Onde queremos chegar?

“Enquanto o mundo te cobra sempre um futuro
A lama e a gloria são a mesma bosta”

Violins – Entre o Céu e o Inferno

“Entre o Céu e o Inferno” fala sobre a indefinição do ser humano no sentido do bem e do mal. Todos temos capacidade para ambos. E é bem provável que nos localizemos em um campo “cinza” em vez de sermos divididos simplesmente entre o totalmente ruim (preto) e o puro e bom (branco). É no cinza, entre o céu e o inferno, que nossas ações e sentimentos estão.

Nossa incapacidade de atingir a perfeição garante a frustração contínua. Na lama e na — suposta — glória ainda estamos insatisfeitos. Queremos sempre mais, mas não sabemos quanto, e mesmo quando atingimos o que antes considerávamos ser o suficiente, vemos cada vez mais necessidades a serem atendidas, nossas exigências se elevam junto com o progresso, e o que antes parecia tanto agora já não é nem o suficiente. Também a pressão das outras pessoas sobre nós não é aliviada; se qualquer coisa, se potencializa com o sucesso, de modo que, se você simplesmente quer um pouco de paz, você será um covarde, como uma obra mal acabada.

Para quem está “mal”, a situação é idêntica, embora a pressão por melhorar seja simplesmente o desprezo por ele ou ela ser um “ninguém”.

Qual é a glória que procuramos? Onde queremos chegar, exatamente? Querer sempre melhorar é uma resposta, mas não é um objetivo finito – a perfeição é inalcançável. É, portanto, incompatível com outro desejo comum, qual seja, o de encontrar a paz. Enquanto há um conflito, uma inquietação, ali não não pode haver paz. (Se você conseguir conciliar isso, agradeço tutoriais passo a passo.)

Meu argumento é simples. Não há paz para ser encontrada no progresso. Uma corrida só acaba porque o número de voltas foi pré-estabelecido. O progresso — nosso, individual, ou coletivo, do mundo — nunca irá parar de “dar voltas”, e nunca poderemos dizer que algo acabou ou quem foi o vencedor, se não estabelecermos um objetivo.

Felizmente, não precisamos dar ouvidos aos objetivos (não-)estabelecidos dos outros. Mas então, onde cada um de nós quer chegar?

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