Pedofilia não é abuso sexual infantil

Na TV, usar “pedofilia” no lugar de “Estupro de crianças” ou “Abuso sexual infantil” é normal1. Este é um erro da mídia que vai ter conseqüências muito maiores do que simplesmente a troca de “cracker” por “hacker”, pois confunde uma condição psicológica com um ato criminoso.

Pedofilia é uma parafilia caracterizada pela atração por crianças que ainda não atingiram a puberdade. Mais especificamente, o pedófilo é mais atraído por menores de idade do que por adultos ou adolescentes. Pedofilia é a atração, o desejo.

Abuso sexual infantil explica-se sozinho. É o ato em si.

Um pedófilo não precisa, necessariamente, abusar sexualmente de crianças, assim como um homem adulto normal não precisa, necessariamente, estuprar mulheres adultas. É claro que, considerando-se que um pedófilo dificilmente vai encontrar uma criança que realmente queira ter relações com ele, praticamente todo ato sexual de um pedófilo motivado pelo seu fetiche será um abuso.

Porém, nem todos os casos de abuso sexual de crianças é praticado por pedófilos. Na verdade, a maioria dos estupradores de crianças não é pedófilo. Existem diversos estudos que dizem isso — não estou inventando nada.

Da mesma forma, nada proíbe um pedófilo de conter seu desejo e ter apenas relações sexuais saudáveis. A pedofilia só se torna um problema de verdade quanto o ato do abuso é realizado.

Para tornar pedofilia ilegal é necessário policiar pensamentos.

Nada contra proibir o crime de estuprar uma criança. Jamais. No entanto, isto não é pedofilia. Isto é sexo com crianças. Pedofilia é uma parafilia, uma desordem mental e não o ato — assim como depressão não é suicídio. É bem provável que estupradores de crianças tenham problemas mentais diversos — especialmente por procurarem um “parceiro” que não pode se defender –, mas não necessariamente precisam ser pedófilos.

Pedofilia é um problema, mas o que leva alguém a violentar e ignorar a vontade de outras pessoas é ainda outro problema.

  1. É bem verdade que os jornalistas precisam de sinônimos para não repetir a mesma palavra infinitamente, mas existem restrições! Não se pode apropriar-se de palavras “próximas” sem avaliar as conseqüências.
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6 Comentários

  1. Escrito 26/04/2009 em 23:14 | Permalink

    Mas pedofilia não é crime. A imprensa divulga errôneamente este termo. O que acontece é a tipificação de crimes que envolvem atos libidinosos ou conjunção carnal com menores, como os arts. 232 e 241 do ECA e arts. 214, 215 P.U. e 216 P.U.: “Se a vítima é menor que 18 e maior que 14″.

  2. Escrito 19/11/2009 em 21:13 | Permalink

    Caro Althieres:

    Como Bacharel em Jornalismo já pesquisei esse tema. Veja:

    (1) A pedofilia é uma doença mental e se refere à atração por crianças ANTES da puberdade ou de puberdade precoce (OMS, Classificação Internacional de Doenças CID-10, item F65.4).
    http://apps.who.int/classifications/apps/icd/icd10online/?gf60.htm+f654

    A atração ou relação com adolescente simplesmente NÃO É pedofilia. Isso é mentira da grossa e difamação pesada, e fere de morte todos os Códigos de Ética jornalísticos, que definem como preceitos fundamentais do Jornalismo a verdade e a precisão das informações. Na minha opinião, não é diferente de ERRO MÉDICO e deveria haver uma punição pesada até mesmo com a cassação do registro profissional do jornalista se o erro for intencional, sem prejuízo das ações penais cabíveis contra o jornalista e a empresa.

    Muitas notícias usam as definições corretas, mas outras não, por ignorância do jornalista.

    Se você observar um erro numa notícia, denuncie, mande um e-mail para a redação do jornal. Bote a boca no trombone.

    (2) Segundo a OMS, adolescentes de 16 ou 17 anos podem inclusive ser pedófilos.
    http://www.who.int/classifications/icd/en/GRNBOOK.pdf (ver págs. 166-167).

    (3) No Brasil, a idade de consentimento para o sexo é de 14 anos, ou seja, é PERMITIDO por lei ter sexo com adolescentes de 14 até 17 anos, exceto nos casos de prostituição ou de assédio sexual praticado por superior hierárquico no exercício da profissão (como médico ou professor), cuja idade mínima é 18 anos.

    O crime de corrupção de menores na faixa etária de 14 a 17 já foi EXTINTO.
    Leia o Código Penal atualizado, artigos 217-A e 218.
    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848compilado.htm

    Esta idade mínima para osexo varia bastante de país para país – 12 anos no México; 13 anos na Espanha e no Japão; 14 na Itália, Portugal, Brasil; 15 na França; 16, 17 ou 18 nos EUA, conforme o Estado.

    (4) Chamar um NÃO-pedófilo (exemplo – pessoa adulta que se relaciona com adolescente) de pedófilo é CRIME de difamação e pode ser também incitação ao ódio (art. 286) e preconceito de idade (vedado pela Constituição, art. 3º, IV), especialmente se o relacionamento for com adolescente de 14 até 17, pois nessa faixa ele é permitido por lei.

    (5) Diversos artistas, personalidades e políticos já se relacionaram LEGALMENTE com adolescentes, e nenhum jamais foi chamado de pedófilo pela grande mídia, pois isso seria uma grotesca mentira e uma difamação pesada. Nome aos bois – Chaplin, Picasso, Elvis Presley, jornalista Assis Chateaubriand, Noel Rosa, Caetano Veloso, ator Márcio Garcia, cantor Latino, cantor Lobão, cantor Marcelo Camelo, campeão de hipismo Doda, presidente do Paraguai Fernando Lugo, e, supostamente, o primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi, entre diversos outros.

    Por que com o cidadão comum teria de ser diferente? Não somos todos iguais perante a lei?

    Não pode haver DUAS éticas jornalísticas, uma para famosos outra para anônimos: ela deve ser a mesma para o rei e para o mendigo. Senão, com que moral um jornal poderá por exemplo fazer reportagens contra as “carteiradas” dada por autoridades numa blitz de trânsito, se ele mesmo trata estas “autoridades” de maneira diferente?

    Pense nisso. Pesquise. Divulgue. Reclame. Bote a boca no trombone. Somente assim a ignorância e a falta de ética poderão ser varridas das redações dos jornais.

    E não acredite em conspirações – é geralmente ignorância mesmo, falta de informação qualificada, até mesmo jurídica. Isso tem jeito.

  3. fe
    Escrito 04/01/2010 em 2:19 | Permalink

    acho que deveria ter pena de morte, para quem deseja ou toca numa criança…

  4. João
    Escrito 09/02/2010 em 22:30 | Permalink

    O assunto pedofilia demonstra o extremo grau de hipocrizia que domina a sociedade brasileira, que é um pais onde os meninos e meninas, começam a fazer sexo não forçados, muito cedo e sem nenhum alarde.

  5. Claudio
    Escrito 19/02/2010 em 9:18 | Permalink

    “fe
    Escrito 04/01/2010 em 2:19 | Permalink
    acho que deveria ter pena de morte, para quem deseja ou toca numa criança…”

    Acho que deveria existir pena de tratamento mental compulsório e prisão por muitos anos para quem defende pena de morte(linchamento, na verdade) para quem DESEJA, ou TOCA numa criança!!!!!

    Isso deveria então incluir parteiras, obstretas, pediatras, mães, avós, pais, outras crianças e bombeiros que salvam crianças de acidentes ou incêndios.
    Essa tal “Fe” é uma pessoa de muita má Fé ao defender que se tire A VIDA de uma pessoa somente pelo fato de ela ter DESEJADO uma criança! Se tal pessoa não é doente, ela apenas foi levada por uma fantasia. Isso não é crime. Doentio e digno de castigo é alguém querer matar uma pessoa porque ela teve um PENSAMENTO LIBIDINOSO com relação a uma criança.
    Fe, sr. ou sra. lamento muito se foste vítima de abuso sexual na infância ou se és uma pessoa com algum distúrbio emocional grave e portadora de sadismo e irracionalidade, mas NÃO É justo que se MATE alguém por tido um mero pensamento sobre uma criança. Você não deve bater bem da cabeça. Vá se tratar.
    E a imprensa é podre mesmo por divulgar falsidades, reforçar preconceitos e ódio instigando a população ao linchamento e assassinato e por desinformar o público e a população.

  6. Antonio Augusto
    Escrito 29/07/2010 em 16:04 | Permalink

    Bom, no meu ponto de vista o site é bastante importante e esclarecedor. Tendo em vista que se as pessoas procurassem se informar um pouquinhos mais, talvez estas expressões errôneas não teriam tanta força como é visto atualmente.

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