Versos: O ônibus, o trem, o avião

Como algo pode ter rota configurada
E carregar tanta gente diferente
Que precisa percorrer a mesma estrada
Como se a liberdade fosse ausente?

O ônibus que trafega pelo asfalto
Desce ladeiras, sobe o morro alto
Embarcam pessoas hora aqui hora ali
De toda sorte, há quem chora, há quem ri

Todas serão levadas ao mesmo destino
Mesmo tão parecidas, não são nada iguais
É estranho como pode um cidadão, pobre ou fino,
Andar com tantos outros, sem pensar nada demais

E nada diferentes são os trilhos e seu trem
Menos escolhas há durante o caminho
Coisas e gente que, em cada parada, vão e vêm
Enquanto o ferro nem permite um carinho

Por fora diferente, mas tão igual, é o avião
Poucos entendem como pode ele voar
Mas, mesmo lá no alto, ninguém se desprende do chão
Pois o ímã da cidade não sabe soltar

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