Não posso ter medo de altura
O caminho é longo
A descida rápida
E já sei o que esperar
Começo a cair
A gravidade a me puxar
Não há como resistir
Mas não posso me assustar
São bonitas e vermelhas
As telhas
Onde caio para escorregar
Em direção ao chão
Passo pela janela
Transparente
Vejo o rosto dela
De uma menina indiferente
E o que ela poderia mudar?
A TV ligada, o ar condicionado
Mesmo que eu pudesse gritar
Ela não poderia me ouvir
O chão está perto
Ao escorrer pela vidraça
Que se acaba
Não acaba minha desgraça
Logo volta o sol
É verão. É sempre assim.
Novamente vou subir
Para amanhã, em outro lugar, cair.