Piada nerd?

Minha tentativa de fazer uma piadinha nerd infame segue:

man@woman:~/love$ ./configure
Checking if systems match… Done
Setting up multiplication protection… Done
Setting start up speed as slow… Done
Darkening backgrounds… Done.
Configure ran successfully.

Type ‘make love’ and have fun.

man@woman:~/love$ make love

This can take a while, depending on your system performance.

:D

Nos bastidores da Rádio Gaúcha

Integrante do maior grupo de comunicação gaúcho (RBS), a rádio Gaúcha é a emissora de notícias de maior audiência do Rio Grande do Sul. Como parte da disciplina de Radiojornalismo I, que curso às sextas-feiras, visitei ontem, com o pessoal da turma, os estúdios e a redação de jornalismo da Rádio.

Constatei que a RBS usa Dell. E também que os estúdios, onde normalmente vão visitantes (tais como entrevistados), são mais bonitos do que a redação, onde há mais computadores velhos do que se poderia esperar do maior grupo de comunicação do RS. Os monitores ainda são todos CRT, muitos ainda de 14″. Já nos estúdios, vê-se LCDs.

Os corredores são apertados e o teto baixo. Dizem estudos científicos que o teto baixo limita a criatividade das pessoas, forçando as a serem detalhistas. Se isto acontece lá, não sei. Sei que o estúdio ao vivo foi visto apenas por uma janela.

Contrasto isto com a minha visita ao Grupo Sinos, no primeiro semestre do ano passado. É outro grande grupo de comunicação do RS, mas muito menor do que a RBS. Operam a rádio ABC 900 AM. Na redação, todos os computadores, praticamente, eram novos, operando com LCDs de 17″ e 19″. Nos PCs dos editores, os monitores estavam dispostos na vertical para permitir melhor diagramação das páginas. O guia que nos acompanhou no jornal afirmou, na ocasião, que era a redação mais bem equipada do RS. Duvidei, mas hoje não duvido mais.1

É claro que esta comparação fica um pouco injusta, pois é bem provável que as redações da Zero Hora e, principalmente, da RBS TV, sejam de melhor qualidade que os da Gaúcha. Mas esta não é a principal questão que me chamou atenção — afinal, são apenas equipamentos. O que me chamou atenção foi que, em nossa visita à Rádio ABC, não apenas entramos no estúdio — onde Jorge Antunes apresentava um programa — mas também participamos ao vivo.

Na RBS, no mesmo horário, nem fomos permitidos a entrar no estúdio. Repara-se aí a diferença das duas rádios.

Que tipo de definição pode-se dar a isso eu não sei. Quem concorda com a RBS poderá dizer que eles foram mais profissionais e que a ABC não é inteligente por deixar que uma simples visita de alunos (de início de curso) interfira na rádio. Quem discorda dirá que é conservativismo. Dependendo da visão política, poderá dizer que a RBS é mais capitalista e refém dos anunciantes. Na questão artística, poderia se dizer que a Quarta Parede é mais protegida na RBS.

Independentemente de adjetivos, o fato foi este. E vai me servir de combustível para reflexão, quando me sobrar tempo.

Tela azul no fim do dia

Já em São Sebastião do Caí, às 23h15 da noite, deparei-me com uma BSOD (Tela Azul da Morte) em um PC de uma loja de informática. Antes de ser uma loja de informática, ali era um bar (ironicamente, o bar tinha o nome de “Einstein”). O pessoal da loja deixa os computadores ligados a madrugada inteira para rodar filmes, animações e outras coisas.

Um dos PCs estava com uma tela azul. O outro estava com um filme parado e bugado. Acredito que ele estava lendo aquele filme a partir do PC travado, por isto o erro.

Imagina se dá uma BSOD no PC ao vivo da rádio?

– “Pressione CTRL-ALT-DEL…” Oops. Prezados ouvintes, vou continuar lendo a notícia assim que o computador terminar de reiniciar.

  1. Não lembro qual o OEM das máquinas no Grupo Sinos, infelizmente. Talvez nem sejam OEM. Na Unisinos, todas as máquinas são IBM.

Versos: A Sala Quieta

E é nesta sala quieta
Onde o bem flerta
Com mal enraizado
No que não é malvado

Para que repensar o passado
	Se nada muda
E minha tentativa de me ajudar
	Só deixou claro
Que eu precisava de ajuda

Só o silêncio faz refletir
Mas como pode ser verdade
que quem vê cara não vê coração
Se é só ao olhar no espelho
Que eu posso me sentir

Mas não me vejo
Não me sinto
E meu único desejo
É sair deste recinto

——————————————————

Os japoneses tem um senso de humor estranho, como, aliás, todo mundo parece ter — senso de humor é uma dessas coisas que nasce unicamente em cada cultura.

Assisti não faz muito tempo o filme Quiet room ni yôkoso ou “Bem-vindo à sala quieta”. O tom do filme é negro, mas tem surtos de comédia aqui e ali, no maior estilo black comedy, com direito a canções, acidentes sangrentos e desesperanças. É impressionante como conseguiram fazer um endereço de e-mail ser tão tragicômico. Sensacional.

Acabei descobrindo este filme graças à (curta) participação especial de Hideaki Anno, diretor do clássico — freqüentemente incompreendido e comercialmente abusado — Neon Genesis Evangelion.

Ainda está pendente minha introdução ao cinema sul-coreano, que me disseram faz muito tempo ser de ótima qualidade.

O texto acima, meu, foi obviamente baseado no filme e ilustra mais ou menos o que é, de fato, a “sala quieta” do hospital psiquiátrico no qual o filme se passa. Não se ver e não se sentir — a maneira mais eficaz para não ser atormentado por problemas ordinários. Quem não dispõe de uma sala quieta, usa álcool ou cannabis. Quem tiver mais dinheiro usa calmantes de marca.

Recomendações #1

Sempre que eu acumular conteúdo suficiente, vou fazer um pequeno post com recomendação de conteúdo multimídia (música, vídeo, etc) free. Eis o primeiro:

  • The Corporation (Documentário) — Disponível em versão de download oficial via BitTorrent, este documentário canadense trata do surgimento e dos efeitos políticos, econômicos e sociais das entidades conhecidas como “corporação” ou “pessoa jurídica”. Pode ser facilmente obtido via Google “The Corporation Download Edition” em vários sites de torrent.
  • The Story of Stuff (Documentário/Curta-metragem) — Um pequeno documentário sobre como funcionam as “coisas” no mundo industrializado. Facilmente encontrado com legendas em português no YouTube e outros lugares. O site oficial é www.storyofstuff.com.
  • Liberta (Música/Rock) — O EP “Vitória ou Morte” de cinco músicas está disponível gratuitamente via MySpace.
  • Projeto Radiofônico (Música/Rock) — Os guris da Família Projeto Radiofônico (como chamam a si mesmos) possuem todas as músicas do disco “O Ponto” para download no Tramavirtual da banda. Devem estar lançando um CD novo em breve.
  • David Schombert (Música/Eletrônico Ambiente) — O francês David Schombert compõe música eletrônica ambiente. O conheci por ter sido o responsável pela curta trilha sonora (apenas três músicas) do game de estratégia Warzone 2100. Os CDs mais antigos dele podem ser obtidos gratuitamente no site pessoal, em formato MP3 e licença Creative Commons.
  • COLORIR (Música/Rock Instrumental) — Esta genial dupla catarinense do rock instrumental coloca quase todas as músicas para o download no Tramavirtual da COLORIR. Recomendo o “Noite, Madrugada, Infinito” em especial. É CD para você colocar para tocar e esquecer.

Por hora é isso.

“Porque o importante é ser feliz”

Toda vez alguém justifica um estilo de vida (sic) ou ação qualquer dizendo que “o importante é ser feliz”, um neurônio deve morrer — seja no cérebro do sujeito que fez tal afirmação ou do ouvinte que a engoliu.1

– Matei 24 ontem.
– Nossa, por quê?
– Porque isso me deixou feliz… e o importante é ser feliz!

Parece ridículo? Mas não é mais nem menos ridículo do que em qualquer outra situação. A idéia de carpe diem, ou “viver intensamente”, ou “viver cada dia como se fosse o último” é estúpida. Porque se todos soubessem de fato que o dia seguinte fosse o último…

  • Ninguém iria trabalhar
  • Ninguém deixaria dinheiro em aplicações ou no banco
  • O turismo teria grande procura, mas não haveriam vendedores de passagens, nem motoristas de ônibus, nem guias ou pilotos de avião
  • Todo mundo iria querer dizer algo, mas aquele que deveria ouvir estaria tentando dizer outra coisa para outra pessoa. Se você quisesse usar o telefone, ele não estaria funcionando.

O mundo iria de fato ser um caos. Mas o importante é ser… feliz? Caos não é minha idéia de felicidade.

O que fazemos, de modo geral, é trocar uma felicidade curta e suicida por outra mais sólida, mais confiável, com altos e baixos. Se perseguirmos a felicidade completa em um instante sem pensar nas conseqüências, estaremos atirando em nossos próprios pés e possivelmente nos pés dos outros também, pois qualquer projeto de felicidade que conseguimos conceber hoje está ligado à ordem social estabelecida.

Poucos devem imaginar uma felicidade vivendo no meio da mata com os índios do Xingu (sem ofensa aos índios).

De qualquer forma, se procurarmos a felicidade em todo instante, literalmente, o mundo pára. Porque a vida operacional — que faz tudo funcionar — é estressante e repetitiva; parece que tudo o que fazemos não tem valor algum no mundo. Em outras palavras, a vida de trabalhador é dura. Porém se todos levarem a cabo idéia de ser feliz e pararem de trabalhar, nada mais funciona. E com isso ninguém consegue atingir a felicidade concebível pelos cidadãos pós-modernos.

Tudo isso é óbvio, mas por algum motivo ninguém que ouve ou diz que “o importante é ser feliz” consegue perceber as reais conseqüências dessa afirmação.

Depois, por que sua versão de felicidade é a que vale? Pegando o exemplo acima, se a felicidade do cidadão é matar duas dúzias de pessoas, ou se a felicidade de uma mulher é ficar grávida e abortar sempre que possível, por que esse conceito de felicidade é mais ou menos válido que outros? Por que é preciso existir uma felicidade que é “socialmente aceita” — beber, jogar futebol, ir ao cinema e dançar?

Minha felicidade pode ser a leitura de livro, um jogo de videogame, uma música que ninguém mais gosta ou então ficar em um canto em silêncio. Na verdade, essas coisas são legais pra caramba na minha opinião. Pode ser algo até surpreendente, como trabalhar ou inventar histórias. Mas supondo que sua felicidade seja estuprar uma criança ou entrar num Shopping Center com uma 22, por que isso não pode ser a felicidade?

Se para você é óbvio que tais coisas não podem ser a felicidade, você está apenas concordando com o julgamento pré-concebido pela cultura.

É possível, por outro lado, formular uma ética que demonstra a irresponsabilidade e injustiça destas ações repugnantes, sem abusar do senso comum cultural. Rebater tais argumentos lógicos com “o importante é ser feliz” seria irracional e falacioso. E não é diferente nas situações opostas — o socialmente aceito não é necessariamente o melhor ou único, muito menos o universalmente justo.

Dicionário

“o importante é ser feliz”: a.f. o mesmo que “não sei como diabos justificar por que faço/penso isso, mas me deixe em paz antes que eu seja forçado a repensar minhas atitudes possivelmente imprudentes”.

  1. Já é possível perceber que neste post estou tentando um tipo de escrita diferente — mais descontraída. Se você não é leitor deste blog e se ofendeu pelo texto, garanto que eu poderia escrever este mesmo texto e dizer a mesma coisa sem te ofender. Se você já é leitor deste blog, espero que saiba disso já (mas me corrija se eu estiver errado). Obrigado por ler as letras miúdas.

Educação é a solução. Ou não.

Quando foi que “isso se resolve com educação” virou uma resposta quase universal para qualquer problema?

Talvez eu seja apenas jovem demais para lembrar que tal discurso sempre esteve presente. Mas na minha observação das coisas, esta idéia tem ficado muito mais presente nos últimos anos. Na TV, em conversas de bar, na sala de aula, nos fóruns (online ou não), nas notícias e até nos programas de auditório no domingo. É a mesma conversa.

O estranho é que, lendo fóruns estrangeiros como Slashdot, a educação é muito menos mencionada como solução. O que poderia significar um fenômeno brasileiro.

Se minha observação está certa, só posso dar crédito ao senador Cristovam Buarque, provavelmente o homem mais inteligente que já tentou ser presidente desta nação. Nas eleições de 2006, Buarque apresentou uma solução para a maioria dos problemas brasileiros com base na educação.

Buarque disse, no último debate do primeiro turno, que tinha alcançado o objetivo que queria com sua campanha: colocar a educação no debate político. Se era isso mesmo, seu sucesso foi apenas parcial: considera-se a educação como solução, mas não se discute a educação si.

Não é possível adotar um discurso como o de Buarque sem o fazer em sua totalidade. O senador tinha planos para mudar a educação brasileira e não simplesmente melhorá-la. Não se estava falando em simples melhorias (PDE?), nem em reforma. Estava-se falando em demolir o que se tem e fazer algo do zero, começando pela federalização da educação básica, o que mudaria por completo a operação das escolas.

A educação só será solução se a transformarmos em solução.

O plano de Buarque não era simplesmente melhorar o acesso às escolas, ou construir prédios melhores. A idéia era fazer da educação uma solução para o Brasil.

A educação brasileira, como é hoje, não é uma solução. Pois nunca se diz, para si mesmo, que o problema é “falta de educação”.

– Você ( fuma | cheira | bebe ) demais, vai se matar assim…
– Pois é, me faltou educação.

É assim que acontece? Não. Pelo contrário — as pessoas têm informação e ignoram.

– Você ( fuma | cheira | bebe ) demais, vai se matar assim…
– Eu sei, mas parar é tão ruim. Prefiro continuar.

A educação não é uma solução que serve apenas para outros. Se a educação é uma solução para o Brasil, ou para o mundo, ela é uma solução para todos. A educação não precisa ser apenas a divulgação de conhecimento e idéias ao cidadão comum (comunicação). Mas é o que a educação brasileira é hoje: ela informa, mas não cria consciência, não convence. E essa educação não é solução para nada.

Certamente não é solução para a violência. Nos Estados Unidos é preciso o equivalente a um mestrado no Brasil para praticar várias profissões, inclusive Direito. As escolas públicas são acessíveis para quase todos e as universidades públicas, apesar de pagas, são baratas na economia norte-americana. E nada disso impede que os Estados Unidos tenha mais de dois milhões de cidadãos habitando suas prisões e uma taxa de homicídio maior que a da Argentina1.

Educação, portanto, não resolve automaticamente o problema da violência.

Na mesma linha, afirmo que educação não resolve nada automaticamente, mas pode, e precisa, ser uma ferramenta importante no combate à vários tipos de problemas. As brigas pelo ensino do criacionismo nas escolas e as altas taxas de AIDS nos EUA sugerem que existem problemas sérios na educação do país — e isto precisa ser analisado para determinar onde exatamente as coisas falham por lá, para então desenvolver um sistema educacional que não considere apenas o indivíduo maquínico-capitalista, mas também célula-social-pensante.

Que não se discuta, portanto, se a educação pode ser uma solução para um problema. Mas que seja pensado, sim, como fazer da educação uma solução, ou uma importante peça no quebra-cabeça de construção de soluções.

E se você quiser sugerir a solução pela educação, diga como, pois este é o verdadeiro desafio. Pensar ‘como’ ajudar a criar bases mais sólidas para nossas próprias convicções, obtidas, muitas vezes, acidentalmente. Já dizia Einstein: simplifique tudo o quanto for possível, mas não mais do que isso2.

  1. Justiça seja feita, a taxa argentina é 5 vezes menor que a brasileira.
  2. Tradução livre de “Make everything as simple as possible, but not simpler.”. Fonte: QDB

Versos: P.S. (Post-scriptum)[+]

O céu claro
Libertou o som
E ouviu-se o tom
De um disparo

O verniz
Deixou mais belo
Cada elo
Que desfiz

Para que falar
Eu pergunto
Se aqui jaz o defunto
Que consegui calar

Quem sabe, na próxima vez,
Dizes a mim que estou certo
E também cada dia mais perto
Do verdadeiro amanhã
E não do fim do mês

——————————–

Se eu
	dissesse a
verdade
	do ontem
agora,
	iria você
embora
	só pra
jogar
	meu amanhã
fora?

Não existe educação apolítica

Olavo de Carvalho adora dizer que a educação brasileira é controlada pelos “vermelhos” e que os livros didáticos estão esquerdizando os alunos. Ele tem várias outras pérolas originais, como por exemplo a idéia de que as eleições na ditadura eram democráticas e que a educação pública tem se tornado cada vez mais “pusilânima”, o que força os cristãos a educarem os filhos em casa.

Se considerarmos o ponto de vista de pessoas assim — e muito cuidado ao ler os textos dele, pois são recheados com meias-verdades e falácias –, jamais conseguiremos ter uma educação apolítica. Por quê? Porque os fatos afetam visões políticas. Como já discuti em “A imparcialidade e a verdade”, o que fazer se a realidade mostra que sua posição política favorita falhou miseravelmente?

Entra aí a distorção dos fatos e a idéia da parcialidade. O problema não é minha visão política, é o livro didático que mente. Obviamente, isto é tão errado quanto eu dizer que não houve ditadura na União Soviética. Mas nenhum livro didático que eu tive fez tal afirmação.

As pessoas tendem a acreditar ou explicar os fatos baseando-se naquilo em que crêem. É por isso que, o que para cristãos é intervenção divina, para os ateus é um fenômeno físico ou social que pode ou poderá ser explicado de forma racional1. Assim, o “democrático” dos neoliberais é a “ditadura” para os historiadores.

É impossível ter uma educação factual e ao mesmo tempo apolítica na visão destes que insistem em criar suas próprias versões dos fatos.

É possível, no entanto, ter uma educação política. E que fique registrado meus parabéns ao PMDB pelo programa de EaD que está educando mais de 32 000 candidatos a cargos políticos municipais em todo país.

  1. Chuva, doenças e política/governo são alguns fenômenos atribuídos à intervenção divina e que hoje são explicados racionalmente.

Previsão: O diploma de jornalismo cai

Eu devia ter escrito isso já no outro post, mas deixo aqui uma previsão: o STF vai decidir pelo fim manutenção da exigência do diploma.

Posso estar errado, mas se não arriscar, não estarei certo também. Tenho alguns motivos para apostar nisso: muita gente no governo não gostou, por exemplo, que o CQC teve sua entrada liberada no Congresso. Sem o diploma, mais humorísticos terão liberdade para fazer o mesmo — incluindo repórteres do próprio CQC, como Danilo Gentili e Oscar Filho, que na verdade são comediantes. E se o CQC quer se chamar de jornalístico, uma vez mantida a exigência do diploma a posição destes rapazes no programa ficará complicada.

O STF tem adorado contrariar o governo ultimamente, basta ver os habeas corpus da Operação Satiagraha.

Caindo a exigência, a resposta será um intenso lobby, por parte da Fenaj e do próprio governo — a União e a Fenaj recorreram juntas da decisão inicial que em 2001 aboliu a exigência — para criar alguma outra lei ou emenda constitucional que a substitua. O STF, por sua vez, vai recomendar algo que solidifique a decisão tomada.

E aproveito a oportunidade pra dizer: sou contra a exigência do diploma. Os argumentos pelo lado a favor da exigência que ouço na universidade e outros lugares são, um mais do que o outro, baseados em self-interest e corporativismo. Resultado: fui jogado para o outro lado. Ouvi na universidade que eu não posso ter esta posição sendo estudante de jornalismo. Ora, ora! Estou estudando jornalismo porque quero aprender a fazer um bom jornalismo. O diploma é secundário, pois ele nem garante a qualidade do profissional. Estou ali pra estudar e aproveitar meu tempo.

Curso que distribui diploma em vez de formar jornalista merece acabar mesmo.

Seria mais conveniente para mim lutar pela obrigação da diploma, porque estou estudando jornalismo e com isso teria emprego mais facilmente. Mas o fato é que jornalismo é algo que pode ser aprendido de várias formas, inclusive autodidata, e se alguém aprende a fazer jornalismo melhor do que eu sem precisar ir para uma faculdade, parabéns para ele.