Orkut e networking

Networking é, bem provavelmente, um termo mais apropriado para descrever estas novas relações internéticas que tem aparecido do que a maioria imagina. Isto pode ser dito devido à semelhança destas relações com uma rede (network) de comunicação qualquer. Cito dois aspectos básicos:

  1. Qualquer ponta da rede (host, ou, no caso, uma pessoa) pode ser desconectado a qualquer momento sem grandes perdas para o resto da rede (redundância)
  2. O valor da rede aumenta quanto mais terminais (pessoas) nela existirem (lei de Metcalfe)

O ponto 1 não poderia ser mais verdadeiro. Acabar com uma relação qualquer na Internet é tão fácil quanto clicar em um botão ou configurar filtros no cliente de e-mail. Nada de polêmico aí, embora as conseqüências éticas e morais sejam mais complicadas. Mas isto vai além do assunto deste post.

Já o ponto 2 pode ser facilmente observado: existe, por parte de muitos usuários, uma compulsão pela adição de centenas de amigos e comunidades no perfil, mesmo que, quando questionados, estes cidadãos jamais consigam citar pela memória todas as comunidades/amigos que adicionaram. O valor não está em conhecer todas as pontas rede (amigos/comunidades), mas em saber que elas estão lá. Não é diferente da Internet, onde, por exemplo, não conhecemos todos os sites, mas sabemos que estão lá caso precisarmos deles um dia.

É claro que o networking não se limita às redes sociais online. Faz-se networking em eventos/encontros também. E por que não? São pessoas que dificilmente se verão no dia-a-dia — é possível algo além do “networking” com elas? E nada custa pedir uma recomendação no LinkedIn ou comentar sobre projetos ou ofertas de emprego que ambas possam conhecer.

Não sendo eu um especialista no networking, obviamente, devo falhar ao tentar captar tudo que ele possibilita.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman faz outras comparações semelhantes no livro Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. Ao contrário do que se pode pensar sobre o título, no entanto, a fragilidade não é inerente, mas desejada. O modelo de networking — onde pode-se desconectar ou ser desconectado sem conseqüências maiores — é o carro Flex dos relacionamentos humanos. Felicidade descompromissada é o lema dos tempos atuais.

Mais de dois e meio porcento dos usuários do Orkut já dizem estar em algum tipo de relacionamento aberto. Creio que este número só tende a aumentar.

Eu? Orkut para mim é para conhecer pessoas. Meu MSN está estampado no perfil. Quer conversar, estou aqui. A Internet não precisa distanciar as pessoas e pode, sem problema algum, fazer o oposto. Mas se você quer fazer de mim apenas mais um número na sua rede, sem de fato interessar-se no Altieres-como-pessoa, mas sim no Altieres-como-ponta-na-minha-rede, não conte comigo.

Versos: Necrofilia

Comecei a escrever “poesia” (uso o termo de forma bem descuidada aqui, por isso as aspas) entre os intervalos nas aulas do ensino médio. Na verdade, houveram alguns rascunhos antes, mas foram poucos e destas anciãs tentativas nada resta de lembrança.

Acho que só dois textos, dentre os quase 150, já foram parar na web até hoje — e não por minha mão. Porém, resolvi eu mesmo começar a publicar alguns. Por sugestão do Diogo, vou começar com o Necrofilia, que segue.

Antes que perguntem: eu não sou necrófilo nem apóio a prática.

Necrofilia

Te querer não me convém
Mas o que é que você tem
Que, se eu for sincero,
Admitirei que te quero?

Seria talvez o teu sorriso
Feito de dentes cor de granizo?
Ou os teus cabelos, tão pretos
E teus lábios, imóveis e perfeitos?

Não é possível que digas que não
E nem me assusta se não bate
O teu coração

Tão esmagadora é minha solidão
Que ficarei contente com o frio
Mesmo no verão

Frist psot

Este deve ser o oitavo “1º post” que faço, contando sites/blogs que já tive e os que ainda estão no ar. Aliás, a metade deles ainda está no ar (conte este: 4). Bom que tantos já se foram – todos me ensinaram alguma coisa. Mas nunca me ensinaram a fazer um bom primeiro post.

Então só digo aqui que este blog – cujo título não está na URL e pode ser mudado no futuro – é realmente um blog pessoal. Quer dizer, pretendo publicar aqui qualquer coisa que seja de minha autoria, quem sabe tecer alguns comentários aqui e ali. Mas não posso dizer exatamente o que será encontrado aqui… isso podemos dizer depois que alguma coisa for de fato publicada (se for! meu histórico para manutenção de blogs não é positivo).

O Zero Negativo não será mais atualizado. Mas de certo isso pouco importa, já que ninguém mais o lia.