Todos sabem tudo. Ou não

O G1 resolveu fazer umas reportagens sobre o dia do orgulho nerd, que foi esta segunda-feira (25, cuja data é compartilhada com o dia da toalha). Participei com um depoimento.

O que me deixou um tanto decepcionado foram os comentários deixados no quiz e na reportagem com as nerds assumidas. Basicamente reclamaram que o quiz foi uma perda de tempo e que o repórter (Renato Bueno) não sabia a diferença entre nerd e geek.

O quiz nem vale a pena discutir. Mais uma vez o brasileiro mostra ser mal humorado ao não entender piadas óbvias como “Links são para os fracos”, “Mulher Melancia é a mulher ideal”, “computador sem internet não existe”, “leio o livro da lista dos mais vendidos”… Feliz de quem conseguiu rir com as perguntas do quiz, e também do resultado. Porque era pra ser algo divertido. De questionários “sérios” para ver quem é “nerd” a internet está cheia, e um é mais duvidoso do que o outro.

Já quanto à definição de geek e nerd, aposto que todos esses “entendidos” a respeito dos termos são incapazes de garimpar fontes e referências para sustentar qualquer que seja a definição que eles acham ser a correta. São míopes para o fato de que estereótipos variam de região para região, ainda mais de país para país, e que eles estão em constante metamorfose — unem-se e dividem-se, sem pedir permissão para ninguém. O tempo e o espaço é que mandam.

Se vamos falar de algo tão volátil, melhor nos preocuparmos menos na rigidez das definições. Elas se adaptam por natureza, são maleáveis. Exceto apenas se o erro for absolutamente grosseiro, não há problema. Aliás, nem há consenso sobre nada disso, mas há uma linha geral, que os textos seguem corretamente. Ir além disso é uma grande perda de tempo.

Feliz de quem não encara esse assunto sob a pretensão de saber tudo sobre ele. Ao meu ver, neste caso, isso sim é o verdadeiro saber. Embora eu seja suspeito para falar do pessoal do G1, deixo aqui meus parabéns ao Renato Bueno pela reportagem.

2 ideias sobre “Todos sabem tudo. Ou não

  1. Tocando no assunto de “Dia do orgulho nerd”, eu queria perguntar: como assim? É tipo um dia do orgulho gay? Os nerds querem direitos iguais, como casamento entre nerds, e o direito de adoção? Esse é meu ponto, não faz sentido pra mim.

    Sobre a reportagem, preciso concordar que está muito bem escrita. Na parte da entrevista com as nerds, lembrei de outro blog, o Girls of War, muito bom também, sobre jogos.

  2. Fernando Cezar

    Eu acho que é uma brincadeira. Por um lado, ainda existe sim o preconceito e as noções de inferioridade — inclusive expresso em alguns comentários deixados lá no G1 também.

    Creio que, se esse dia ajuda os nerds a se integrarem, cumpriu seu papel.

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