A crítica

Nos comentários, no e-mail, recebo elogios. E críticas. Em outros ambientes, também. Sugestões disso e daquilo, às vezes contrárias umas as outras, e se faz necessário escolher um caminho a seguir. Costumo dizer que meu leitor é meu patrão. Há um leitor que sabe mais sobre cada assunto que escrevo, e preciso informar o internauta que não sabe ao mesmo tempo em que respeito aquele que sabe mais do que eu. Mais ainda, preciso dar ouvidos àquele cidadão que acha que sabe, porque, às vezes, posso acabar pensando que ele só acha que sabe quando na verdade ele sabe mesmo. A decisão de ignorar ou não uma crítica de alguém é sempre complicada: posso estar ignorando a crítica errada.

Como jornalista, meu trabalho precisa — por função social — ser de interesse público e — por necessidades do mercado — interessar ao público. O público não tem uma voz unificada, de tal forma que é realmente difícil ouvi-lo na maioria das vezes.

Digo isso apenas para desabafar como é estranho receber críticas e elogios tão diversos, às vezes em curtos espaços de tempo. Em um dia dizem que gostaram do que você escreveu, no dia seguinte você precisa lidar com gente dizendo que simplesmente não te entende. Cresce a consciência de que a culpa por não entender algo é do jornalista e não do leitor e isso contribui ainda mais. Os leitores agora têm voz, acessível logo abaixo da sua produção, pronta para influenciar outros possíveis comentaristas.

A crítica faz parte da vida de todos, sim. E mesmo sabendo que ao escolhermos um caminho fechamos a porta para outros — de modo que não posso viver na pele de todas as outras pessoas –, creio que jornalistas ainda precisam lidar com a crítica um modo mais corriqueiro. Em qualquer profissão você pode ser criticado (ou elogiado) pelos seus colegas, da empresa ou fora, pelos seus chefes, etc. Mas o jornalista, não. O produto jornalístico mais nobre e pessoal sempre carrega consigo o nome do seu autor. É diferente, por exemplo, da embalagem de um biscoito: tem a marca, mas não o nome do responsável pela receita, pelo pacote…

No jornalismo, cada um recebe crédito adequado. Imagens de fulano; texto de ciclano; pesquisa adicional e contribuições de beltrano. O leitor pode, com um mínimo de observação, saber a quem direcionar sua crítica. Encontramos coisas parecidas na música, no cinema, nas artes em geral, mas notem que nem o publicitário leva um crédito durante sua produção. E também não é porque jornalismo é arte – o desenho de embalagem também é, de certa forma, e nem por isso recebe crédito. Já a Tetra Pak sempre identifica as embalagens que fabrica, em um trabalho que é totalmente técnico. É apenas o padrão da indústria: estamos acostumados com o “Made In” mas nem tanto com o designed in.

E a crítica do trabalho jornalístico é ainda mais interessante porque pode ser feita todos os dias Não é um ou dois textos por ano. Um livro. Ou um novo disco. Todos os dias você produz algo novo, por menor que seja, e tal criação é sempre passível de elogios e críticas.

Todos se sentem muito aptos para criticar a mídia. “A mídia é uma merda” já é bordão. Frequentemente brinco que curso comunicação social só para poder dizer “a mídia é uma merda” com propriedade e ar de entendido. É uma pena que a maioria das críticas – mais do que os elogios – careçam tanto de especificidade, de modo a serem quase inúteis. Críticas ajudam bastante; há muito perdi a pretensão de estar certo, e receber uma crítica, para mim, é uma oportunidade. Uma oportunidade que se perde quando a crítica não consegue ser boa o suficiente para somar algo ao trabalho, mas apenas boa o suficiente para fazer o “crítico” sentir-se superior.

Versos: Egoísmo sem disfarces

Pois então o vento navegou
através do céu encoberto
por onde viu um choro incerto
de uma chuva que se naufragou
só por precisar muito cair

Agora nem sabe aonde ir
não tem mais seu egoísmo
nem o da chuva a lhe guiar;
para para ponderar
e por pouco despenca ao abismo
no qual já esteve tantas vezes.
A solidão ainda assusta
por mais que se a conheça bem
e o vento ali se pergunta
quanto é que custa
querer fazer bem

às vezes nada é muito claro
e para quem não olha direito
fica parecendo desamparo
mas é sim um grave defeito
de olhar em volta e não ver
nada além de uma história
em que se é um protagonista
sem esperança de glória
e que sobrevive às custas
das mais amargas desculpas
aos outros personagens

o vento não goza deste privilégio
ele olha em volta e não há imagens
quando vê por onde já passou
não há sequer um registro etéreo
dos lugares em que voou

tantos reclamam e a verdade sossega
fica no ar a mentira
enquanto o egoísmo cega
e a nuvem de chuva seca
junto das lágrimas;
as desculpas são insuficientes
a dor aflige, avança e atira
acerta um peito que se parte
e na parte seguinte há doentes
que aguardam carinho e consideração
obras primas de quem as deu
mas que o egoísmo prendeu
antes de deixarem sua mão

Versos: Atenção Dispensada

Ela fez o que queria
Na noite que ele temia
Bem do jeito que ela quis
Cometeu com a cabeça a mil
Um erro por mais de um triz
Que ele viu não ser vil

Ela chora por carregar culpa
E também por precisar chorar
Quis tanto pedir desculpa
Mas não aceitou se desculpar

Ele não negava esperança
E mesmo chorando quis esperar

O passado ninguém muda
Mas uma nova lembrança
Sempre pode ir no seu lugar

Assim ele pensou
Pois o orgulho dispensou
E pela atenção dispensada
Ela só lhe disse
Muito obrigada.

Essa coisa de mobilidade até que é legal

Sempre fui um frustrado no assunto celulares. Fui um dos últimos a ter um aparelho entre os amigos, na esperança de que meu primeiro aparelho seria um smartphone. Não foi o caso.

Tive um Nokia 6111. Para a época, ele tinha uma câmera boa (1MP). Mas ela era inútil para tirar qualquer foto que valesse a pena. Meu sonho de consumo era o Nokia 7610. Ao que hoje me consta, esse modelo nunca foi lançado no Brasil.

Depois, graças a uma promoção, peguei um Nokia 3120 classic. Um bom celular. Recomendo para qualquer um que queira apenas um telefone. Mas eu queria um smartphone: fuçar, instalar programas, ter Wi-Fi, GPS e espaço para usá-lo de MP3 player também.

Bem, agora isso mudou. Este post foi escrito em um N900: