Eu sabia que o corpo era jovem
E que a dor se apagaria
Quando os fatos que não comovem
Trouxessem a calmaria
Eu fiz o que pensei ser certo
E errei enquanto não percebia
Um sorriso sendo coberto
Pela verdadeira alegria
Eu quis então me esconder
Mas senti-me em uma passarela
Desfilando sem me mover
Em meio à plateia cega;
Eu depois escapei
Saí correndo;
Para onde nem sei
Mas eu estava vendo
Mesmo nos dias em que chorei
Eu não procurei um dia triste
Mesmo assim o encontrei
Ele estava sentado em riste
No que parecia trono de rei;
Eu o olhei e perguntei
“Que governas, majestade?”
“Eu governo a alma
De quem pensou estar certo
E errou enquanto
Um rosto alheio era coberto
Do mais verdadeiro pranto”
Eu ouvi com certo encanto
Até pensei por um momento
Enquanto um vento
Ao seguir seu curso lento
Refrescava-me devagar.
O rei, então, prosseguiu
“Eu sei que parecerá mentira
Mas meus servos são voluntários
Decidiram isso para suas vidas
Quando criaram essas feridas
Em dias ordinários”
Eu sorri
Por um instante até agradeci
Por ele ter me explicado
Que este lugar aqui
Não é destinado
A quem cometeu os erros
Que eu cometi