Versos: Temporal[+]

Uma cicatriz brilhante
Mais rara que diamante
Sabe deixar-se ouvir
Sem se deixar sentir

Criação da tempestade
Se revela devagar
No campo ou na cidade
Sem nunca pestanejar

Em muitos só causa medo
Não sabe como chegar
História sem enredo
Que tão logo vai acabar

E que venha o temporal
Cujo tempo é pura pressa
Ferindo o bem e o mal
Enquanto o céu atravessa

—————————————–

“abandone toda a esperança,
aquele que aqui entrar”,
estava na vizinhança
da porta de um mundo vil
“Inferno”, segundo Dante;
Estranho é que lá em casa
– bem nos livros da estante –
O mesmo dito queima
e nem deixa brasa

E assim impera a pirataria e a comunicação virtual

Estive na cidade — porque aqui onde moro é um esconderijo — na quarta-feira. Tudo feito, nada para fazer, apenas esperando minha mãe voltar até que pudéssemos voltar para casa. Meu pai foi comprar um CD de música e eu aproveitei para ir junto. Afinal, onde moro não tem nenhum lugar para comprar CDs de música. Todos os últimos que comprei foram pela internet.

Chegando na loja, peço o CD novo do Los Vatos. “São gaúchos”, pensei, “certamente vão ter”. Mas o rapaz sacode a cabeça.

–Não, não temos.

Ok. Eles nem me dizem que podem conseguir, ou perguntam se eu quero encomendar. Mas eu não desisto:

–O que vocês têm de som independente?
–Não temos “som independente”, está tudo misturado.

Começo então a ver os CDs nacionais na busca de algo desconhecido e interessante. Mas a maioria era de bandas “grandes”: Engenheiros do Hawaii, Strike, Pato Fu, Nx Zero, ou de bandas maiores aqui no sul. A única que eu realmente não conhecia e que chamou minha atenção foi Estado das Coisas, selo Antídoto. Estando o disco fechado, não pude ouvir, mas questionei os atendentes, que disseram ser “rock gaúcho”. Ouvindo a banda agora, vejo que o rótulo não se aplica.

Vou-me então aos internacionais. Black Sabbath, Deep Purple e um monte de outras bandas clássicas, mas todas conhecidas. Tinha Dream Theater, que é interessante. R$33 a R$48. É bom, mas não estava disposto a pagar isso por Dream Theater, e não por um CD que não conhecia (o único CD deles que conheço bem é o último, Systematic Chaos, que não estava disponível). Enquanto “folheava” os CDs, meu pai pergunta:

–Por que não pergunta se eles têm o que tu tá procurando?
–Estou procurando várias coisas, mas são difíceis de achar, e qualquer uma me serve…

Continuo procurando, até que sigo o conselho e peço algo eu estaria disposto a pagar R$40, que fosse, pelo CD.

–Tem Katatonia?

A resposta foi obviamente negativa. Mesmo o Submarino tem apenas um box triplo com DVD, a R$1401. Mas se a esperança é a última que morre, estou certo: ali não sobrava mais ninguém.

Meu pai, porém, comprou um CD. Do Mano Lima. Já fora da loja, pedi para ver o CD. A capa fora obviamente impressa em jato de tinta de baixa resolução. O texto em WordArt, mesmo se não estivesse borrado, deixava claro que tipo de profissional havia criado a “arte”. Atrás, a lista de músicas estava impressa em um fundo branco, sem arte. Nenhum selo, exceto o ‘compact disc’. R$14 por isso?

Voltei à loja para reclamar. Perguntei qual era o selo do disco. O atendente então mostrou uma série de outros CDs da mesma “gravadora”, todas com a mesma “qualidade”: capa ruim, sem arte atrás. Porém, nos outros havia o selo, juntamente com o endereço e número de telefone do responsável. Agradeceu por eu ter notado a falta destas informações no outro disco e disse que iria comentar com a distribuidora.

Finalmente, tirei o plástico que envolvia a caixa. Sem arte no CD, nenhum encarte. Por baixo, o disco era verde com números em volta do anel central azul, o que significa que o mesmo provavelmente foi gravado em computador em vez de prensado2.

Acredito que o disco é legítimo, mas como manter as pessoas longe da pirataria se o produto físico é o mesmo e o preço não se difere do original? É muito diferente do SMD/Semi Metalic Disc, que busca abertamente ser uma alternativa à pirataria e tem um preço muito menor, competindo diretamente com o produto pirata.

A “revolução digital” poderia ter mudado muitas coisas nas vendas de CDs. Mas o sistema é o mesmo usado da última vez que entrei em uma loja, que se me lembro foi para comprar o Ruído Rosa, do Pato Fu.3 A não ser que talvez alguma loja em cidades de verdade, como Rio de Janeiro ou São Paulo, tenha revolucionado as coisas, a venda pela web — seja de CDs ou MP3s — já substituiu tudo, pois apresenta as capas dos CDs juntamente com trechos para qualquer um ouvir, além do espaço para comentários dos clientes.

Não seria difícil permitir que as pessoas fizessem o mesmo no catálogo da loja e seus distribuidores. DVDs com trechos de 45 segundos a um minuto das músicas poderiam ser distribuídos para as lojas, permitindo que os clientes ouvissem os CDs antes de comprar, inclusive obras que constam apenas no distribuidor, para fazer encomendas.

Existe um valor no ato físico, de entrar na loja, de ver o ambiente, de conversar com pessoas que entendem do assunto para lhe fazer sugestões — sejam estas pessoas atendentes da loja ou pessoas que estão olhando o mesmo catálogo que você.4 Mas tudo isso se perde quando o cliente não pode encontrar o que procura, não vê produtos de qualidade e, acima disso, preços abusivos.

De fato, você tem mais sorte se aceitar ter esta mesma experiência online. Ligue o SoulSeek, entre na sala do gênero que pretende explorar e faça perguntas, comente, envie mensagens particulares pedindo sugestões para quem conhece mais música de um gênero do que você. Perdi a conta de quanta música conheci por meio de sugestões que pedi e quantas pessoas conheceram músicas por meio das que dei. As lojas de música poderiam ser um ponto de encontro físico para pessoas assim e, se alguma ficar de pé até o fim do século, provavelmente o será.

A experiência nem é muito diferente quando o assunto são filmes ou livros. O sistema de comentários da Amazon tem substituído a interação de quem freqüenta bibliotecas, por exemplo. E então a leitura e as recomendações ficam, ao mesmo tempo, mais individuais e mais coletivas, no passo que são feitas dentro da própria casa, mas para várias outras pessoas do mundo.

Tem chance de a comunicação pessoal superar a virtual? Não em utilidade, não em profundidade, não em qualquer coisa que importe, a não ser a ótima sensação de estar conversando em pessoa. Ainda assim, quando vídeo+voz via internet estiverem disponíveis a qualquer um, a linha ficará ainda mais tênue.

Resta então continuar chamando quem posta em blogs de compulsivo e quem passa horas na internet de viciado. Rotular tudo como doença e jamais considerar que a rede tornou obsoletas certas formas de interação. Quer dizer, o que obtenho de conhecimento por meio da interação com usuários de SoulSeek eu provavelmente não poderia obter em nenhum outro lugar ao meu alcance, pelo menos não onde moro. Daí a migração das pessoas para as metrópoles, com seu crescimento vertical. Poderia dizer que o que motivou a criação dos grandes centros urbanos é o mesmo que motiva o uso da rede: encontrar mais facilmente pessoas que valorizem as mesmas coisas e pensam como você.

Poderia ser otimista e dizer: as pessoas vão se adaptar e conseguir trazer tudo isso de volta para o coletivo real, em vez desta “coletividade individual” da rede. Mas a regra do individualismo — e eu não uso essa palavra de forma pejorativa — e da economia está até mesmo reduzindo a população, inclusive em alguns estados brasileiros. Queria poder ver como a economia dos grandes países vai reagir com o declínio de consumidores. Pena que isso deve demorar demais, de modo que nem eu, nem este post ainda estará por aqui quando isso começar a acontecer.

Mas sendo otimista: quem sabe, até lá, as coisas não tomam outro rumo? Para terminar com um chavão, o mundo dá voltas5.

  1. Na verdade, com um real de desconto, para R$139.90. Ria. Eu prometo que rio junto.
  2. O anel central é quase sempre transparente em discos prensados.
  3. Este CD me ensinou uma importante lição a respeito dos singles ou “músicas de trabalho”. Na época, escutava a Rádio Atlântida, onde tocava “Eu”, a primeira faixa deste disco. Assim que comecei a escutar o CD, reparei que a música não era nada representativa dos demais conteúdos da obra. Decepção. E demorei para me recuperar e ter a coragem de comprar outro CD.
  4. Aliás, o que prova a falta de inteligência da loja em que fui, por não separar a música independente das demais, nem por gênero algum, colocando tudo em ordem alfabética.
  5. Na proporção de trezentas e sessenta e cinco delas em seu próprio eixo para uma em torno do Sol.

Mulher traída ganha indenização da amante do ex-marido

Título faz você pensar “mas que lixo que é o nosso sistema jurídico”, não?

Só que verdade sobre o caso não é tão simples:

Um telefonema, porém, mudou a vida da professora. Ela descobriu que estava sendo traída e a notícia chegou pela própria amante. Fátima entrou em depressão, e, desorientada, ficou sem o emprego.

(…)

Na sentença, o juiz condenou a amante a pagar indenização de 75 salários mínimos, ou seja R$ 31.125,00. Ele justificou a decisão com base nas ameaças que a amante teria feito contra a professora e no sofrimento pelo qual Fátima havia passado.

Uma coisa é você ser amante, outra é fazer telefonemas ameaçadores. A questão do casamento foi um agravante (e provavelmente foi daí que veio o valor da multa).

Ao telefonar, a amante provou — conforme a o juiz deve ter entendido — que sabia o telefone do casal; que sabia que o homem era casado; e que estava disposta a infernizar a vida da mulher para (possivelmente) forçar a separação. E conseguiu.

O advogado, ao pé da matéria, é citado falando em um “precedente” para o simples fato de alguém ser amante, mas não acho que seja o caso. Certamente algum advogado vai tentar isso, mas o mínimo que a defesa pode fazer é argumentar a respeito dos específicos desse caso, que é onde o verdadeiro problema mora. O adultério é um crime de quem o comete, mas infernizar a vida da pessoa traída — além da própria traição — é algo separado.

Na minha opinião, foi uma decisão certeira.

fravia+: Si sta / come d’autunno / sugli alberi le foglie

O magnífico fravia+ foi diagnosticado com dois tumores e está atualmente em tratamento, conforme revela o próprio. fravia+ diz não saber quanto tempo tem de vida, mas percebe que o “destino acredita ser mais forte do que ele”.

Fjalar Ravia — seu nome verdadeiro — é conhecido pela comunidade de engenharia reversa de software por ter criado um material-referência no hoje extinto fravia.org, embora mirrors do site ainda existam por aí. Ravia tem contribuído com descobertas e dicas na área de pesquisas web, buscando as melhores maneiras de encontrar qualquer coisa que já tenha sido colocada na rede. Completou 56 anos recentemente, no dia 30 de agosto.

É também um militante contra propaganda e protecionismo de software. Desde que se encontrou com Stallman em 2000, também tem adotado software livre (embora prefira o navegador Opera).

É um herói desconhecido, criador de um canto da web — searchlores.org — que provavelmente jamais será considerado pelo o que realmente vale. Mas o destino luta contra todos e sempre vence, como o outono sobre as folhas.

Postar em blog é compulsão, se for durante a lua-de-mel

Da Folha Online:

Atualização de blog em lua-de-mel indica compulsão, dizem especialistas

A vontade incontrolável de postar em diários virtuais em vez de viver no mundo real é vista por especialistas como um vício ou, no mínimo, compulsão pela internet. Ambos surpreenderam internautas na última semana ao atualizarem seus blogs em plena lua-de-mel.

O caso de Lucas foi o que mais repercutiu na internet: algumas horas após seu casamento com a cantora Sandy, o músico já havia postado suas impressões sobre a festa e prometia divulgar mais informações no decorrer do fim de semana.

Como alguém outro já disse (desculpe-me por ter esquecido da fonte): ler livros o dia todo é intelectual, ler na internet o dia todo é vício. Tudo que é feito na Internet parece ser vício. E se em vez de “atualizar blog” fosse “escrever diário”? Qual o problema?

Os especialistas adoram criticar as novas maneiras que as pessoas encontram para lidar com suas frustrações. Afinal, assim continuam com seu emprego. Filósofos passaram suas vidas escrevendo suas frustrações; artistas, pintando e atuando; poetas, versificando. E quem estava lá para dizer que eram doentes? Muito provavelmente, o eram. Mas encontraram uma saída diferente das demais pessoas, que também lidam com suas frustrações — muitas vezes por meio da religião. promiscuidade e outros meios.

Lide com o fato: postar textos na internet sobre assuntos e acontecimentos interessantes e ter retorno com isso pode ser mais legal do que você pensa. E isso não é errado.

Versos: O Preço da Sabedoria Pt. II

Na terra entre estes dois lagos
Pode haver uma cruel enchente
Mas destes evitáveis estragos
Só o ignorante se arrepende.

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Se é importante
Conta-me o que viste
Mas não chegues triste
Porque no mesmo instante
Meu ouvido desiste

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	se soubesse
o significado de tudo
	não saberia
o significado do nada

A não ser que tudo
	seja apenas nada

Ideologias, o cidadão perfeito e minha idéia de social-democracia

Tese: com cidadãos adequados, comunismo e neoliberalismo podem funcionar bem. Vejamos primeiro o comunismo.

Karl Marx acreditava que o comunismo seria um processo resultante da luta de classes. Mais cedo ou mais tarde, os trabalhadores iriam constatar que produzem as mesmas mercadorias que desejam possuir mas não podem comprar devido ao lucro do patrão. E então os patrões tornariam-se redundantes, juntamente com a idéia de propriedade privada.

É claro que a previsão de Marx não se tornou real ainda. E a operação e construção das máquinas de hoje, cada vez mais especializada, distancia-se significativamente da realidade em que Marx pensava que a revolução ia acontecer. Com a especialização substituindo a repetição, o trabalho não pode mais ser realizado por qualquer um e a relação empregado-empregador não é mais a mesma que daria início à “revolução segundo Marx”.

De qualquer forma, não tenho dúvidas de que o comunismo iria funcionar muito bem com cidadãos tão conscientes de sua posição econômico-político-social.

No neoliberalismo, a idéia é a liberdade de propriedade, de trabalhar e de comprar. A pergunta crucial, no meu entender, é: o que é e para que serve o dinheiro?

Creio que muitos vão responder que é uma recompensa pelo trabalho e um papel-moeda que se usa para obter alimentos, móveis, imóveis e outros bens de consumo.

No entanto, penso que o modelo neoliberal só pode funcionar se o dinheiro for visto como seu poder de voto na sociedade para moldá-la de acordo com o que você acredita ser certo. Na compra de um produto, portanto, dever-se-ia considerar não apenas a qualidade do que se vai comprar e o preço, mas também o histórico da empresa, suas contribuições sociais e a maneira como trata seus empregados.

O dinheiro não é, portanto, a recompensa pelo trabalho; daí o motivo pelo qual pessoas que trabalham menos podem ganhar mais. Em vez disso, o dinheiro é o poder de moldagem do futuro da sociedade, cedido aos cidadãos que a sociedade crê serem mais criteriosos em suas compras, por ter conhecimento ou status para tal.

Isto é, claro, o ideal. Porém, trabalhadores não atingiram ainda, e talvez nunca atingirão, a consciência que Marx pensou que atingiriam. E a fiscalização necessitada pela sociedade neoliberal para que as empresas corretas recebam o dinheiro que lhes é devido não passa de um sonho em uma noite recheada de pesadelos.

É simplesmente difícil demais que um cidadão leve em conta tantas coisas ao comprar uma bala, um chiclete ou uma Coca-Cola.

E o comunismo? Na prática virou um totalitarismo pseudo-populista que fracassou miseravelmente.

É por isso que me descrevo como social-democrata. Acredito nas forças do mercado, porém não acredito que elas sozinhas são capazes de se governar. Se precisamos de exemplos, basta ver a crise pela qual os Estados Unidos estão passando. No fim, mesmo os Republicanos precisam aceitar intervenção do governo para impedir que a economia do país entre em colapso.

Social-democratas costumam dizer-se da “terceira via”, nem de esquerda nem de direito; pessoalmente sou um centro-esquerdista na maioria dos assuntos econômicos, mas bem progressista na questão social e na crença no avanço contínuo da civilização e das ciências. Penso que monopólios naturais devem ser de posse do governo para facilitar sua regulamentação e que a prestação final do serviço deve ser alvo de intenso debate, se for terceirizada, e a concorrência realmente existir1.

A idéia com isso é deixar que as forças de mercado desempenhem a função que sabem – escolher o melhor custo/benefício final – enquanto exige um mínimo de qualidade de todos — por meio da regulamentação — para impedir que empresas irresponsáveis acabem ganhando a disputa.

Isto é mais fácil de ser dito do que realizado, mas sabemos muito bem quais são os setores com problemas e mesmo assim nada é feito. Agir rápido, uma vez descoberto o erro, é crucial. Negá-lo apenas tarda e encarece o inescapável conserto.

  1. Exemplo de como não deve ser feito: leilão Telebrás

Pastor: o LHC é um símbolo do orgulho humano

Hoje pela manhã um pastor fez seu “comentário” no rádio — no maior estilo “colunista”, como se tivesse credibilidade para isso –1 descrevendo o LHC. Achei que o pastor talvez falaria algo de bom sobre o projeto, que é resultado da colaboração intensa entre vários países diferentes.

Mas não. Depois de apresentar os números e custos do projeto, disse que o LHC é um “símbolo do orgulho humano” porque busca “entender como o universo iniciou”. Desnecessário, é claro, já que todas as respostas estão na Bíblia: “leia a Bíblia”, disse, “lá tem tudo que você precisa saber a respeito de onde você veio e para onde vai”.

Penso ser muito irônico alguém fazer um comentário assim no rádio, um veículo de comunicação que só existe devido à ciência por ele criticada. Se pessoas só lessem a Bíblia, ele jamais estaria fazendo esse comentário no veículo em que fez.

“É Deus que ilumina os cientistas para que façam suas descobertas!”, gritam alguns. Discordo. Como Darwin teria sido “iluminado” para descobrir algo que contradiz a Bíblia? Ah, mas ele mente, dizem os religiosos. É muito estranho, então, que apenas descobertas com as quais eles concordem sejam aceitas. As outras, inconvenientes, são de origem demoníaca.

Se as pessoas só lessem a Bíblia, ainda acreditaríamos que o Sol gira em torno da Terra, como diversas passagens bíblicas afirmam.

A pior parte foi quando o pastor disse que estão “tentando provar que Deus não existe” e que “nunca conseguiram isso” e “jamais vão conseguir”. Dois erros: eles não estão tentando fazer isso e eles nunca tentaram. A terceira afirmação é correta porque nunca se prova um negativo. Prova-se um positivo, como a existência de evolução das espécies. As consequências disto têm implicações no que está escrito na Bíblia, mas isto não é considerado como “prova” pelos cristãos (sem contar que interpretações da Bíblia variam mais do que a temperatura em Curitiba).

A outra pérola a respeito do LHC veio de um cristão espírita em comentário no site do jornal Zero Hora sobre os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul. Foi o LHC que causou tudo, diz. Como sei que ele é espírita? Veja você mesmo.

Pessoal, por favor, deixem a humanidade seguir em frente. Obrigado.

  1. Se um jornalista dissesse isto, seria linchado. Porém, como aqui é um pastor que está dizendo, reclamar é “discriminação religiosa”. E viva ao Flying Spaghetti Monster.