Bandwidth Limit Exceeded

Quase que eu fiquei feliz porque a quantidade de banda alocada para este blog, pela primeira vez, não foi suficiente para passar o mês.

Nem tenho motivo. Foi só um buscador russo que acessou o site umas mil vezes.

Ahhhh… decepções.

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Eu, tu e uma garrafa de vinho

Se acreditasse em Deus, eu diria, ainda que mentindo, que só Ele saberia quanto esperei por isso. Não foram apenas três meses e uma semana como parece. Não, foi bem mais tempo. Não pela data – mas pela ocasião, pela circunstância de tudo, pelos elementos e detalhes que compõem o ambiente. Pelo amadurecimento, que finalmente me faz sentir adulto. Um homem, eu arrisco com alguma esperança. Seria bom ser reconhecido assim, ouvir uns parabéns sinceros por algo conquistado – e não por mais um dia, que viria com ou sem esforço.

Quanto a Deus, seria uma mentira depender de Sua sabedoria. Eu também sei o quanto esperei, e, mesmo que Ele existisse, ainda acreditaria saber melhor o quanto esse momento fora aguardado. E finalmente, cá estou – nesse lugar e tempo há tanto querido.

Antes de qualquer coisa eu me preparo. Não vai ter mais ninguém, somos apenas eu e tu — nós. Mas eu não ficaria melhor para qualquer multidão que fosse – é só teu olhar, só teu julgamento que pode me abalar. Tive medo de fugir demais do convencional. Se ficasse evidente minha preocupação em agradar, evidente também seria meu possível fracasso. E careço de confiança para acreditar num sucesso certeiro. Tento meu melhor para não parecer exagerado e ainda assim tentar ser bom o suficiente.

De repente tu chegas cantando e ouço-te longe. Algo sobre sonhos, talvez. Sonho como o meu, que ao decorrer de cada segundo parecia mais real. O canto chega mais perto e a bela voz já não deixa dúvida a respeito de sua dona. É chegada a hora e também a tensão.

Ao abrir da porta nenhuma barreira caiu. Continuas distante e eu me iludo com esperanças inúteis de que algo poderia mudar. De que a proximidade física, o abrir de portas também poderia aproximar e abrir nossos corações. De que o sonho desejado ao sopro que tentou apagar uma vela persistente realmente poderia vir a ser, por maior que fosse a resistência dele em se concretizar. Como a vela que não queria deixar de faiscar – desejei que assim fôssemos nós.

Então eu sou uma criança querendo ser parabenizada por ser adulta, mas e daí? Crianças ouvem mentiras o tempo todo.

Mas sua voz não reservou mentiras para mim. Alguns sorrisos, um erro consciente. Uma troca de nomes como se eu fosse outro alguém, já parte do teu passado. Dor. Meu sonho trilha em direção ao pesadelo e eu só queria que tudo acabasse o mais rápido possível. Descansar do meu próprio vazio, do meu próprio sonho, do desejo e da esperança que agora me consumiam tão forte quanto em todos os dias que eu deles me alimentei.

Minha última esperança: uma garrafa de vinho. Eu já esperava por tão pouco que mesmo o auxílio do vinho já não me parecia algo patético e desprezível. Eu queria alguma coisa, por menor que fosse. Queria sentir um carinho, um amor, que parecia longe. Engano meu o de achar que o vinho correria até lá para buscar esse amor e trazê-lo de volta até aqui. Porque ele não foi.

E se a esperança é a última que morre, o vinho da garrafa não tardou a acabar.

Umas palavras trocadas, umas cantigas. Uma dança que me faz sentir um pária – um balé no qual meu pé não sustenta o resto do meu corpo e eu caio sem graça alguma. Desgraçado. Recolhi minha esperança de oitocentos mililitros.

A verdade bate. Só estou longe, sozinho e triste. Você se foi. A garrafa está vazia. Mas eu já posso enchê-la, com alguma paciência: há lágrimas caindo ao chão.

Resta eu e tu, Senhor de mim mesmo.

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Grey Imprinting

The grey paints a new color to the overcast sky every other second. The metamorphosing color sits between the shades of white and black made from the clouds that decorate it, replacing the blue. Among the airplanes, the birds, the sounds, the helicopters and the fake dullness, the uncertain stormy rain brings fear, uneasiness, and sadness to those who might have plans ruined, or happiness to those who need some raindrops to fall and wash their soul, or for the lightning to make company to their grief.


Simplesmente um parágrafo que escorreu na minha mente. Feito merda (sim, se fala merda neste blog). Mas quem sabe isso adube alguma coisa…

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Versos: Atirando no Sol

Ter esperança e mirar alto
Cair depois de um salto
Desacreditar na própria fé
E rir da mudança da boa maré

Acreditar por um momento
Que paciência é recompensada
Que esforço não é sofrimento
Mas a construção da boa morada

O tempo passa e nada nunca volta
Tudo só vai embora e mais longe
E o que se foi nas noites assola
O sorriso feio que se esconde

E aquela certeza que se tem
De que o passado ficou onde podia
E que futuro virá como sempre vem
E apesar disso o presente assovia
Pra buscar alguma companhia

São todos eles tiros no Sol
tão distante tão fascinante tão brilhante
tão quente tão presente
e tão ausente
quando chega a noite

E há quem atire à noite
Também no Sol sem saber onde ele está
A vida se faz e se cria por lá
Assim pensam os que atiram

Cegos pelo brilho
A dor ainda assusta
O frio condena
E as balas se perdem
Ao sol.

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Versos: A Espera

Estou aqui parado
Não sei bem o motivo
Só sinto que espero algo
Capaz de me dar alívio

As palavras escorrem;
Pensamentos que eram vivos
Aos poucos sempre morrem
Dando lugar a mais, e outro
Cada vez mais nocivos
E sem ouro

Ainda espero inutilmente
Porque eu sei que às vezes
Nem um período de mil meses
Será suficiente

Mas a espera me prende
Sufoca e me faz ausente
Na minha falta, falto eu
E ali no chão jaz perdido
Tudo o que ninguém perdeu:
Um tal dia mal vivido
Que pensei ser só meu

Morre agora outro minuto
Na espera que faço em luto
Pelo minuto anterior
Que morreu sem meu amor

Pela mais pura cortesia
A vida me dá outra hora
Sabendo que ela não alivia
Por ser apenas mais tempo
Lembrando que joguei fora
Todo o tempo que eu tento
Ter de volta agora

Ao olhar o que conquistei
Enxergo o que me falta
Sou ingrato, isso eu sei
Mas o futuro está em pauta

Espero por um momento
Que penso ser nobre
Mas que é tão pobre;
Não acredito no vento
E ainda assim finjo
Ser capaz de ver a brisa
Que chega com afinco
Sem ver onde pisa

“A coragem não está lá fora”
Tantos já tentaram me dizer
Penso que ela já foi embora
E sabe-se lá se vai me ver

Presenteei-me com o presente
Agora aguardo outro, diferente
Sem perceber ele vem do passado
E que o futuro fará ser passado
O que hoje é presente


Se o mundo pudesse apenas pintar de branco
Aquilo que é bom
Qual seria a cor do homem
Que o azul acinzenta e o verde destrói?

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Muito a dizer, pouco para falar

Considerando a data do post anterior, posso começar este aqui com aquela velha história sobre estar muito ocupado, mas é uma meia-verdade. No fim das contas, todo mundo arranja um tempinho para aquilo que quer fazer. E se eu quisesse de verdade escrever nesse blog, provavelmente teria arranjado tempo. Tanto que, exatamente agora, em semana de provas e trabalhos, cá estou a digitar*.

Se eu precisasse só de tempo.

Além de tempo, é preciso de um assunto e saber como abordá-lo. Verdade seja dita, tenho muitos assuntos, mas poucos que podem ser colocados em um espaço público como este.

Meu post anterior foi breve, mas, para elucidá-lo, digo que passei por uma grande mudança na minha vida. Saí da cidade onde cresci — e na qual só não nasci porque ela ainda não existia na ocasião — e fui (vim?) para uma cidade cem vezes maior. É um passo grande para uma pessoa como eu. Ou, melhor dizendo, foi um grande passo para mim.

Não fossem as pessoas tão diferentes, eu adoraria, nesse momento, compartilhar o tanto de coisas que aprendi. Mas sinto que seriam mesquinhas aos olhares de uns e desnecessárias diante de outros; isto aquelas que eu poderia codificar em palavras, que são minoria. Por outro lado, creio que reside em cada um de nós o desejo de descobrir um pouco mais sobre nós mesmos todos os dias, não só porque isso é legal por si só, mas porque, quando a gente entende o que nos faz funcionar, nos tornamos capazes de lidar melhor com aquilo que nos aflige.

Sendo assim, já senti em muitos dias que fazer o que eu fiz era exatamente o que eu precisava para aprender muitas coisas sobre mim mesmo. E para alguém que pensa e repensa as coisas, e até a vida em geral, e com detalhes, como é meu caso, informação desse tipo ajuda e muito na hora de desatar uns nós e demolir alguns labirintos.

Paguei um preço alto por isso (literalmente, inclusive). Deixei uma vida muito simples e tranquila para trás. Mas era uma vida inerte que, deixada como estava, iria prolongar um estado de espírito que na verdade era incapaz de se sustentar. É por isso que posso dizer que fiz a coisa certa; no fim, minha incapacidade de me resolver onde eu estava me expulsou de lá, por mais que, talvez, lá fosse um lugar melhor.

O fato é que cresci como ser humano, e um ser melhor vive melhor mesmo em condições inferiores.

* Permiti a mim mesmo essa regalia porque tive dois dias muito produtivos. Sem remorso.

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Maringá and bazinga

E assim Maringá/PR recebe um nerd e Pareci Novo perde 0,03% da sua população.

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O homem e a ponte

Luzes artificiais penetravam os olhos daquele homem, enquanto o dia passava a ser o próximo. Vagarosamente e com as pernas frouxas, andava sem delicadeza ou rumo algum. Ele poderia dizer que assim também era sua vida: frouxa, lenta e sem rumo. Ele sabia, porém, que não poderia culpar ninguém exceto a si próprio. E assim, seu senso de justiça trouxe a sentença mais óbvia que conseguiu, até onde vão os limites da obviedade: punir o responsável.

E com esta finalidade, o homem ali se encontrava. À sua frente, luzes. Atrás, outras, tão ou mais brilhantes. Do seu lado, ainda outras luzes, móveis. A rodovia. E água. Assim percebia o mundo, embora o horizonte parecesse inquieto – uma mera consequência do ritual de preparação para o que decidira fazer. De repente, um zunido.

“Vê se olha por onde anda!”, berra o motorista de um caminhão pela janela. Chovia, mas não o suficiente para se precisar de um guarda-chuva. Agora, que um veículo acabara de jogar uma poça d’água em sua direção, o homem clamava por roupas secas. Mas nem as precisava, e sua crença não resistiu muito frente à realidade que o envolvera. Caíra, e agora podia sentir novamente seu joelho, ou pelo menos a dor que se fazia presente nele.

Era o momento de realizar o julgamento, mas ele queria mais tempo. Naquele instante, o homem, que tanto queria acabar com o tempo, sentiu a paz de ter para si todo o tempo do mundo. Virou-se e viu os carros, frenéticos, apressados, incessantes, poluidores e barulhentos. Virou-se outra vez, para a água silenciosa. Fitou-a e sentou-se, seu joelho dolorido e suas pernas frouxas agora livres no ar. O horizonte continuava inquieto, mas o rio abaixo dos seus pés mostrava-se inofensivo.

O homem procurava o medo. Sentir a adrenalina injetar-se em seu sangue, pelo menos o suficiente para fazer seu coração bater de tanto querer a vida. Planejou esse momento para isso. Mas encontrou justamente o que não esperava achar: a paz de quem, afinal, nada mais necessita, e para quem a infinidade do tempo não rouba o que há de precioso na finitude de cada segundo.

Achara tudo onde pensou não haver nada. Mas essa é a realidade. A realidade que seres humanos se enganam.

Os minutos davam boas-vindas às suas colegas, as horas, que chegavam cada vez mais rápidas, mas isso não perturbava aquele homem. Porque nem todas as luzes que achavam o caminho até seus olhos eram ainda artificiais. O céu estava mais limpo, embora ainda negro, e agora via-se a lua branca. Algumas estrelas também, mas não o bastante para serem incontáveis, ele assim percebeu, o que as tornava menos interessantes do que da última vez que prestara atenção nelas. Mas não era capaz de ter certeza, porque isso já devia fazer uns vinte ou trinta anos.

Ele seria mais feliz se tivesse comprado uma luneta. Quando criança, pediu várias vezes aos seus pais. Tornou-se adulto e fingiu esquecer. Coisas de criança não poderiam ser tão importantes assim, pensara. Queria-a mais do que nunca, se dissesse a verdade. Mas as pessoas, ele também percebeu, costumam mentir.

Ali, contava uma mentira pra si mesmo. Dizia que a ponte era o que lhe daria a punição por tudo que fizera de errado no passado, levando ao hoje que ele sentia ser tão medíocre. Não; a coragem para continuar vivendo no que construíra era mais exigente, e ele estava tomando a decisão mais simples para si mesmo. Nada seria consertado e, depois do que pretendia fazer, não poderia mais participar do conserto, sendo este possível ou não. Mas de onde poderia vir a coragem para dizer a verdade a si mesmo?

Jogou-se, absorvido na mentira. O ar o fez sentir ainda mais vivo. Finalmente, o medo. Ele chegou, tarde, mas chegou. Trouxe junto o arrependimento, ainda mais tardio, tanto que nem chegou a tempo de se fazer notar. Na impossibilidade de viver outra vida, escolhera ter nenhuma. Enfim.

Sentia a água em seu rosto. Chovia muito forte, e todo seu corpo estava ficando encharcado rapidamente. Olhou para o lado. Grama verde. Dormira num banco colorido da praça num dia de inverno. Que sonho bom tivera para uma tarde, pensou. O privilégio de morrer e continuar vivo é para poucos. Qual dor era tão importante que precisava ser deixada para trás e assassinada em um sonho ele não mais sabia; morrera, e nada mais tinha a perder.

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Versos: A Menina e o Céu

Como rabiscos no ar
Riscando o céu escuro
Panfletos coloridos a voar
Sobre calçadas e muros

A rua antes deserta
Recebe uma menina
Ela sabe que é esperta
E seu olhar não desafina

Fita o céu por um instante
Sentindo no rosto a brisa constante
Que confunde seus cabelos
Com o rubi de preciosos vermelhos

Todos estavam ocupados demais
Ou talvez apenas desatentos
Para perceber a beleza por trás
Daqueles breves momentos

Então, o oceano negro sem pudor
A observa sem compromisso
Os dois juntos fazem amor
E nela se vê um belo sorriso

No céu aparece outra estrela
Uma mancha brilhante na escuridão
Mas ninguém mais poderá vê-la
Exceto a menina na rua em solidão


Ideia original de Fernanda S. F.

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Brevíssimo desabafo

O Firefox 3.5 está uma droga. É o pior navegador que uso desde o Mozilla 1.7. Aquele que nem mais iniciava no meu PC.

Das travadinhas aleatórias ao congelamento total. Não que eu não seja exigente — exijo muito do navegador. Mas versões anteriores costumavam funcionar melhor.

Só torna o Chrome uma opção mais interessante a cada dia. Se tivesse um Flashblock, já era.

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