Estou aqui parado
Não sei bem o motivo
Só sinto que espero algo
Capaz de me dar alívio
As palavras escorrem;
Pensamentos que eram vivos
Aos poucos sempre morrem
Dando lugar a mais, e outro
Cada vez mais nocivos
E sem ouro
Ainda espero inutilmente
Porque eu sei que às vezes
Nem um período de mil meses
Será suficiente
Mas a espera me prende
Sufoca e me faz ausente
Na minha falta, falto eu
E ali no chão jaz perdido
Tudo o que ninguém perdeu:
Um tal dia mal vivido
Que pensei ser só meu
Morre agora outro minuto
Na espera que faço em luto
Pelo minuto anterior
Que morreu sem meu amor
Pela mais pura cortesia
A vida me dá outra hora
Sabendo que ela não alivia
Por ser apenas mais tempo
Lembrando que joguei fora
Todo o tempo que eu tento
Ter de volta agora
Ao olhar o que conquistei
Enxergo o que me falta
Sou ingrato, isso eu sei
Mas o futuro está em pauta
Espero por um momento
Que penso ser nobre
Mas que é tão pobre;
Não acredito no vento
E ainda assim finjo
Ser capaz de ver a brisa
Que chega com afinco
Sem ver onde pisa
“A coragem não está lá fora”
Tantos já tentaram me dizer
Penso que ela já foi embora
E sabe-se lá se vai me ver
Presenteei-me com o presente
Agora aguardo outro, diferente
Sem perceber ele vem do passado
E que o futuro fará ser passado
O que hoje é presente
Se o mundo pudesse apenas pintar de branco
Aquilo que é bom
Qual seria a cor do homem
Que o azul acinzenta e o verde destrói?