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O projeto do Senador Azeredo e críticas vazias
Ontem achei no blog do Marcelo Tais um link para uma petição online contra o projeto do Eduardo Azeredo sobre crimes na Internet.
Até hoje, apenas fiz alguns comentários sobre o tal projeto, mais especificamente a respeito do conceito de defesa digital, que aparentemente conseguiram minar.
Ainda não sei, porém, o que exatamente pensar dele. É fato que existem partes problemáticas, afinal só em sonho teremos um projeto perfeito para algo tão complexo e amplo como a internet. Mesmo algo aparentemente “perfeito” hoje terá problemas no futuro à medida que diferentes usos da rede sejam possibilitados por avanços tecnológicos em software e hardware.
Se querem dizer que o projeto é ruim mesmo para o que hoje se sabe da Internet, que façam, mas que façam racionalmente. Mas vejamos a crítica abaixo, da petição:
Seria uma ótima crítica. No entanto, lendo o trecho do projeto novamente, agora com grifo, é possível ver que a crítica não faz tanto sentido assim:
Sites públicos não exigem autorização. Sites de busca respeitam o robots.txt e meta-tags. Ponto. Problema acima resolvido. Próximo?
Advogados, juristas e outros conhecedores de artes negras inumanas como exegese e hermenêutica (brincadeira!1) vão dizer que não é tão simples determinar quando há exigência de autorização e quando não há. Quer dizer, se este site é público, será que é porque eu quero que ele seja ou porque esqueci de configurar uma senha? É só ver o caso recente do juiz Alex Kozinski, em que conteúdo “obsceno” foi encontrado em pastas que ele pensava serem privadas.
No entanto, o problema não é com a intenção do texto do projeto, mas com a falta de uma definição do termo mais importante do trecho citado (a exigência). A intenção é boa: não permitir a cópia de conteúdo não-autorizado de uma rede. É até uma proteção da privacidade das pessoas (embora, é claro, a intenção seja proteger as empresas de espionagem). A crítica feita na petição só é válida se toda informação for considerada confidencial exceto quando informado o contrário, embora o “quando exigida” me dê a impressão que, pela lei, todo conteúdo é considerado público a não ser quando dito explicitamente o contrário2, o que na minha opinião seria o ideal (vale dizer, não sou advogado, e a interpretação que vai valer será a do primeiro juiz que julgar um processo com base neste trecho).
Sempre que eu vejo a pessoas recorrendo a argumentos fracos como este, eu me pergunto se a crítica é válida afinal: repara-se que a crítica na petição ignora completamente a presença do “quando exigida”, embora eles tenham sido honestos para citar a frase inteira. Certamente, há um problema com o trecho citado, mas por que o problema precisa ser aumentado e distorcido da forma que foi, especialmente se o projeto é tão ruim assim? Deve ser possível fazer críticas mais profundas e fundamentadas.
Na minha opinião, problemão de verdade é a quebra desmedida de sigilo no Orkut que, por algum milagre, tem gente que acha bom (provavelmente porque o pedófilo e o terrorista são o bicho-papão do homem adulto).
Editado: O projeto foi aprovado ontem (9/10) à noite; a notícia está na Folha Online.