I
Os campos parecem até coloridos
Mas na verdade enganam quem os vê
O verde e o amarelo desapareceram
Em meio ao cinza de céus tardios
O homem caminha pelo campo
Cego, não viu verde ou amarelo
E não sente falta deles agora
Nem pensa que algo foi mais belo
II
O tempo anda rápido
Não obedece os relógios
Não quer ser parado
Como aventureiro ávido
O homem quer voltar no tempo
Corrigir erros que diz não cometer
Vive o presente pensando no passado
Com medo de que o futuro pode não acontecer
III
Palavras enchem páginas de valor
Antes brancas, só podem se orgulhar
Do momento em que recebem o presente
Que irão apenas repassar
O homem quer escrever
Tem uma idéia do que quer falar
Mas não do seu significado
Que acaba por não se perpetuar
IV
Chove em uma montanha sublime
Que tentou elevar sonhos e promessas
Mas os fez congelar sem hesitar
Quando viu que estavam altos demais
O homem sobe a montanha
A ausência de sonhos não o estranha
E uma vida que crê na própria sorte
Não sente o frio da própria morte