A compreensão do que escrevo

Escrevendo o último texto aqui publicado, Palavras Escolhidas, reparei o quanto do que coloco nesses versos é para minha própria memória. Talvez nessas partes tudo pare de fazer sentido para outros leitores (se é que outros leitores).

Normalmente eu iria preocupar-me em escrever de outra forma, de maneira a permitir uma comunicação melhor. Mas, nesse caso, prefiro que continue assim. Gosto de ver, no próprio texto, o motivo que me fez escrevê-lo, embora de uma maneira bem indireta.

É verdade que isso entra como ruído na mensagem principal, mas creio ser uma boa troca. Dos 220 textos que escrevi até hoje, meros 32 foram publicados neste blog. Muitos desses outros teriam mais ruído do que mensagem para um leitor que não eu mesmo, acredito. Então o que está aqui já é o que considero melhor nesse sentido.

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Versos: Palavras Escolhidas

I

“Bom dia…!”
Diz à noite que vai embora
O homem que não queria
Jogar seu tempo fora

Ele quer fazer um dia bom
Sem esperar que ele o seja;
Apreciar da água até o tom
E ir além do que almeja

II

A solidão que os prédios pariram
Terminaria no apartamento vizinho
Não fosse a existência do vinho
Que eles nunca dividiram

III

E mora no silêncio a essência
De tudo que já foi dito por nós
E que será dito por outra voz
Em nossa ausência

Porque ao falar dizemos mais
Pelas palavras não escolhidas
E há coisas sobre as quais
Só pensamos quando
Esgotaram-se as tentativas
De fugir sem pranto

Busquei por um momento
Ser coerente
Indo em frente
Embora mais lento

Mas de pouco vale a coerência
Se não há ninguém por perto
Que possa validá-la

Naufragando nessa carência
Não debato o errado ou o certo
Nem a dor que ela embala

Nesse mar eu aprendi a nadar
Sobrevivo e respiro desse ar
Mas é bem verdade que a sorte
Poderá um dia ser mais forte

Como a desconheço
Pensei até tê-la visto
Em um ser bem quisto
Que vale meu apreço

Ah, pois
Foi um engano
Grande e insano

“Eu já sabia” – cai diploma de jornalismo

Previsão: Diploma de jornalismo cai – 21/08/2008

Maioria dos ministros vota pelo fim da exigência de diploma para jornalista – 17/06/2009

O blog da Petrobras e a credibilidade

O blog Fatos e Dados da Petrobras chegou criando polêmica e inquietando jornais e jornalistas.

Para quem não acompanhou a história, o blog é mantido pela assessoria de comunicação da estatal. Eles estavam publicando as perguntas que os jornalistas enviavam à companhia, juntamente com suas respectivas respostas. O conteúdo era publicado imediatamente após ser enviado pela empresa ao jornal, inicialmente, mas agora o blog está esperando a edição e publicação da reportagem antes de soltar as informações.

O colunista do iG Claudio Abramo descreveu muito bem as razões para a polêmica. Primeiro, os jornais eram prejudicados porque a concorrência poderia saber o que estavam investigando. Segundo, a publicação diminuía o valor-notícia da reportagem final. Como o próprio Abramo previu, a empresa já recuou um pouco, e agora publica as perguntas e respostas apenas após a reportagem.

Eu não tenho a intenção de discutir ainda mais esse lado da polêmica. Não vou dizer que não há problema nenhum em termos mais uma fonte de informação — na verdade, há: temos mais uma fonte para filtrar. É verdade que as demais podem não ser tão confiáveis quanto deveriam, mas a presença de mais informação na rede não significa que os cidadãos estarão melhor informados. Na verdade, podem estar simplesmente mais confusos. Mesmo assim, não posso me opor ao blog.

Mas o que queria dizer é que estou um pouco surpreso, senão assustado, pela suposta credibilidade da assessoria de comunicação da Petrobras. Suposta porque não sei se consigo sequer confiar nos comentários que estão no blog. Quem garante que eles não são forjados ou filtrados?

Talvez a crítica mais interessante que vi nos comentários do blog, que invariavelmente defendem a Petrobras, é aos jornalistas da grande mídia. Não lembro bem como era, mas mencionava inclusive o curso de jornalismo. Será que este comentarista não percebe que quem mantém o blog da Petrobras são também jornalistas, ou, pelo menos, profissionais da área de comunicação?

As pessoas nunca tiveram que lidar com assessorias de comunicação. Qualquer leitor da Folha de S.Paulo raras vezes deve ter lido um release1 cru, isto é, que não passou pelo menos por uma edição. (Não posso dizer o mesmo sobre leitores de jornais locais). As assessorias, sim, distorcem e omitem fatos, ainda mais do que os jornais.

Acho no mínimo engraçado que o blog seja chamado de “Fatos e Dados”. Nesse caso, nem os fatos nem os dados significam o que parecem significar.

Por exemplo, nesse post onde a assessoria “refuta” uma reportagem da FSP, lemos:

Os contratos celebrados pela Petrobras atendem ao Decreto 2745/98, que norteiam os procedimentos licitatórios da Companhia, de acordo com a Lei do Petróleo (Lei 9478). Não compete à Petrobras buscar saber se há ou não relações, supostas ou verdadeiras, entre os proprietários de empresas contratadas e quaisquer partidos políticos ou governantes.

Em tese, a empresa está dizendo “estamos seguindo a lei”, o que soa muito bem. Na prática, ela está reafirmando que faz algumas aquisições de produtos e serviços sem licitação, porque é exatamente isso que o referido Decreto permite. Na verdade, para entender isso, você teria que ler o extenso texto do regulamento — e o fato de a Petrobras não resumir ou explicar o decreto, para que o leitor saiba o que ele significa na prática, é típico de assessoria de comunicação. Se explicasse o conteúdo do decreto não iria ficar tão bem quanto “estamos seguindo a lei”, porque a própria lei, nesse caso, dá brechas para abusos.

Em seguida, vemos:

A Petrobras pauta a escolha de seus fornecedores pela legalidade e pela capacidade de executar o trabalho para o qual eles estão sendo contratados. Nosso entendimento é que a da Folha de São Paulo, ao destacar parcialmente as explicações da Companhia ou criar títulos de ambigüidade indiscutível, reflete uma opinião deslocada de fatos.

Ninguém espera que a empresa admita que favorece qualquer partido político. O objetivo do jornal é justamente denunciar um caso em que houve uma clara preferência à militantes de um partido, porque se espera que essa não seja a conduta preferencial. Se fosse, nem seria notícia.

E se outros contratos foram ou não firmados em condições semelhantes, isso não cabe ao jornal afirmar — ele apenas pode dizer o que descobriu, e o que descobriu não deixa dúvidas de que pelo menos R$4 milhões foram direto para militantes do PT, sem que nenhum serviço fosse prestado.

Jornais atacam, assessorias se defendem

De modo geral acho estranho que uma assessoria de comunicação, paga para dar uma versão do fato que sempre favoreça a empresa, tenha mais credibilidade do que o jornal, que deve fazer justamente o oposto.

Há quem diga que as perguntas dos jornais, como reveladas pela Petrobras, demonstrem uma certa agressividade. E como devia ser? Os jornais não estão aqui para puxar o saco do governo, ou de qualquer empresa estatal. Pouco importa o valor dos lucros, se parte do faturamento está sendo desviado para atender interesses.

Se isso é motivo para argumentar pela privatização da Petrobras? Não creio. Empresas privadas fazem lobby e financiam campanhas abertamente. A Petrobras privada com certeza também o faria. E ninguém veria nada de errado nisso. Privatizá-la não iria impedir que o dinheiro da empresa chegasse aos partidos, e nem penso que a privatização seja a resposta para qualquer outro problema que a empresa possa ter.

Acredito que é preciso deixar de lado essas conclusões exageradas, e analisar cada fato e acontecimento dentro do seu espaço. O fato que temos é que uma verba da Petrobras foi desviada para o PT, e que isso foi descoberto pela própria empresa (coisa que a Folha informou). Se isso é o procedimento padrão por lá? Espero que não, mas esperar que a imprensa alivie sua combatividade simplesmente porque a Petrobras é uma estatal “de resultado” é uma posição, no mínimo, impensada.

  1. Textos-notícia extremamente tendenciosos, pró-empresa que contratou a assessoria para escrevê-lo.

Coisas que um nerd aprende (sobre música e idiomas) no fim de semana

  • Arquivos de MP3 podem possuir três tipos de tags: ID3v1, ID3v2 e APEv2
  • O ID3v2 pode ser ID3v2.3 ou ID3v2.4
  • O ID3v2.3 pode ter caracteres ISO-8859-1 (nossa codificação predileta aqui no ocidente) ou UTF-16 (formato Unicode incompatível com ASCII))
  • Enquanto isso, o ID3v2.4 padronizou o uso de UTF-8, formato Unicode compatível com ASCII
  • O Windows Vista, na leitura de pastas dele com músicas, parece não entender ID3v2.4 com UTF-8. Ele lê como se fosse ISO-8859-1. Ou seja, “????” com caracteres não-ASCII
  • O Windows Media Player idem
  • O foobar2000 tem um bug que, em alguns casos, faz ele “taguear” o número total de faixas com duas barras em vez de uma (1//14 em vez de 1/14)
  • O comportamento acima confunde o Windows Vista — “????” [2]
  • O GNOME no Linux é totalmente confuso a respeito de quais tags ler, e o CentOS 5 não lê caracteres orientais “out of the box”
  • O Vista lê caracteres orientais na instalação padrão, e inclusive vem acompanhado dos IMEs necessários para digitar na maioria dos idiomas
  • O mp3Tag é bom pra caramba!

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Lenovo: duas compras, duas experiências

Indignação e raiva. São duas palavras que mais ou menos resumem o que senti durante minha primeira compra na Lenovo Brasil. A Lenovo, para quem não conhece, é a empresa que adquiriu a divisão de desktops da IBM. (Quem não conhece a IBM, vá ler outro blog, sério.) Surpreso e satisfeito. É como me sinto agora após uma segunda compra lá.

Justificando. Precisava trocar um computador velho aqui, que era usado só para internet e edição de texto. Ou seja, não precisava ser uma máquina fabulosa, apenas qualidade para não dar mais problema que a velha. O preço era importante também, lógico.

Fiquei durante semanas de olho nas ofertas de seminovos na Dell. Quando finalmente uma lista apareceu, havia um bom PC com 2GB de RAM, Pentium Dual Core e monitor 17″ LCD por R$720. Bom negócio. Mas até eu enviar um e-mail, já havia esgotado o estoque.

Desde então a Dell não publicou nenhuma lista de equipamentos seminovos — não que eu tenha visto, pelo menos. Mas em dezembro, a Lenovo colocou diversos computadores em oferta. De natal, diziam. Adquiri um desses computadores.

O PC foi adquirido no meio de dezembro, e deveria chegar aqui 30 dias depois. Mas tudo atrasou. Até o boleto, que deveria ter sido encaminhado pela Lenovo dentro de três dias úteis, chegou em cinco. E a confirmação do pagamento, que deveria ter ocorrido em seguida, também demorou. A máquina adquirida na metade de dezembro chegou apenas no início de março. Se isso não fosse o bastante, veio ainda com uma nota, equivocada, que dizia que eu deveria “devolver” um “volume”. Levou mais um dia para o pessoal da transportadora descobrir que era um engano.

Jurei para mim mesmo que jamais faria outra compra na Lenovo. Porém, não esperava que o equipamento adquirido lá — um desktop ThinkCentre, equipado com um Sempron LE 1150 2GHz e 1GB de RAM — fosse de uma qualidade tão excepcional. Silencioso, com ótimas ferramentas de manutenção. Sem contar o Windows XP Professional original, os três anos de garantia e as duas saídas VGA, incomum para um PC que custou apenas R$550.

Recentemente, a Lenovo colocou em oferta alguns monitores. O modelo L193p (19″ 4:3 DVI), cujo preço de tabela é acima de R$1.100 1, estava sendo vendido por R$550, frete incluso, garantia 3 anos.

Resolvi comprar, com medo do que me esperava.

Mas as coisas foram bem diferentes. Desta vez, paguei com cartão. Em dois dias, o produto havia sido faturado, e o prazo de entrega que me deram, no dia 28/05, foi de 6 dias. Nessa segunda-feira (1º), exatos dois dias úteis depois, o produto chegou aqui.

A qualidade do monitor é a mesma do ThinkCentre que adquiri. A configuração padrão não apaga cinzas ou torna as cores excessivamente “vivas” de tal forma que tudo tenda ao branco, como outra marca de monitor que tenho faz. Ele também veio com a base instalada e com recurso de gerenciamento de cabos.

thinkvision-cabos
Gerenciamento de cabos no Lenovo ThinkVision L193p. (Foto: Altieres Rohr)

Na foto acima ele também está na posição vertical; além do ajuste de inclinação, ele também possui ajuste de altura e giro. Na faculdade, e na minha profissão também, eventualmente — se trabalhar com impressos –, terei que editorar ou diagramar páginas. A posição vertical facilita muito essa tarefa, porque o espaço da tela se assemelha mais ao que está sendo diagramado (a página). Em monitores Widescreen sem qualquer opção de rotação, fazer isso é uma droga (exceto se você quer ver duas páginas ao mesmo tempo, o que pode ser útil para ver o trabalho final. Mas estou usando o micro com dois monitores agora, então…)

Enfim, quase que eu iria escrever um post aqui no blog reclamando do meu primeiro atendimento na Lenovo. Mas, pelo visto, fui uma exceção da primeira vez, já que a diferença entre uma experiência e outra foi muito grande. Fico neutro, mas se vou comprar novamente na Lenovo caso alguma oferta me interesse? Certamente!

  1. Esse preço parece absurdo. Mas o UltraSharp equivalente, na Dell, custa R$929.

Todos sabem tudo. Ou não

O G1 resolveu fazer umas reportagens sobre o dia do orgulho nerd, que foi esta segunda-feira (25, cuja data é compartilhada com o dia da toalha). Participei com um depoimento.

O que me deixou um tanto decepcionado foram os comentários deixados no quiz e na reportagem com as nerds assumidas. Basicamente reclamaram que o quiz foi uma perda de tempo e que o repórter (Renato Bueno) não sabia a diferença entre nerd e geek.

O quiz nem vale a pena discutir. Mais uma vez o brasileiro mostra ser mal humorado ao não entender piadas óbvias como “Links são para os fracos”, “Mulher Melancia é a mulher ideal”, “computador sem internet não existe”, “leio o livro da lista dos mais vendidos”… Feliz de quem conseguiu rir com as perguntas do quiz, e também do resultado. Porque era pra ser algo divertido. De questionários “sérios” para ver quem é “nerd” a internet está cheia, e um é mais duvidoso do que o outro.

Já quanto à definição de geek e nerd, aposto que todos esses “entendidos” a respeito dos termos são incapazes de garimpar fontes e referências para sustentar qualquer que seja a definição que eles acham ser a correta. São míopes para o fato de que estereótipos variam de região para região, ainda mais de país para país, e que eles estão em constante metamorfose — unem-se e dividem-se, sem pedir permissão para ninguém. O tempo e o espaço é que mandam.

Se vamos falar de algo tão volátil, melhor nos preocuparmos menos na rigidez das definições. Elas se adaptam por natureza, são maleáveis. Exceto apenas se o erro for absolutamente grosseiro, não há problema. Aliás, nem há consenso sobre nada disso, mas há uma linha geral, que os textos seguem corretamente. Ir além disso é uma grande perda de tempo.

Feliz de quem não encara esse assunto sob a pretensão de saber tudo sobre ele. Ao meu ver, neste caso, isso sim é o verdadeiro saber. Embora eu seja suspeito para falar do pessoal do G1, deixo aqui meus parabéns ao Renato Bueno pela reportagem.

“Penso, logo existo” Reverso

trigun

Gostaria de fazer uma adaptação da reversal original, mostrada acima no excelente Trigun: Se você existe, prove: pense!

Vale mencionar que não é erro de tradução — ele realmente disse “alive”/”vivo” (ikite). Se o mesmo termo foi usado no mangá, ou se o paralelo com a famosa frase de Descartes foi intencional… não sei. De qualquer forma, achei a ideia legal e, portanto, registro-a aqui no blog.

Versos: Saudosismo Reverso

Já não há mais salvação
Que sirva à esperança
Construída sob pressão
Pela mente que se cansa

O sofrimento quer ir embora
Chama seu colega desprezo
Achando que só ele será
Capaz de achar um motivo coeso
Para não dizer que aqui mora

Mas também há outro visitante
Tanto ou até mais brilhante
Que usa seu brilho
Para ofuscar nossa visão
E fazer-nos olhar
Em outra direção

Ele chega entregando
O que diz não ser seu:
Um fabuloso presente
Chamado presente
Embrulhado em papel branco
Que ninguém leu

E foi assim
Que ganhei um outro mundo
E uma eternidade e meia
Sem pedir nem um segundo
De um futuro desconhecido
Que achei ter construído
Com a mais dura areia

Versos: Rei dos Animais

A moda é comprar
Comprar a moda
Dever por não pagar
À prazo ou prestação

Peles de animais!?
Não agrido a mata!
E nem sei quem mata
A sardinha da lata.

Também pouco importa!
Não peco por fechar a porta
Fingir não ouvir
E -VIVER- pelo devir

Sem vender minha alma
Tenho aqui toda a fauna
Na luva que cobre a palma
Da minha mão.

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Escrito um dia no ônibus indo para a faculdade…