Versos: Teoria da Conspiração Imaginária

“Inferioridade”

Esse calor não me deixa pensar
O que aconteceu não foi como imaginei
Me desapontei, mas de nada vale chorar
Se não descobrir onde foi que errei

Vejo os mistérios dessa enorme Terra
Que sobrevive a esta guerra
Que travamos contra nossa criação
Tentando explicar a pura ficção

“Realidade”

Aquilo que estão tentando esconder
Pode ser algo que não vou compreender
Mas quero saber mesmo assim
Conhecimento não trará meu fim

Então, levantem agora, segredos do universo!
Quero algo mais valioso que este humilde verso
Mostre-me tudo que você é capaz de criar
Para que no impossível eu não vá acreditar

“Necessidade”

… mas o céu canta um azul sem vida…
As nuvens brancas movem-se sem permissão
Não respeitam nem essa despedida
Que aceno para minha própria invenção

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Este é um texto bem antigo, da primeira “fase”. Editei alguns poucos versos para melhorá-lo. No início, a preocupação em excesso com a rima1 criava estrofes sem ligação clara entre si. Com o tempo fiz algumas coisas para tentar juntá-las, como as palavras soltas sozinhas mostram. Este foi um problema que só resolvi recentemente, e talvez ainda não por completo, mas fica muito mais evidente aqui quando eu nem sabia disto (afinal, o único leitor era eu mesmo).

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estou passado
como um VHS
que se vê uma vez
depois se esquece
  1. Rimas fracas, por sinal.

O elitismo racional

Eu não poderia ter publicado o texto anterior — que estava editado e pronto faz tempo — sem também escrever um pouco sobre elitismo racional, que é a crença de que “todo mundo está errado e só eu estou certo”.

Esta é um questão bem relevante atualmente, especialmente quando temos dois candidatos bem diferentes para as eleições dos Estados Unidos e um deles, o Democrata Barack Obama, é freqüentemente atacado pela crítica Republicana como “inexperiente”.

Ora, diz McCain e seus aliados, Obama é, como todo adulto mais jovem — incluindo o candidato Republicano em seus primeiros anos: uma pessoa que ainda não compreende muito bem o mundo. E por isso pensa ter uma solução simples e elegante para tudo, ou “a mudança em que podemos acreditar” 1.

Há um pouco disto no atual título deste blog, mas a ira é o que tira a credibilidade deste racional. A inevitável emoção que acompanha todo o desejo (veja bem, desejo) de buscar respostas racionais. No fim, um cientista fica feliz por suas descobertas, e é o prazer que ele retira delas que o faz seguir adiante. Não existe estudo sem paixão. Não existe razão sem emoção.

Portanto, estou sujeito ao erro. E exponho minhas opiniões não porque penso ter a solução. Não porque quero me impor. Pelo contrário. Jamais poderei iniciar uma discussão sem antes dizer o que penso. E jamais poderei participar de uma discussão já existente sem fazer o mesmo. Freqüentemente, participo de discussões não para expor meu ponto de vista, mas pra me fazer de advogado do diabo simplesmente para extrair mais argumentos que defendam um ou outro ponto de vista. Não poupo nem meus aliados.

Independentemente de quanto eu me esforce, sempre haverá alguém mais bem informado do que eu. Alguém que leu mais estudos e textos sobre o assuntos. Ou então textos mais recentes. Ou, ainda, textos simplesmente diferentes. A informação que temos é tanta que é impossível acompanhar tudo. E mesmo que nossa educação fosse perfeita, tudo que ensinamos cada vez vale menos. Não se pode construir base sólidas para “opinião” alguma, porque uma nova prova ou fato irá tornar tais bases obsoletas na semana seguinte.

Nada mais é constante, senão a própria mudança.

Eu preferiria, sinceramente, o cartesianismo e o mecanicismo. Descobrir O Método e A Verdade. Mas infelizmente não é assim. Temos que nos contentar com o que podemos fazer, que é buscar as melhores verdades todos os dias. E, obviamente, não as encontraremos. Mas é melhor encontrar alguma coisa — tal como aquilo que escrevo neste blog — do que nada.

Toda informação pode despertar uma emoção que cria uma vontade inexplicável de se saber mais. Se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem — quem sabe na próxima?

Esta é a realidade com a qual os críticos viventes do “pós-modernismo” precisam conviver: apesar da discordância e do erro, ainda há um valor. Mas o que é e como pode ser medido este valor, para diferenciar a crítica boa da crítica ruim? Cada leitor irá julgá-la com base em suas experiências de vida — completamente subjetivas –, mas será este o único valor, o crivo das massa — a mesma massa que assiste a novela das 8, Big Brother2 e não sabe quem foi Descartes?

São perguntas abrangentes e nem me interessa a resposta, porque todos que se propuserem a responder, apesar de apresentarem respostas diferentes, estarão certos, pelo menos para si próprios. E quando todos estão certos, ninguém discute para aprender, mas apenas para lecionar.

Mas se as coisas são assim, como pode a escola estar ensinando algo a respeito das autoridades do saber? Se fosse assim, as pessoas não acreditariam em tudo?

Pelo contrário. O que temos aqui é a idéia de que “todas as opiniões são criadas iguais”. Pois o professor nunca teve, ou, pelo menos, parece que nunca teve, de justificar o que disse. Daí, uma aula de Física tem a mesma autoridade de uma aula de Religião. E uma opinião sem fundamento tem o mesmo valor de uma opinião bem-fundamentada.

Acredita-se, então, no que é conveniente.

É verdade que nossas bases não são sólidas, podendo desaparecer com a publicação de um novo estudo ou algum acontecimento inesperado. Mas a evolução incessante não deve ser justificativa para desistir de buscar fundamentos; pelo contrário, deve nos fazer entender que as coisas mudam e que precisamos acompanhá-las, e que estar errado por possuir informação de credibilidade desatualizada é mais nobre do que errar por não ter informação de credibilidade alguma.

Ou, pelo menos, é o que aquilo que sei até hoje me faz pensar.

“Some people see things that are and ask, Why? Some people dream of things that never were and ask, Why not? Some people have to go to work and don’t have time for all that”

–George Carlin
  1. O lema da campanha de Obama: “Change we can believe in”.
  2. O Danilo Gentili tem um post melhor sobre isso no antigo blog dele. Vale lembrar, programas são feitos para a massa por um motivo. Não digo nada aqui para denegrir a imagem da massa, mas sim para questionar se, realmente, todos estamos aptos a julgar tudo.

Autoridades, a omissão da crítica e uma lição escolar

Existe algo facilmente encontrado na sala de aula que dificilmente encontraremos no mundo exterior: uma autoridade do saber.

O professor é visto como alguém que, se não sabe tudo, sabe muito, e é impensável questionar o conteúdo que está sendo passado. Especialmente nos primeiros anos, quando pouquíssimas crianças têm qualquer conhecimento além daquele que a própria escola está transmitindo, é complicado demais que o alvo do ensino consiga analisar o que está aprendendo.

Do meu lado, posso dizer que perguntei muito. Não tinha capacidade para duvidar de um professor, porém perguntava o suficiente para deixar muitas pessoas em algumas situações ruins (pessoas me descreviam constantemente como “curioso”, embora na verdade quisessem dizer “chato”; amigas da minha mãe pediam explicitamente que eu não fosse junto dela, por perguntar demais1). Mesmo assim, não creio que haja muito mérito no que disse minha professora na quarta-série: “Altieres, continue sempre com essa visão crítica.” Na verdade, eu não tinha tal visão, mas sim uma mente inquisitiva.

O crítico, no entanto, raramente se dissocia do inquisitivo, pois o crítico também precisa de algo que o inquiete, em qualquer nível e de qualquer jeito, para fazer sua crítica.

Porém nunca esqueci do que minha professora disse; se tivesse, não estaria escrevendo isso agora. Nos anos seguintes continuei tentando descobrir o que era, exatamente, ser crítico. Embora, de acordo com ela, eu já fosse um, queria saber exatamente o que era, de modo que eu nunca deixasse de ser. Se ela havia me dito para continuar sendo assim, certamente boa coisa devia ser (em nenhum momento questionei isso…).

Não sei se virei um crítico; continuo fascinado a respeito de como as coisas funcionam, portanto ainda sou curioso e inquisitivo. Hoje penso que o principal dote de um crítico, junto da sua capacidade de observar e se inquietar com as coisas mais banais, está em sua ousadia de pensar.

Pensar é um ato de ousadia, especialmente se o conhecimento possuído na área sobre a qual se vai pensar é limitado. Daí é preciso estudos. E estudos podem induzir a pensamentos já pensados (dizia Schopenhauer que ler é pensar com a cabeça dos outros). Mas o crítico não pode simplesmente pensar o já pensado, pois daí ele não será um crítico e sim um repetidor de idéias com as quais ele concorda, o que não o tornaria diferente de nenhum outro ser humano.

É nesse problema que entra o olhar crítico e a ousadia. Em vez de ler e ver tudo como regra, vê-se como uma possibilidade entre outras tantas. Depois, é preciso pensar e arcar com a possibilidade de possivelmente estar errado: bons argumentos racionais precisam ter meios de serem provados falsos, então pensar racionalmente abre brechas em suas idéias. É mais difícil do que a moda contemporânea de largar opiniões generalizadas e, por isso, evidentemente falsas, mas que mesmo assim caíram no senso comum (“todo político é corrupto”, “o mundo está perdido”) ou se tornaram (falsos) axiomas (“mulher no volante, perigo constante”, “urubu não anda com pomba”, etc).

A complicação disso tudo é a seguinte: fora da sala de aula não existe uma autoridade de saber. Para piorar, muitas coisas são passíveis de discordância. Não se pode admitir a existência de pontos de vista imutáveis e não-negociáveis. Não é preciso muito treino para conseguir isso: basta perguntar “por quê?”.

Um experimento: quando te disserem algo, mesmo que seja algo que já tenha caído no senso comum, pergunte por quê. Sendo a resposta obviamente superficial, pergunte por quê outra vez. E de novo. Logo você será o chato, simplesmente por ter exposto o fato de que o sujeito proferiu sua máxima infalível sem ter refletido em qualquer nível a respeito dela…2

Afinal, por que não refletimos? Por que não perguntamos “por quê”?

Porque cremos em autoridades. Isto nos foi ensinado na escola, onde há uma autoridade na sala, detentora da verdade. Escute, repeat please e passe na prova. Esta é a lição escolar que mais é retida e, se este for o objetivo da escola, ele tem sido atingido com êxito.

  1. Todo mundo tem a idade dos porquês, é verdade. Não posso julgar se a minha própria foi mais longa ou mais intensa, nem tenho conhecimento para isso.
  2. Os mais observadores justificarão dizendo “é o que todo mundo diz”, o que uma falácia de apelo ao povo ou ad populum e, por isso, um argumento inadmissível.

Versos: Na Esquina, Ruas Desertas Sussurram Pt. II[+]

~ Desilusões Racionais ~

Acho que tenho a solução:
Tecnocrata inteligente
Que pensa que gente
Sempre é cega como lente
De óculos sem prescrição

Visão totalmente em foco:
Meu raciocínio é lógico
Se, então, pois, logo
Quase que o céu toco
Sem mapa astrológico
E nenhum pseudólogo

Aí me culpo por não entender
O que suponho não fazer sentido:
Complicadas relações de poder
E as ações de um tal de cupido
Que considerou-me caso perdido

Limpar o mundo não é a intenção
Arrastar os males com um pente
E criminalizar o diferente;
Sendo eu fruto de tal vertente
Não posso julgar-me aberração

Quando tenho chance de discursar
Percebo que no ar só lanço ruído
E a felicidade do puro pensar
Trocou sua máscara e seu vestido
Para deixar a realidade passar
E fazer do caos seu novo marido.

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eu tinha uma rima
muito bacana
daquele tipo
que sempre engana

mas vou te dizer
veio fácil demais
e foi-se também

agora onde está o poder
de arranjar outras mais
que me sirvam tão bem?

Debate com vozes ausentes

Debate — s.m. Discussão; contestação; disputa.

Discussão — s.f. 1. Ação ou efeito de discutir. 2. Polêmica; controvérsia; debate. 3. Briga; desentendimento; troca de insultos.

Fonte: Dicionário Luft

Se existem debates orwellianos1, certamente estive em um nesta noite do dia 12. Para minha classe de Redação Jornalística, fui obrigado a participar de um evento da universidade que tratou da atual polêmica acerca da manutenção ou não da exigência do diploma de jornalismo2.

A universidade promoveu o evento como um debate. Para não ser injusto, o chapéu/cartola da matéria na página principal do Portal3 — que é o site mantido pelo pessoal do curso de Comunicação Social da universidade — é “Palestra” e o título “Jornalistas a favor do diploma” (provavelmente vão mudar hoje mais tarde). Mas no texto de chamada o encontro já recebe o nome de debate, como no título da matéria.

Foi um “debate” onde as vozes dissonantes estavam ausentes. Todos os quatro participantes do “debate” defendiam a mesma posição, portanto não houve “contestação”, nem “disputa”, nem “polêmica”, nem “controvérsia”, nem “desentendimento”.

Eu estava empolgado para ouvir o Celso Augusto Schröder, que é vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (e irmão do Carlos Henrique Schröder, diretor de telejornalismo da Globo — aquele cujo nome aparece no fim de todos os telejornais como “diretor responsável”), mas ele não esteve lá e nenhuma explicação foi dada sobre a infeliz ausência.

Não que ouvir um lado só seja intrinsecamente ruim. Certamente, a universidade e boa parte dos professores querem que o diploma continue. Mas o monólogo fica entendiante, como o auditório quase vazio evidenciou ao fim da palestra.

Às vezes, enfrentar o outro lado mostra quem está mais preparado, quem fundamentou melhor os argumentos. O próprio embate, se evidenciar o despreparo dos adversários, acaba sendo uma ótima propaganda para aquilo que se quer defender. De quebra, bons debates são emocionantes e, por apresentarem mais de um lado da história, jornalísticos.

Minha opinião sobre a manutenção do diploma? Não sei mesmo. O que sei é que o José Nunes, presidente do Sindicado dos Jornalistas do RS, apenas disse que a Internet é uma questão “complicada” quando o questionei a respeito dos efeitos da manutenção do diploma na web. Se iniciativas como o VC no G1 e Wikinews serão sepultadas com a exigência, sou contra. E para o pessoal da FENAJ, ter todo cidadão como jornalista é algo “francamente impossível“, embora esta tenha sido a premissa do bem-sucedido OhMyNews desde sua concepção.

Se fôssemos procurar por um meio-termo nesta história, talvez manter a necessidade do diploma apenas para o rádio, para a TV e para a assessoria seria uma boa idéia, terminando a exigência para revistas, jornais e sites de internet. Regulamentar é interessante, mas seria mais interessante se fosse uma lei bem pensada e não um decreto-lei da ditadura originalmente concebido para censurar a imprensa. 3.

Independentemente da decisão do STF, não cancelarei meu curso.

  1. Importo aqui o conhecido adjetivo inglês “orwellian”: relativo à George Orwell no seu livro 1984, onde eufemismos eram usados para embelezar a opressão e as péssimas condições de vida.
  2. Que os sindicalistas costumam dizer que vai acabar com a profissão. Uma falácia de bola de neve, considerando-se que a regulamentação é anterior aos próprios cursos de jornalismo e somente a exigência do diploma está em questão
  3. Parece até que sou contra a exigência do diploma em vez de um indeciso. Mas o fato é que ouvi tanta conversa de um lado só que consigo apenas criticar este um lado… As críticas ao outro lado me parecem redundantes, considerando o quanto ele foi atacado.

Versos: Poeta

Eu queria ser um artista
Mas não do tipo
Que entra na pista

Eu queria ser um ator
Mas não do tipo
Que finge sua dor

Eu queria ser um psicólogo
Mas não do tipo
Que rejeita o monólogo

Eu poderia até ser um comunicador
Se não for do tipo
Que fala com o menor denominador

O que não quero deveras
É ser poeta
Que mede palavras
E rimas veta

Pedofilia não é abuso sexual infantil

Na TV, usar “pedofilia” no lugar de “Estupro de crianças” ou “Abuso sexual infantil” é normal1. Este é um erro da mídia que vai ter conseqüências muito maiores do que simplesmente a troca de “cracker” por “hacker”, pois confunde uma condição psicológica com um ato criminoso.

Pedofilia é uma parafilia caracterizada pela atração por crianças que ainda não atingiram a puberdade. Mais especificamente, o pedófilo é mais atraído por menores de idade do que por adultos ou adolescentes. Pedofilia é a atração, o desejo.

Abuso sexual infantil explica-se sozinho. É o ato em si.

Um pedófilo não precisa, necessariamente, abusar sexualmente de crianças, assim como um homem adulto normal não precisa, necessariamente, estuprar mulheres adultas. É claro que, considerando-se que um pedófilo dificilmente vai encontrar uma criança que realmente queira ter relações com ele, praticamente todo ato sexual de um pedófilo motivado pelo seu fetiche será um abuso.

Porém, nem todos os casos de abuso sexual de crianças é praticado por pedófilos. Na verdade, a maioria dos estupradores de crianças não é pedófilo. Existem diversos estudos que dizem isso — não estou inventando nada.

Da mesma forma, nada proíbe um pedófilo de conter seu desejo e ter apenas relações sexuais saudáveis. A pedofilia só se torna um problema de verdade quanto o ato do abuso é realizado.

Para tornar pedofilia ilegal é necessário policiar pensamentos.

Nada contra proibir o crime de estuprar uma criança. Jamais. No entanto, isto não é pedofilia. Isto é sexo com crianças. Pedofilia é uma parafilia, uma desordem mental e não o ato — assim como depressão não é suicídio. É bem provável que estupradores de crianças tenham problemas mentais diversos — especialmente por procurarem um “parceiro” que não pode se defender –, mas não necessariamente precisam ser pedófilos.

Pedofilia é um problema, mas o que leva alguém a violentar e ignorar a vontade de outras pessoas é ainda outro problema.

  1. É bem verdade que os jornalistas precisam de sinônimos para não repetir a mesma palavra infinitamente, mas existem restrições! Não se pode apropriar-se de palavras “próximas” sem avaliar as conseqüências.

Quem deve não teme

Quem não deve, não teme

Eis aí dos vários axiomas — frases tomadas como auto-evidentes — que costumamos ouvir com freqüência. Este, em especial, é muito usado para rebatar argumentos de defensores de privacidade, tão comuns em época de discussão do projeto “big brother” sobre crimes de internet.

A lógica deste axioma é: quem não fez nada de errado não precisa ter medo de ter sua vida vasculhada.

Eu proponho um outro axioma: quem deve não teme.

A lógica é igualmente simples: aquele que de fato teme as conseqüências de seus atos nem se atreve a realizá-los. Quem realmente tem medo, nada faz de errado. Logo, só deve aquele que não teme.

As duas lógicas são problemáticas, mas existe um fundo de verdade diferente em cada uma delas. Os dois argumentos estão corretos até um certo ponto, porém ambos se invalidam — nenhum é verdadeiro em 100% dos casos, e cada um deles expõe a fraqueza do outro.

Com isto todos sabemos que quem não deve, não teme é uma falácia igual a quem deve não teme. Descartemos as duas, por favor. Em seguida, vamos ler 1984 sem esquecer que George Orwell era comunista1

  1. Direitistas tendem a esquecer disso. O Ron Paul, que é extremamente liberal, citou Orwell em um debate para criticar seus colegas republicanos. Ironia política em seu ápice.

Versos: Humano[+]

Sou um aluno inoportuno
Das minhas veias, sangue pode vazar
Carrego nas costas o infortúnio
E minha fraqueza vai além do calcanhar

Direciono perguntas à parede
Ela as joga de volta pra mim;
É uma competição sem um fim
Senão saciar minha sede

Onde está a água do alívio?
Não a encontrei na solidão
E não pude procurar no convívio
Pois não sei onde os outros estão

Quis saber demais e não estou só
Mas a verdade é uma péssima companheira
Só compreendo que vim do pó
Pois o que mais me rodeia é sujeira

Sou um infeliz aprendiz
Que tentou entender a vida
Sem perceber cada ferida
Que não deixou cicatriz

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sou gênio
movido a gás
lacrimogênio;

firmo convênio
e finjo deixar pra trás
todo sofrimento
que ainda tenho

Era uma vez a Violins

Os membros da Violins anunciaram, na comunidade do Orkut da banda, que o show marcado para o dia 21 será o último onde estarão juntos. Em outras palavras, Violins acabou.

O quinto e último disco da Violins foi o tema da primeira e até o momento única resenha musical deste blog.

Feliz de mim que pude escrever sobre eles antes de acabarem. Triste de mim que nunca viu um show. Mais triste, obviamente, que feliz. Porém os integrantes da banda ainda continuam tocando e fica no ar a espera para ver o que vai sair.