Versos: Palavras Escolhidas

I

“Bom dia…!”
Diz à noite que vai embora
O homem que não queria
Jogar seu tempo fora

Ele quer fazer um dia bom
Sem esperar que ele o seja;
Apreciar da água até o tom
E ir além do que almeja

II

A solidão que os prédios pariram
Terminaria no apartamento vizinho
Não fosse a existência do vinho
Que eles nunca dividiram

III

E mora no silêncio a essência
De tudo que já foi dito por nós
E que será dito por outra voz
Em nossa ausência

Porque ao falar dizemos mais
Pelas palavras não escolhidas
E há coisas sobre as quais
Só pensamos quando
Esgotaram-se as tentativas
De fugir sem pranto

Busquei por um momento
Ser coerente
Indo em frente
Embora mais lento

Mas de pouco vale a coerência
Se não há ninguém por perto
Que possa validá-la

Naufragando nessa carência
Não debato o errado ou o certo
Nem a dor que ela embala

Nesse mar eu aprendi a nadar
Sobrevivo e respiro desse ar
Mas é bem verdade que a sorte
Poderá um dia ser mais forte

Como a desconheço
Pensei até tê-la visto
Em um ser bem quisto
Que vale meu apreço

Ah, pois
Foi um engano
Grande e insano

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