Energia solar! Energia eólica! — Você poderia cobrir uns bons 15% do Japão com paineis solares que não ia resolver o problema de energia do país. Veja mais em Sustainable Energy Without the Hot Air. Um problema da energia eólica é que sua produção de energia é inconstante. Nossa tecnologia de armazenamento de energia é muito fraca hoje em dia (considere que um no-break que sustenta um computador por 15 minutos pesa 20kg), o que significa que é preciso usinas de desempenho fixo pra “cobrir” a eólica quando ela estiver gerando pouca ou muita energia e assim nivelar a rede (sim, a geração de energia precisa acompanhar o uso)

O maior problema da energia nuclear é o lixo gerado, para o qual ainda não temos um uso claro. Por outro lado, já existem reatores Fast e Breeder capazes de reutilizar o próprio lixo. Se a oposição à energia continuar, nunca vamos saber até onde a tecnologia é capaz de ir.

A geração de energia não é um negócio limpo nem bonito.