Acabei de instalar o OpenSuse 11. E agora, como sempre após a instalação de um Linux, é aquele momento de longa espera até que os downloads e as instalações de todos os softwares terminem. Pelo menos boa parte das minhas configurações ele importou, então é um estresse a menos.
Aproveito este tempo de total improdutividade para escrever um post que já está há algum tempo em minha cabeça. Pode parecer óbvio o assunto, já pelo título, mas gostaria de elaborar um pouco.
O desprezo é um sentimento como qualquer outro. Admiração, raiva, nojo. Mas o interessante é a tendência que ele tem de ser recíproco. Se no amor a reciprocidade é desejada e nem sempre aparece, no desprezo ela rouba a cena mesmo sem ser notada.
O cidadão que despreza outro por ele ser promíscuo demais, por exemplo, é geralmente desprezado pelo outro por ser estúpido, antiquado ou, como dizemos aqui, “quadrado”. Ou, ainda, “grosso”.
Fato semelhante ocorre com os nerds e outros párias da sociedade, que às vezes desprezam as outras pessoas por serem fúteis. Ao mesmo tempo, eles são desprezados por estas pessoas por serem estranhos, pouco sociáveis ou mesmo desprovidos de destreza manual ou de conhecimento do senso comum. Com isso, cada um permanece no seu canto, indiferente à opinião alheia (por desprezá-la).
Sendo assim, não é rídicula a hipótese de que o desprezo é, acima de tudo, um mecanismo de defesa contra ataques ao nosso modo de vida. Sem condições lógicas, coerência ou consistência para atacar uma certa atitude ou ponto de vista, resta-nos apenas o desprezo.
Não proponho a limitação ou opressão do desprezo, pois seria auto-censura e mais pareceria um dogma cristão. Mas não descarto a necessidade de uma reflexão: por que (eu) desprezo (o Outro)? Tenho motivos racionais para desprezar? É realmente impossível viver dessa forma ou ter essa opinião que desprezo?