Pessoal reclama de cobrir polícia ou celebridade porque nunca tentou entender como funciona um reator nuclear.
Arquivos do Autor:Altieres Rohr
Darci Pedro Selbach, 1929-2011
Meu avô (meu único, de fato, já que o outro faleceu antes de eu nascer) morreu na manhã deste sábado. Ele sofria de câncer de pele, Alzheimer e problemas cardíacos. Com o sistema imunológico fraco, teve uma grave infecção generalizada e não resistiu, falecendo no hospital da Unimed em Montenegro/RS.
Fica aqui algo em memória dele, que tanto contribuiu comigo com sua incansável boa vontade e histórias dos tempos em que ainda se usavam barcos e barcas no Rio Grande do Sul.
13/12/1929 – 12/03/2011 | Darci Pedro Selbach
Por que jornalismo?
Perguntaram no Twitter por que eu escolhi jornalismo. Não é uma pergunta que ouvi poucas vezes. Ouvi até de professores: “o que você está fazendo na faculdade de jornalismo?” No Twitter, respondi que não dava para responder em 140 caracteres, mas é mentira. Dá sim:
Se você pudesse continuar o que faz hoje, tendo apenas a garantia de pão na mesa, você faria isso até o fim da sua vida?
A decisão por jornalismo se deu graças à Linha Defensiva. Comecei o site quando ainda estava no segundo ano do ensino médio. No site, tive experiência direta com a publicação de notícias. Fiz, também, ferramentas de remoção de vírus, então tive uma mínima experiência também com programação e manutenção de PCs (observando e respondendo dúvidas no fórum).
É verdade que até esse ponto eu tinha estudado mais informática do que qualquer coisa. Os textos das primeiras notícias postadas eram como os textos de escola e não textos jornalísticos. No entanto, eu peguei gosto pela coisa. Descobri que poderia fazer uma cobertura legal e se fosse para a área compreendendo mais o assunto.
Fiz a mim mesmo então a pergunta destacada acima. Respondi um “sim” – descobri assim que gostava do que fazia, e que não precisava de nada mais. Sabia que a área do jornalismo ainda iria me reservar desafios – horários loucos, notícias que eu não gostaria de ter de fazer. Mas qualquer experiência, mesmo aquela inicialmente entediante, é válida para um generalista. É fato: o que faço de melhor é saber de tudo um pouco, ligar conceitos de áreas diferentes e aparentemente sem relação. Penso que isso é importante para um jornalista; eu posso estar errado, mas foi o que me fez acreditar que eu tinha algo para contribuir com a área.
Vale dizer que, em um teste vocacional que realizei, meu resultado deixou até o responsável pelo teste em dúvida. No fim, ele sugeriu Administração. Quando falei que gostava de informática, ele falou “ciências da computação, então”. Na época, eu disse que gostava de escrever – que queria escrever sobre tecnologia. Mesmo assim, ele jamais sugeriu jornalismo.
Creio que, se não tivesse feito jornalismo, deveria ter feito Arquivologia. Tenho uma ligação estranha com coisas antigas; sou um saudosista, um tanto neurótico com a duração das coisas e temo sentir saudade, por isso arquivo. Mas o jornalismo é um pouco disso também: quando escrevo, eu arquivo, registro. Foi essa linha de pensamento que me levou à fotografia.
Finalmente, tenho uma queda pela área de educação (fui professor de informática duas vezes). Vejo o trabalho jornalístico como uma maneira de auxiliar o dia a dia das pessoas, informando-as para que tomem decisões melhores e mais saudáveis, felizes. Gosto dessa parte didática e busco me esforçar para ensinar algo ao leitor.
Bem, esse tipo de post sempre soa como um egotrip. Mas eu pensei bastante antes de decidir pelo jornalismo e, até por isso, nunca pensei estar fazendo o curso ou o trabalho errado.
Grandes amigos usam o PC na mesma posição
(15:35:55) Renato: e ae
(15:35:56) Renato: como está
(15:36:03) Altieres Rohr: sentado
(15:36:07) Altieres Rohr: e tu?
(15:36:13) Renato: curiosamente, também
(15:36:17) Renato: geralmente é assim que uso PC
(15:39:42) Altieres Rohr: pra tu ver, é algo que temos em comum
(15:39:57) Altieres Rohr: por isso que nossa amizade resiste há tantos anos
(15:42:44) Renato: sem duvida
(15:42:47) Renato: se não fosse isso…
Em homenagem a todas as vezes você se achou mais parecido com alguém por conta de algo trivial que você nunca tinha comentado com ninguém ou só com a pessoa errada. Tipo, essas coisas que são mais comuns do que a gente acha que é, mas que não são tão óbvias quanto usar o PC sentado.
Sobre trilhas sonoras
Algumas coisas são parte de você, sempre foram, mas é difícil de percebê-las — até que um dia tudo faz sentido. Descobri que sou um apreciador de trilhas sonoras. Mas não trilhas sonoras de novela – essas que são meras coletâneas de músicas populares. Trilhas sonoras, na minha definição, são aquelas músicas compostas especificamente para um trabalho, cena, enfim.
Meu gosto por trilhas sonoras existe desde sempre. Lembro de alguns momentos da infância. Eu tive uma fita cassete da trilha sonora brasileira de Cavaleiros do Zodíaco. Em certa ocasião, tentei gravar Stickerbrush Symphony do Donkey Kong Country 2 com um gravador de fita (na época eu nem sabia que esse era o nome da música, mas chegava a deixar a fase aberta só para ouvi-la). Quando vendi meu Super Nintendo, eu anotei o nome dos meus jogos ouvindo a abertura de Killer Instinct, porque não queria esquecer nem o nome nem o som. É claro que eu não sabia que hoje seria tão fácil ter acesso a essas coisas – a época era outra.
Meu maior fascínio reside exatamente nas trilhas sonoras de games e desenhos japoneses – em parte porque são as trilhas mais elaboradas. Por exemplo, a trilha sonora do Final Fantasy VIII para Playstation tem 4 CDs de áudio. No Super Nintendo, existe até um fator técnico que impressiona: as trilhas precisaram ter no máximo 64 KB, porque esse era o limite de memória do chip de som. Para isso, elas precisavam usar um número limitado de sons programáveis no chip. O chip de som do Super Nintendo era muito superior ao do então concorrente Genesis (Mega Drive, no Brasil). Abaixo os vídeos, da versão de Rock’n'roll Racing do SNES e do Genesis (o importante é a música, então a versão do SNES achei um sem o vídeo do jogo para carregar mais rápido).
O que é interessante dessas trilhas é que, assim como Paranoid foi convertida para um som de videogame, o inverso também pode acontecer. Tem um francês no YouTube que faz isso com várias músicas:
Mas o que há de mais interessante nas trilhas sonoras é que elas precisam ser compostas para passar uma emoção ou sentimento específico. Não basta ao compositor saber expressar aquilo que está sentindo na música – ele precisa saber criar qualquer sentimento, dependendo da necessidade daquilo que está fazendo; é músico e ator. Então compositores fazem uma música triste num instante e alegre em outro, enquanto trabalham em jogos ou animes completamente diferentes. Yoko Kanno, famosa compositora de trilhas de animes, fez uma música chamada Coração Selvagem. MPB. E também fez a trilha sonora do anime .hack//SIGN, que é eletrônica ambiente de vários outros animes, com muitos estilos1
De repente percebo – com razão ou não, já que músico não sou – que compor músicas de trilha sonora é realmente algo diferente de ser um artista que simplesmente interpreta músicas ou compõem aquilo que deseja. Vemos a clara dificuldade das bandas em manterem sua integridade sonora ao longo dos anos, quando a inspiração já não é mais a mesma. Mas compare todas as músicas de Save Room do Resident Evil – e é fácil ver que todas dizem a mesma coisa, embora existam dez anos de diferença entre algumas delas e compositores distintos. O consistente (e impressionante) trabalho de Nobuo Uematsu com a série Final Fantasy é conhecido por qualquer um que gosta de trilhas sonoras.
Ah sim, existem outras pessoas no mundo que apreciam trilhas sonoras. Caso contrário não teríamos o Video Games Live. Ou o gênero musical chiptune.
Chiptune segue – o 8 bit ainda vive. :)
- Kanno não compôs a trilha sonora do .hack//SIGN. Foi Yuki Kajiura. Mas Kanno compôs a trilha de animes de ficção científica (Ghost in the Shell, Cowbop Bepop, Turn a Gundam), drama/shoujo (Cardcaptor Sakura)
e RahXephon, que segue a linha do .hack//SIGN dito inicialmente (e motivo pelo qual me confundi; assisti RaphXephon recentemente).Uma informação errada atrás de outra. Quem fez a trilha de RahXephon foi Ichiko Hashimoto e a trilha não tem nada a ver com .hack//SIGN. De uma forma ou de outra, o trabalho de Kanno é sim plural. ↩
O menino do interior para o interior maior
Cem vezes maior. É a diferença entre um e cem. Entre 0,2 e 20. Entre São Paulo e a China inteira. E também a diferença entre Pareci Novo, a cidade onde eu morava, e Maringá.
É a diferença entre não ter ônibus urbano e ter aeroporto.
É a diferença entre não ter lanchonete (lancheria, como dizemos no Rio Grande do Sul) e ter um McDonald’s.
Entre não ter pizzaria e ter um delivery da Pizza Hut. Entre uma única locadora de vídeo quase escondida e várias salas de cinema. Entre morar na frente de uma igreja e morar na frente de uma faculdade. Entre não ter prédios com mais de três andares e morar no quinto andar.
É também a diferença de conhecer todas essas coisas e não conhecê-las, como quem estivesse passando por uma revolução industrial/urbana tardia, ciente que nunca soube como é viver como a maioria das pessoas decentemente urbanizadas vive, e passar a ter ciência que é mais ou menos isso que a maioria do mundo não africano conhece como “a vida” e que aquilo que eu vivi durante 20 anos é reservado para uma minoria.
Maringá tem 350 mil habitantes. Pareci Novo tem 3.500 e só diminui, aparentemente. Muita gente indo embora em busca de coisas que não existem na cidadezinha, enquanto a população idosa, estável, falece.
Não costumo fazer discursos pós-modernistas. Maringá não é uma aventura; é mais uma etapa, uma tentativa de me desprender um pouco de todas as coisas que tornam a vida cômoda. Mas a mudança também é conveniente, a seu próprio modo. Não posso deixar de mencionar que poder chamar um táxi e pedir um pizza pela primeira vez, ciente de que isso antes não existia no “meu mundo”, são sim experiências realizadoras.
O fato é que sinto sim necessidade de estabilidade, como as primeiras fases de um jogo de plataforma (costumava chamar de “primeiro mundo”) para o qual você retorna, lá do fim do jogo, para buscar vidas e outros power ups para que, só assim, você consiga vencer o chefão. Esse é o tipo de estabilidade necessária – a que fornece aquilo que precisamos para seguir em frente. Essas fases sempre trazem uma sensação de tranquilidade, como quem chega em casa depois de um dia difícil. Procuro isso.
São coisas que os videogames nos ensinam.
Por ora penso nisso tudo como uma etapa e tem sido uma experiência muito importante, em todos os sentidos.
Versos: Episódio XIX
E sob os pedidos de paz
A guerra se impôs
Entre os tchaus e alôs
Veio a solidão ao rapaz
Perguntar se estava bem
Enquanto ele caminhava
Ao abismo do qual era refém
O outro quis o proteger
Empurrou-o para longe
Longe de si
E mais perto da tragédia
Que estava para acontecer
O pulso firme só aumenta
O volume que escapa
Por entre os dedos
Feito feixe de fechadura
Quando venta
Assim o instrumento afinado
Elimina o ruído indesejado
E com ele as possibilidades
Da dissonância
A falta de conhecimento cega
À esperança um alguém se apega
Arrisca ajudar alguém, avança
Um sono violento, não descansa
Porém acorda para ver
Que o protegido está ferido
O irmão traído
O amigo perplexo
A esperança era sem nexo
O remorso fora impresso,
Reproduzido igual sexo
E estampado feito camiseta
De um coitado de muleta
Que arrancou sua própria perna
Tentando ajudar o outro
A caminhar sozinho
Em homenagem ao fascinante episódio 19 da série de anime RahXephon.
Previsão por MD5 – resultado
Preciso dar um update na previsão por MD5. Eu estava errado. :(
Aviso aos corajosos leitores
A todos os três leitores desse blog que assinam o feed e conhecem o site o suficiente para estranhar alguma mudança, um aviso: iniciei um trabalho de conclusão na faculdade que consiste em refazer um site. A plataforma que escolhi é o WordPress, e estou fazendo o tema em cima do Thematic Framework, usado há um bom tempo aqui no blog. Logo,alguns posts vão ter alguns recursos desnecessários ou estranhos porque quero conhecer o Thematic a fundo. Até o exercício de colocar anúncios foi útil para isso. O add_action() do WordPress ainda era um mistério para mim. Não mais.
Agradecemos a compreensão.
A Direção (hein?)
Dell Precision T3500 e monitor U2211H
Faz tempo que não atualizo e pensando aqui em um tema pensei em escrever brevemente sobre minhas aquisições recentes, o computador Dell Precision T3500 e o monitor acompanhante, o modelo U2211H — que apesar no 22 no nome do modelo tem na verdade 21,5 polegadas.
O Dell Precision T3500 não é um computador comum. E também não é caro por acaso. Além dos três anos de garantia mínima, comum a todas as ofertas empresariais da Dell, o Precision usa processador Xeon. Vale lembrar que o T3500 é o único Precision produzido no Brasil; os outros dois modelos, o Precision 5500 e o 7500, são importados. Continuar lendo