Olavo de Carvalho adora dizer que a educação brasileira é controlada pelos “vermelhos” e que os livros didáticos estão esquerdizando os alunos. Ele tem várias outras pérolas originais, como por exemplo a idéia de que as eleições na ditadura eram democráticas e que a educação pública tem se tornado cada vez mais “pusilânima”, o que força os cristãos a educarem os filhos em casa.
Se considerarmos o ponto de vista de pessoas assim — e muito cuidado ao ler os textos dele, pois são recheados com meias-verdades e falácias –, jamais conseguiremos ter uma educação apolítica. Por quê? Porque os fatos afetam visões políticas. Como já discuti em “A imparcialidade e a verdade”, o que fazer se a realidade mostra que sua posição política favorita falhou miseravelmente?
Entra aí a distorção dos fatos e a idéia da parcialidade. O problema não é minha visão política, é o livro didático que mente. Obviamente, isto é tão errado quanto eu dizer que não houve ditadura na União Soviética. Mas nenhum livro didático que eu tive fez tal afirmação.
As pessoas tendem a acreditar ou explicar os fatos baseando-se naquilo em que crêem. É por isso que, o que para cristãos é intervenção divina, para os ateus é um fenômeno físico ou social que pode ou poderá ser explicado de forma racional1. Assim, o “democrático” dos neoliberais é a “ditadura” para os historiadores.
É impossível ter uma educação factual e ao mesmo tempo apolítica na visão destes que insistem em criar suas próprias versões dos fatos.
É possível, no entanto, ter uma educação política. E que fique registrado meus parabéns ao PMDB pelo programa de EaD que está educando mais de 32 000 candidatos a cargos políticos municipais em todo país.
- Chuva, doenças e política/governo são alguns fenômenos atribuídos à intervenção divina e que hoje são explicados racionalmente. ↩
Postar um comentário